O poder global sai do ocidente, para os países BRICS

Futura Nova Ordem Mundial? Não. Ela já está aqui

 

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por Bryan MacDonald, Russia Today
Time for a “new world order?” No, it’s already here
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

 

Putin falou da necessidade de uma “nova ordem mundial”, com o objetivo de estabilizar o planeta. Para ele, os EUA já abusaram demais, no papel de líder global. O que pouco se noticia, contudo, é que os pilares que sustentavam aquela velha ordem vêm ruindo há anos.

Antes, era tudo tão simples! O mundo estava dividido em dois campos: o ocidente e o resto. E o Oeste, o ocidente, era de fato o melhor. Há 20 anos, seis das maiores economias do planeta estavam integradas ao mundo pró-Washington.

O líder, os próprios EUA, estavam tão à frente, que o PIB, ali, era mais de quatro vezes maior que o da China e nove vezes maior que o da Rússia.

O país mais populoso do mundo, a Índia, tinha quase a mesma renda bruta que os comparativamente minúsculos Itália e Reino Unido. Qualquer noção de que a ordem mundial mudaria tão dramaticamente em apenas duas décadas soava como piada.

A percepção ocidental era que China e Índia eram atrasadas e se passaria um século antes que se tornassem concorrentes. A Rússia era vista como uma espécie de lata de lixo, de cócoras e governada pelo caos. Nos anos 1990s, boa parte disso tudo, sim, fazia algum sentido.

Aqui, um resumo da economia mundial, nos anos 1990s e hoje:

Maiores Economias, pelo PIB, ajustado por paridade do poder de compra (PPC) Fonte: Banco Mundial

 

1995 (PIB em bilhões de USD) 

EUA 7,664
Japão 2,880
China 1,838
Alemanha 1,804
França 1,236
Itália 1,178
Reino Unido 1,161
Indonésia 2,744
Brasil 1,031
Rússia 955

2015 (PIB estimado pelo FMI)

China 19,230
EUA 18,287
Índia 7,883
Japão 4,917
Alemanha 3,742
Rússia 3,643
Brasil 3,173
Indonésia 2,744
França 2,659
Reino Unidos 2,547

 

Crepúsculo dos EUA

Hoje, a piada é o ocidente. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que, em 2015, quatro das principais economias do mundo estarão incluídas no grupo hoje conhecido como BRIC: Brasil, Rússia, Índia e China. A China substituirá os EUA como lobo guia da matilha. Pode até já ter acontecido: os números da economia sempre aparecem depois dos fatos da economia.

A Itália, a doente da Europa, já saiu dos “10 mais”; e o Reino Unido mal se mantém pendurado, por mais que Londres continue a ser promovida como poderoso centro financeiro. Só criancinhas, na Inglaterra, ainda creem nisso. O Reino Unido está convertido numa Julie Andrews da geopolítica – estrela que se vai apagando, depois de ter luzido com tanto brilho. A França é impotente, saltando de crise em crise, sempre com novas trapalhadas, até voltar a mergulhar em nova crise.

Ainda é cedo para descartar completamente os EUA. O império não se acabará assim, do dia para a noite, mas o sol já está bem baixo no horizonte. É menos culpa dos EUA e, mais, resultado da perda de importância relativa de seus tradicionais aliados.

De fato, os únicos aliados dos EUA que ainda se seguram são Alemanha e Japão – nenhum dos quais é ator militar importante. Grã-Bretanha e França foram, por muito tempo, fornecedoras da carga pesada para aventuras marciais. Verdade é que a Alemanha não é parceira lá muito entusiasmada, porque grande parte da classe política em Berlim tem sérias dúvidas quanto ao poderio dos EUA. Muitos, na intelligentsia alemã, sentem que seu aliado natural é Moscou, não Washington.

O crescimento na importância dos BRICs e de outros países emergentes têm implicações imensas sobre o consumo, os negócios e os investimentos globais. Em 2020, pelas estimativas do FMI, a economia russa já terá ultrapassado a alemã, e a Índia terá deslocado, do quadro, o Japão. O mesmo FMI também prevê redução na fatia global dos EUA, de 23,7% em 2000, para 16% em 2020. Em 1960, os EUA representavam 38,7% da economia mundial. A China, por sua vez, mal chegava a 1,6%; no final dessa década, a China já terá chegado a 20%. O mundo não conhece mudança tão forte, em prazo tão relativamente curto.

 

A importância da estabilidade

O discurso de Putin no Valdai Club [em ing., no blog do Saker; (NTs)] não foi estocada no escuro. Vê-se ali compreensão nuançada sobre onde está o equilíbrio global hoje e em que direção andará nos próximos anos. A hegemonia dos EUA sempre se baseou no fato de que, com os seus aliados, os EUA controlavam o cerne do comércio global, além de sempre empunharem um gordo porrete militar. Isso, hoje, é história.

Mas a imprensa-empresa ocidental, em vez de aprofundar a discussão proposta por Putin, pôs-se a chutar as canelas do artista, em vez de chutar a bola. Muitas colunas apresentaram o discurso como “diatribe” e assumiram que Putin só teria focado a política exterior dos EUA, que, na opinião dele, seria anti-Rússia [1]. Nada mais longe do que realmente importa.

A preocupação de Putin é reencontrar e manter a estabilidade e a previsibilidade, exatamente a antítese do neoliberalismo ocidental moderno. Na verdade, a posição de Putin aproxima-se mais de outras visões para promover a ordem mundial, que brotaram da União Democrática Cristã [al. CDU] de Konrad Adenauer na Alemanha e dos Tories britânicos de Harold Macmillan – do conservadorismo europeu clássico.

Putin é quase sempre mal compreendido no ocidente. Suas declarações públicas, orientadas sempre mais para a audiência doméstica que para a grande vitrine internacional, não raro soam agressivas, quase chauvinistas. Mas os observadores bem fariam se não esquecessem que Putin é grande-mestre de judô, cujos movimentos são calculados para confundir e desequilibrar o adversário. Se se leem as entrelinhas, o presidente russo está interessado em engajamento, não em isolamento.

O presidente da Rússia vê seu país como parte de uma nova alternativa internacional, unido a outros países BRICs, para conter, onde seja possível, a agressão pelos EUA. Para Putin, conter a agressão norte-americana é necessário, para chegarmos à estabilidade mundial. Adenauer e MacMillan teriam compreendido exatamente isso, imediatamente. Mas líderes europeus e norte-americanos contemporâneos já não entendem nada. Embriagados pela dominação que exerceram durante os últimos 20 anos, ainda não lhes caiu a ficha, de que a ordem global já está em mudança e mudando rapidamente.

O modo como os EUA reajam à nova realidade é elemento vital do processo. Em dinâmica própria das histórias em quadrinho, o discurso de Washington só sabe focar a Agência de Segurança Nacional, correria de espiões para lá e para cá, governos “sombra”, um patético, desentendido 4º estado, aquela gigantesca força militar jamais usada produtivamente para nada e ninguém, e um crescente, aterrorizante nacionalismo.

Tanta imbecilidade juvenil-adolescente não vive sem um bandidão para chamar de seu. Em dez anos, o bandidão oficial dos EUA já passou de Bin Laden para Saddam; das batatas fritas na cafeteria do Congresso, para a russofobia. Se a elite norte-americana mantiver esse mesmo comportamento, a transição para um mundo multipolar pode não ser pacífica. Isso, sim, se deve temer, medo real.

 

Nota dos tradutores

[1] No Brasil, a imprensa-empresa apagou do universo essa fala de Putin. Foi como se não tivesse acontecido. O jornal o Estado de S.Paulo, que muito provavelmente é o PIOR jornal do mundo, publicou, sobre esse discurso, o que se pode ler (mas não vale a pena) em “Putin culpa ocidente por crise na Ucrânia e nega formação de império pela Rússia”, o que seria cômico, não fosse tão ridículo.

 

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Os financistas do mundo e a eleição brasileira

Bruno Lima Rocha

 

O segundo turno das eleições brasileiras tem relação direta com: a projeção do país; a aliança estratégica do bloco político do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL); o alinhamento do Brasil junto à globalização corporativa. A política externa de Lula e estendida por Dilma (com algumas correções no pragmatismo) é estruturalmente distinta do período de Fernando Henrique. Mudou o eixo e o foco. Em escala mundial, nosso país reforça as relações Sul-Sul, especificamente priorizando os investimentos em infra-estrutura e cadeias produtivas da América Latina e África. O Brasil hoje é um motor do capitalismo mundial. Quem ganhar na urna comandará a 7ª economia do mundo.

No hemisfério norte, o diário Financial Times (FT) já decretou a sentença. Em editorial de 27 de setembro de 2014, o jornal “econômico”, autêntico porta-voz do capital financeiro, anuncia a tragédia das potências emergentes. Aqui, a Carta Maior, portal a favor do governo de coalizão que opera como consciência crítica por esquerda, alertou. Segundo os financistas londrinos, à altura do The Economist (conhecido como The Propagandist), Brasil, assim como Turquia e África do Sul seriam países fadados ao fracasso. Como estaríamos em “crise”, não teríamos outra saída a não ser um arrocho pesado.

A mentira tenta se fazer concreta através da opinião publicada. Em cadeia, os capitais voláteis iriam correr para alimentar a superpotência, deixando à míngua o refinanciamento dos países do G-20. Os Estados Unidos repassam sua dívida pública pelo mundo e com isso financiam o complexo industrial-tecnológico-militar, torrando cerca de UsD 840 bilhões de dólares em 2015. Como não há orçamento capaz de dar conta desse absurdo, sendo que a produção industrial dentro do território dos EUA equivale a menos de 10% de seu Produto Interno Bruto (PIB), por períodos é necessário sugar os recursos financeiros mundiais.

Trata-se de um jogo de força. Se os capitais vão para os EUA, logo fugirão dos emergentes. Para manter os ganhos de bancos e especuladores, o alvo é tomar conta da autoridade monetária das economias que valem à pena serem disputadas. Os porta-vozes dos especuladores apontam suas baterias para o Brasil (líder latino-americano) e os pares do país, respectivamente, a maior economia africana (África do Sul) e do mundo islâmico (Turquia). O mundo observa um novo eixo econômico (através dos BRICS e os países líderes regionais), mas está distante de outra hegemonia financeira. Nesta disputa pelo controle da expansão capitalista, o papel do Brasil é central.

Outrora entusiasta do crescimento brasileiro, hoje o Financial Times é um dos arautos da tragédia que talvez venha, sendo que a antecipação de cenários já deforma o cenário em si. O Brasil é alvo da cobiça do capital financeiro
Outrora entusiasta do crescimento brasileiro, hoje o Financial Times é um dos arautos da tragédia que talvez venha, sendo que a antecipação de cenários já deforma o cenário em si. O Brasil é alvo da cobiça do capital financeiro

O segundo turno será uma colisão entre uma candidatura de centro-direita (o Lulismo e aliados oligárquicos) e um adversário neoliberal. Com Aécio, o país se alinha aos desígnios dos fundos de investimento, bancos privados, aplicadores em paraísos fiscais e outros agentes transnacionais. A Banca nunca perde. Embora prefiram os tucanos, mesmo que Dilma vença, os financistas internacionais vão querer garantir o núcleo duro da equipe econômica do vencedor.

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Tradução para o espanhol aqui. O discurso do Brasil em crise é repetido por Aécio Neves.

Papa Francisco: “Corrupção é roubo aos pobres, fere aos mais vulneráveis, prejudica toda a comunidade, destrói a nossa confiança”

África

 

 

 

 

O Papa Francisco recebeu na manhã desta sexta-feira os Bispos da Conferência episcopal da África do Sul (África do Sul, Botswana e Suazilândia), em visita ad limina Apostolorum por estes dias. Na sua mensagem aos Bispos o Papa sublinhou que o encontro

Era uma ocasião propícia para dar graças a Deus, pelo crescimento da Igreja nos seus países, graças ao trabalho dos missionários de muitas terras que, juntamente com os homens e mulheres nativos da África do Sul, Botsuana e Suazilândia, semearam as sementes de fé do seu povo assim tão profundamente, e durante gerações inteiras sairam para encontrá-los onde quer que eles se encontrassem, nas aldeias, vilas e cidades, e especialmente nos bairros suburbanos sempre em contínua expansão. Eles, continuou o Papa Francisco, construíram igrejas e escolas e clínicas que têm servido os seus países por quase dois séculos; esta herança brilha ainda hoje no coração de cada crente e no trabalho pastoral que ainda continua.

Apesar dos muitos desafios, os vossos países – disse ainda o Papa – são abençoados por florescentes paróquias, a prosperar muitas no meio de grandes dificuldades: grandes distâncias entre as comunidades, a escassez de recursos materiais e acesso limitado aos sacramentos.

Contudo, a Igreja está empenhada na formação de diáconos permanentes em algumas dioceses, para ajudar o clero, onde os sacerdotes são menos; há um esforço concertado para renovar e aprofundar a formação dos catequistas leigos que ajudam as mães e os pais na preparação das novas gerações na fé; sacerdotes e irmãos e irmãs religiosos são unânimes em servir mais vulneráveis filhos ​​e filhas de Deus, tais como as viúvas, mães solteiras, as divorciadas, crianças em situação de risco e especialmente os vários milhões de órfãos da SIDA, muitos dos quais são chefes de famílias em áreas rurais .

O Papa falou em seguida dos maiores desafios nesta região da África Austral com forte impacto na pastoral, sobretudo a escassez das vocações ao sacerdócio e à vida religiosa, os abortos, e o reduzido número de sacerdotes, e a praga da corrupção, que é “roubo aos pobres … que fere aos mais vulneráveis … prejudica toda a comunidade … destrói a nossa confiança”., enquanto que a comunidade cristã é chamada a ser coerente na seu testemunho pelas virtudes da honestidade e integridade, para que possamos estar diante do Senhor, e os nossos vizinhos, com as mãos limpas e um coração puro (cf. Sl 24:4), como um fermento do Evangelho na vida da sociedade.

Também no que diz respeito ao compromisso dos leigos, é necessário enfrentar os desafios relativos à proliferação das seitas, que acabam por exercer uma atracção cada vez maior sobre as pessoas. Uma tendência, o Pontífice observou, favorecida também pelo «fracasso da moral cristã», que chega perigosamente até aos confins da conspiração com a desonestidade.

 

 

 Tayo Fatunia
Tayo Fatunia

Vai ter Copa sim

vvv

dum estádio patanal copa

 

duke propina estádio copa

Qualquer campanha não vai ter copa visa enganar os tolos, e envolver os incautos em algum obscuro movimento partidário e faccioso.

Mentirosa a informação de que a Fifa não vai realizar a Copa no Brasil. Trata-se de uma ameaça tipo cão que late não morde. Primeiro que a Fifa não tem tempo para organizar a Copa em nenhuma parte deste vasto mundo, e nenhum país quer e/ou está preparado para realizar o evento no prazo curto de dois meses.

Vai ter Copa sim. O que não podemos permitir é que o Brasil perca sua soberania para a pirataria da gananciosa e parasitária Fifa, comandada por cartolas corruptos. Ou que o brasileiro perca sua liberdade, pela presença de policiais estrangeiros, ou pela criação de tribunais de exceção.

Estamos na véspera das eleições, e as campanhas antecipadas estão na imprensa para presidente, governadores, Câmara Federal, Senado e assembléias legislativas estaduais. Certamente, aberta ou camuflados, os candidatos irão para as ruas condenar os gastos dos superfaturados estádios, das obras de mobilidade urbana e outras, inclusive gastos supérfluos com propaganda.

Importante que os governadores e prefeitos envolvidos nos elefantes brancos sejam denunciados, inclusive os desumanos despejos assinados pela justiça absolutista.

Os protestos fazem parte do jogo democrático, e não justificam um estado de sítio nem o terrorismo policial de uma ditadura camuflada. E muito menos uma ocupação militar estrangeira, seja dos seguranças da Fifa ou delegações esportivas de qualquer país.

Jamais um país do fechado Clube Atômico permitiria tal invasão. Mas aconteceu no Terceiro Mundo da África do Sul. Que Dilma Rousseff se cuide. Futebol é paixão. Política também. Um campanha pode levar o povo, pela emoção, a decisões inesperadas.

Em junho de 2013, a classe média, (in) certos movimentos sociais e estudantes universitários foram para as ruas, para recuperar 20 centavos na passagem dos transportes. Mas o Gigante continuou adormecido. O Gigante não faz passeata de esquerda, ou marcha da direita. O Gigante quando descer das favelas, das periferias, dos morros, das áreas de risco, promoverá um arrastão.

Sinovaldo
Sinovaldo

 

 

 

Sudáfrica. El deseo de desracializar la sociedad, una visión utópica que significaría generar una sociedad basada en la igualdad

tapagcash

En diálogo con Cash, Premesh Lalu, director del Centro de Investigación en Humanidades de la Universidad de la Provincia Occidental del Cabo, afirma que el apartheid en Sudáfrica funcionó como un mecanismo económico, pero su combate no se enfocó en el problema de la economía. Indica que el neoliberalismo es un elemento constitutivo que mantiene la dinámica racial de las cosas.

 

Por Natalia Aruguete

 

 

Las primeras elecciones multirraciales en Sudáfrica pusieron punto final a casi cincuenta años de apartheid (1948-1994). Con más del 60 por ciento de los votos, el Congreso Nacional Africano (ANC) ganó los comicios y designó a Nelson Mandela como presidente. La gran negociación iniciada entonces se concentró en la modalidad de la democracia, la unificación de Sudáfrica y la desracialización de la sociedad. Sobre ese piso legal, la Comisión por la Verdad y la Reconciliación actuó como una justicia restaurativa, contra las violaciones a los derechos humanos. La utopía de Mandela era alcanzar la reconciliación nacional: que Sudáfrica perteneciera a todos los que allí viven, negros y blancos. Sin embargo, hay problemas profundos que el postapartheid no logró resolver. La gran negociación intentó “satisfacer a la sociedad, pero sin molestar al capital”, señaló Premesh Lalu en una entrevista con Cash. Invitado por el Programa de Estudios Sur Global de la Universidad de General San Martín (Unsam), el director del Centro de Investigación en Humanidades de la Universidad de la Provincia Occidental del Cabo hizo fuertes críticas al postapartheid y advirtió sobre las cuestiones estructurales que quedaron pendientes. Fundamentalmente, la consolidación de la racialización en el ámbito económico y la falta de un debate público tendiente a politizar a una gran parte de la población, que manifiesta una profunda frustración.

¿Qué cuestiones cree que han quedado pendientes de resolución en Sudáfrica, particularmente en el ámbito económico, después del apartheid?

–El apartheid fue pensado como un proyecto económico que definía la distribución del trabajo a lo largo de diversos sectores de la economía. La explotación minera en Sudáfrica siempre dependió del sistema de trabajo migrante. No sólo migración de las zonas rurales hacia las urbanas dentro de Sudáfrica, sino que desde la región Sur de Africa venían personas a trabajar a las minas de oro. Hubo, además, momentos de industrialización masiva e industrialización secundaria. Incluso, la urbanización masiva previa y posterior a la Segunda Guerra Mundial funcionó a la par del desarrollo del sector industrial en Sudáfrica. La agricultura, por su parte, fue históricamente un ámbito de reclamo sobre la distribución del trabajo. Cuando se piensa en la historia de Sudáfrica, se piensa en cómo el apartheid funcionó como un mecanismo económico. Sin embargo, las luchas en contra del apartheid no se enfocaron en el problema de la economía.

¿Dónde pusieron el foco?

–La negociación que tuvo lugar en 1990 giró alrededor de la cuestión del establishment político. El gran debate se orientó hacia la Asamblea Constitucional, hacia la modalidad de la democracia y del sistema electoral. Se estableció un piso legal, en ese marco surgió la Comisión por la Verdad y la Reconciliación (que actuó como una justicia restaurativa, donde testificaron las personas identificadas como víctimas de violaciones graves a los derechos humanos). Algunas de las dificultades no resueltas por la Comisión de la Verdad y la Reconciliación forman parte central del postapartheid.

¿A qué cuestiones se refiere?

–En el marco de la negociación no hubo lugar para debates sobre la problemática económica. La cuestión económica fue resuelta de manera separada de la gran negociación, y estuvo subordinada a los intereses internacionales de la explotación en minería.

¿Por qué fue negociada en forma separada?

–Porque la ANC (Congreso Nacional Africano) ingresó en esa negociación con la convicción de que concretaría la idea –incluida en la “Carta de la Libertad” (Freedom Charter)– de que Sudáfrica pertenezca a todos los que viven allí, negros o blancos. Y se involucraron en un proyecto político tendiente a desracializar a la sociedad.

¿En qué consistió ese proyecto?

–Intentaron juntar las distintas piezas del rompecabezas, satisfacer a la sociedad, pero sin molestar al capital. Procuraron que la dinámica política – una política de desracialización liderara la relación entre el Estado y las instituciones. Pero el terreno económico sigue completamente racializado.

¿Qué consecuencias trajo en términos de equidad económica y social?

–Durante la presidencia de (Nelson) Mandela (1994-1999) se intentó avanzar con el proyecto de empoderamiento de la economía negra. Eso significaba que había emergido una nueva elite. Pero las discrepancias eran enormes y la lucha por dicho empoderamiento fue visto de una forma limitada, sólo se apuntó a un pequeño sector de la clase media negra en ascenso. Por eso, creo que ese intento de empoderamiento de la economía negra fue ciertamente inefectivo.

¿Por qué cree que el postapartheid se topó con esas limitaciones?

–Creo que hubo tres cosas que no se dieron después de 1994. La primera es que no hubo una negociación entre el Estado y las instituciones. El apartheid no fue sólo un proyecto de represión desde el Estado, también funcionó a nivel de las instituciones: desde las escuelas hasta las universidades pasando por los hospitales; sus infraestructuras se han multiplicado a través de una ramificación racial.

¿Cuál es la segunda cuestión no resuelta?

–Que la esfera económica creó un campo de privilegios muy particular. Se esperaba que la recomposición posterior al ’94 iniciara un proceso de desaprendizaje de ese privilegio, pero no fue así. En realidad, el sector económico se consolidó y se cerró en sí mismo.

¿En qué se evidenció los privilegios a nivel económico?

–Por ejemplo, cuando el Estado intentó promover el empoderamiento de la economía negra, desde el mercado se argumentó que se trataba de un racismo inverso. Hay una tercera cuestión: durante la lucha contra el apartheid, hubo vastas redes de movimientos políticos en las ciudades, que con el tiempo se volvieron cáscaras burocráticas. Tenían ambición y deseos, y un programa sobre algunas cuestiones económicas enfrentándose a cláusulas creadas por el Estado. Pero no es posible formar parte de un movimiento de masas y pasar al proceso de negociación al mismo tiempo. Esos procesos se fueron vaciando durante el intento de crear un nuevo concepto de pertenencia nacional en el marco del proyecto del postapartheid.

 

Neoliberalismo

 

¿Cuán estructural es la problemática que observa en Sudáfrica?

–Pienso en una estructura de relaciones de raza y de política racial. Desde este punto de vista, el neoliberalismo se ve distinto. No se trata de una racionalidad económica externa que tiene efectos sobre la población. El neoliberalismo, en sí mismo, es un elemento constitutivo que mantiene la dinámica racial de las cosas.

¿Qué opina acerca del Brics como posible alianza alternativa? ¿Qué efectos tendría para Sudáfrica?

–Las iniciativas que hemos visto a través del Brics abarcan muchas formas, pero creo que todas confluyen en una misma dinámica.

¿A cuál se refiere?

–En el sentido de producir un tipo de futuro poscolonial, algo que creo que todavía es un deseo pendiente. Propongo una forma de pensar que se ubique fuera del tipo de relaciones de colonialidad. Por eso, incluso, propongo pensar el neoliberalismo de manera distinta: no ubicado como una cuestión política o económica, sino como una problemática racial. Porque creo que el neoliberalismo está tratando de redefinir la biopolítica. El neoliberalismo es el apartheid del futuro. En nuestros países, el neoliberalismo se apoya en dinámicas de gobierno local, segregación étnica y prácticas de exclusión del mundo del trabajo que se asemejan a modelos de décadas pasadas.

¿Cree que están dadas las condiciones en Sudáfrica para hacer frente a este escenario?

–En el Sur de Africa tuvimos la oportunidad de cambiar radicalmente el discurso a la salida del apartheid, pero no lo hicimos. Ahora la pregunta debe versar alrededor del postapartheid. Pero no pensando que el primer apartheid era una cuestión solamente sudafricana, sino que fue más allá. Se debe extender la discusión a la crítica del liberalismo en general, como una especie de teoría de la raza y un intento de componer los términos de la biopolítica. Y creo que eso es lo que no estamos logrando aún en Sudáfrica.

 

Crisis mundial

 

¿Cómo ha enfrentado Sudáfrica la crisis mundial?

–El presupuesto fue lanzado recientemente por Pravin Gordon, un activista surgido de la ANC que estuvo involucrado en las luchas de los años ’80. Ahora es el ministro de Finanzas. Con Gordon estaba el anterior ministro de Finanzas, Trevor Manuel, que proviene también de la UDF, un movimiento interno de izquierda de la ANC. Ambos crearon el Plan Nacional de Desarrollo a partir de una recorrida por el país en la que intentaron ver cuáles eran las necesidades de Sudáfrica para concebirse como un Estado más democrático, con una infraestructura que pudiera sostener las demandas de la población. Desde los movimientos sindicales, por ejemplo, plantearon que ese plan “no era suficiente”. La recesión ha sido dura y los efectos llegaron tiempo después.

¿Cuáles fueron los sectores más afectados?

–Hay una significativa preocupación por el crecimiento del desempleo y el aumento de las diferencias entre ricos y pobres. Hace pocos años, se realizó un estudio desde el programa de investigación de los sindicatos para cuantificar cuántos años le llevaría a un obrero sudafricano ganar lo que un CEO sudafricano cobra en un año. La respuesta era ridícula.

¿Cuántos?

–Mil cien años aproximadamente. El problema es la cantidad de años de crisis acumulada que llevamos.

¿Desde la crisis de 2007 o se refiere a los shocks previos a ese año?

–Incluso antes. Los objetivos de tener un crecimiento económico rápido se han convertido en enormemente problemáticos.

Con un alto impacto en el mercado de trabajo.

–Sí. En ese sentido, el problema fue la inversión extranjera directa, que se ha convertido en una gran preocupación para el Estado. Hubo debates sobre la posibilidad de que el Estado permitiera a Walmart venir a Sudáfrica. Esas argumentaciones dañaron la confianza de los inversores. Al mismo tiempo, hay una enorme insatisfacción en distintos sectores de la economía. Tenemos que repensar qué significa para nosotros el neoliberalismo, especialmente en un lugar como Sudáfrica. No podemos pensarlo simplemente desde una racionalidad económica, sino como una teoría de la raza. Y el problema es que eso no ha sido debatido adecuadamente. Ese fue el motivo del inicio de la ANC en 1955: el deseo de desracializar la sociedad, una visión utópica que significaría generar una sociedad basada en la igualdad

* Con la colaboración de Laura Efron, Sección de Estudios de Asia y Africa, UBA.

MANDELA

Jesus disse: “Um profeta só é desprezado em sua terra e em sua própria casa” – Mt 13,57.

Jesus não é reconhecido como Deus em nenhum país do deserto. Para os árabes, o sexto profeta, Isa. A maioria dos judeus não acredita no Jesus histórico.

Xáquia-Múni, o Buda (Sidarta, nome pessoal), que viveu na Índia no século VI/V AEC, e é às vezes citado pelo nome do seu clã, Guatama, em sânscrito, Gotama, em páli, não fundou uma religião na sua terra natal. O budismo desenvolveu diversas variações: o singalês, o chinês, o japonês, o tibetano…

No entender dos budistas, o Buda Xáqui-Múni é um dos componentes da longa e continuada linha de Budas, o próximo será conhecido como Maitreya. Os israelitas continuam na espera do Messias.

Vale para os verdadeiros heróis e mártires de um país. E líderes políticos.

A imprensa da pátria de Mandela é conservadora e ocidental (branca). Não representa o povo.

JORNAIS DA ÁFRICA DO SUL

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JORNAIS DO BRASIL

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Até onde a imprensa ama os negros para santificar Mandela?

Mandela era chamado pela imprensa internacional de terrorista. Hoje esta mesma imprensa consagra Mandela como pacifista.

Mandela foi preso por ser negro.

Mandela lutou contra o apartheid negro… coisa que existe no Brasil. Quem já disse e ouviu esta frase entende o que falo: – Negro! conheça seu lugar! Isso começa desde os tempos de criança. Escolas públicas dos negros. Escolas privadas dos brancos.

Recentemente foram construídos os muros do prefeitinho do Rio de Janeiro. Ninguém reclamou.

Toda favela é um gueto. Negro sai da favela para jogar futebol pros brancos. Negra sai da favela para dançar o globeleza.

O Belo e os Monstros

Mandela

“Mandela não era propriamente um líder político” – opinou o pivô da RTP. Estava dado o tom. As televisões, nos seus noticiários, empenham-se em fazer uma espécie de esterilização da memória de Nelson Mandela. Como se para homenagear o homem fosse necessário negá-lo previamente.

O despudor o a hipocrisia estão, hoje, à solta. Já vi e ouvi os ditirambicos elogios feitos por três ministros de Cavaco Silva – com duas intervenções de Deus Pinheiro, ministro dos negócios estrangeiros da altura! -, o mesmíssimo governo que considerava Mandela terrorista e um dos três que, na ONU, juntamente com os EUA e o RU, votou contra a sua libertação da infindável prisão a que esteve sujeito. Tal como votou em todas as organizações internacionais sempre que se discutiam moções e deliberações, mesmo de carácter humanitário, sobre este tema.

Esta repugnante herança não pode ser esquecida nem apagada e os seus protagonistas só ganham o direito a admirar Mandela se forem capazes de um reconhecimento auto-crítico da sua prática ao tempo. Sejamos claros: Mandela não foi um mártir, nem um santo. Foi um herói, um homem à altura das suas circunstâncias. Foi – e de que maneira – um grande líder político e revolucionário. A sua obra tem as grandezas e imperfeições do que é humano. A África do Sul não foi transformada num paraíso, longe disso; foi libertada. Faz o seu caminho. Esperemos que esteja à altura do caminho de Mandela. Que era um homem de paz, mas não um pacifista; que lutou com todos os meios para que o seu povo tivesse direito a construir uma nação igualitária. Tendo sempre presente: “Se tu queres fazer as pazes com o teu inimigo, tens que trabalhar com o teu inimigo. E então ele torna-se o teu parceiro.”