Acampamento em Roma pelo direito a “casa e salário para todos”

por Alexandre Martins

A manifestação de sábado contou com a participação de entre 50.000 e 70.000 pessoas FILIPPO MONTEFORTE/AFP
A manifestação de sábado contou com a participação de entre 50.000 e 70.000 pessoas FILIPPO MONTEFORTE/AFP

Depois de um dia de protestos que levou dezenas de milhares de manifestantes a Roma, algumas pessoas passaram a noite acampadas no centro da cidade.

Acampamento na Praça Porta Pia
Acampamento na Praça Porta Pia

Convocaram uma assembleia, exigiram “uma casa e um salário para todos” e convidaram os romanos a juntarem-se a eles.

O acampamento não tem hora nem dia para ser levantado, mas a manifestação de sábado em Itália já se traduziu num resultado prático: o ministro das Infra-estruturas e dos Transportes, Maurizio Lupi, aceitou encontrar-se na próxima terça-feira com representantes de um dos movimentos que organizou o protesto.

“Chegou-nos a informação esta manhã de que o ministro Lupi decidiu agendar um encontro com este movimento. Vão estar presentes prefeitos de outras cidades, numa reunião em que vão ser discutidas as nossas condições e que achamos que se mantêm válidas. Não vamos recuar”, disse à agência italiana Ansa um dos organizadores da manifestação, o activista Paolo Di Vetta.

As dezenas de pessoas que passaram a noite acampadas exibiram cartazes com frases como “Tomemos de volta a cidade” e “Chega de expulsões, despejos e execuções de hipotecas”.

Dezenas de pessoas passaram a noite à porta do Ministério das Infra-estruturas e dos Transportes FILIPPO MONTEFORTE/AFP
Dezenas de pessoas passaram a noite à porta do Ministério das Infra-estruturas e dos Transportes FILIPPO MONTEFORTE/AFP

Os líderes do movimento convidaram “toda a cidade de Roma, incluindo os que não estiveram ontem [sábado] na manifestação”, a participarem numa assembleia neste domingo, para discutirem “o relançamento do caminho” iniciado com o protesto de sábado. O acampamento no centro de Roma “não é o fim do caminho, mas sim o início da solução”, dizem os organizadores.

“A quantidade de pessoas e a qualidade da participação na manifestação mostraram que a estratégia de pânico não funcionou. A mensagem de terror não manteve as pessoas fechadas em casa”, disse Paolo di Vetta, referindo-se ao dispositivo policial destacado pelas autoridades italianas e desvalorizando o episódio de violência junto ao Ministério da Economia e Finanças.

Muitos dos jovens que acaparam no centro de Roma queixam-se da forma como os jornais trataram a manifestação de sábado, preferindo salientar a forma pacíficia como a maioria das 50.000 a 70.000 pessoas percorreram as ruas da cidade.

Jacopo, um jovem de Turim, queixou-se ao jornal La Repubblica daquilo que os jornais escreveram: “No geral, eles [os media] tendem a exagerar os confrontos com o bicho-papão do Black bloc e não dão atenção às motivações dos manifestantes, que são o direito a uma habitação; o abandono dos refugiados políticos; e a luta contra a linha de alta velocidade [entre Itália e França].” Público/Portugal

Acampamentos. Globo cobre movimentos juvenis

 SWU, acampamento dos indignados brasileiros
SWU, acampamento dos indignados brasileiros
Acampamento de indignados em Wall Street
Acampamento de indignados em Wall Street

Carolina Iskadarian, jornalista da Globo, narra a aventura “da estudante maranhense Mayara Pinheiro Fortes, de 24 anos, que participou dos três dias do SWU, em Paulínia, interior de São Paulo. O festival de música terminou na madrugada desta terça-feira (15) e o G1 acompanhou alguns momentos de Mayara no camping do evento”. Leia. Trata-se de assunto do mais relavante interesse da juventude brasileira.

Outras histórias… podem ser contadas. Por exemplo: “Nina Brum, consultora de vendas de Ribeirão Preto que veio com os amigos, foi uma das pessoas que reclamou da truculência e despreparo dos seguranças do local. ‘Um deles me disse que pena que não posso bater em mulher’. A questão do despreparo parece generalizada tanto com monitores, tanto com seguranças

Alegando falta de higiene, a polícia acabou com o acampamento de Nova Iorque. Veja fotos e vídeos

Indignados à brasileira ocupam Brasília

Veja que os indignados brasilienses não têm o charme e a beleza dos acampados em Madri, em Nova Iorque, em Londres, em Tel Aviv, em Washington.

São esmulambados, desdentados, descamisados e descalços.
Ninguém aparece para levar alimentos, medicamentos, agasalhos. Nem tendas para acampar. Que o brasileiro não é solidário.

Freedom Praza, Washington

Freedom Praza, Washington
Puerta del Sol, Madri
Puerta del Sol, Madri
Tel Aviv
Tel Aviv
Londres, escadas da cadetral de St. Paul
Londres, escadas da cadetral de St. Paul

Os indignados brasileiros são sem teto, sem nada, porque Brasília teve uma sucessão de governadores ladrões, que comandaram legiões de vampiros e lobisomens, de fantasmas e outras almas sebosas que perambulam pelos 1001 palácios da Capital do Brasil.

Pobreza na Matriz é diferente. Ser pobre no Brasil não é a mesma coisa que ser pobre nos países que têm montadoras, oficinas, bancos, latifúndios e empresas no Brasil. Filial é filial. Colônia é colônia. Matrix é matrix.

Esta foto é de um acampamento em Brasília. A cara da nossa miséria. Retrato de nosso atraso. Clique no fac-símile da capa do Correio Braziliense para ver mais crueldade.