EM BUSCA DE UM NOVO TEMPO

por Miguel Sales

 

deusa da justiça

Uma nova luz,
Um novo Natal,
Um novo ano,
Um novo tempo,
Desejo de uma Justiça real e humana,
De um Direito que livre os oprimidos.
Terra que renasça um novo homem,
Cheio de paz, longe da violência.
É tempo de ter esperança:
Por um novo destino,
Um novo sentir, um novo pensar:
Harmonia entre tecnologias e natureza,
Na qual a vida respira mais forte.
Sonhos de construção de um novo lugar
Onde não falte o que essencial,
À dignidade da pessoa humana:
A morada, o trabalho, por exemplo.
Porém, apesar da fome,
Apesar do desabrigo,
Apesar do desemprego,
Apesar de tantos dias amargos,
De tanto descaso de certos governantes,
É preciso acreditar no homem.
É preciso acreditar no despertar do povo,
Na separação do joio do trigo,
Na vinda de um novo amanhã,
De novo significado para a vida.
De uma força que transforme o egoísmo de alguns
Em felicidade para cada um de nós.
Somente assim vale a nossa fé,
O amor pelo semelhante,
Que é a imagem de nosso Deus
E a medida de todas as coisas.

Os despejados de Eduardo Campos em Ipojuca

Em Pernambuco, as escolas públicas são os abrigos provisórios dos retirantes da seca, flagelados das chuvas e despejados da justiça. Os estudantes ficam sem aula, e o governo nem aí. Fosse uma greve de professores, logo apareceria a polícia com suas armas letais: bombas de gás, balas de borracha, pistolas laser. Eis o lema da justiça: as greves de professores e estudantes não podem prejudicar o ano letivo.

Um exemplo, entre muitos:

Removidos de terreno localizado em Porto de Galinhas, Ipojuca, homens, mulheres e crianças vivem em ginásio

Os despejados: crianças sem lar, sem creche, sem escola, sem nada, são jogadas no Ginásio Municipal de Ipojuca, que virou depósito humano
Os despejados: crianças sem lar, sem creche, sem escola, sem nada, são jogadas no Ginásio Municipal de Ipojuca, que virou depósito humano

Os desenhos colados na principal parede do Ginásio Municipal de Ipojuca, Grande Recife, resumem do apelo feito por 28 famílias que vivem no local. Denominado mural dos sonhos, o espaço foi decorado com papéis que expressam a esperança das crianças que residem no espaço improvisado. Todos revelaram o desejo de voltar a ter uma casa. As famílias estão desabrigadas há dois meses, depois ter sido retiradas de um terreno de 103 hectares, pertencente ao governo do Estado, na Praia de Porto de Galinhas, batizado de Vila do Campo.

Enquanto os despejados esperam alguma solução do poder público, na quadra coberta o sentimento é unânime: todos afirmam que foram esquecidos.

A desocupação aconteceu no dia 19 de março. A reintegração de posse terminou em muita confusão e na derrubada de 156 casas da comunidade, construída às margens da estrada que liga Porto de Galinhas a Maracaípe. A ordem foi assinada pelo juiz da Vara da Fazenda de Ipojuca, Haroldo Carneiro Leão Sobrinho. Os moradores protestaram e tentaram impedir a ação dos policiais, mas não conseguiram.

No dia da operação, quem não tinha para onde ir foi transferido para o ginásio de Ipojuca. Muitos continuam no local, porque estão sem emprego e sem um lugar para se abrigar.

É o caso de Mônica dos Santos Lima, de 38. Há 13 anos, ela morava na Vila do Campo com os cinco filhos, entre 5 e 21 anos. “Nos tiraram de lá mas não se preocuparam em saber para onde nos mandar. Agora, vivo aqui, nesse espaço improvisado. Esperando a boa vontade de alguém que possa nos ajudar”, disse.

A estrutura do ginásio é precária. O lugar apresenta vazamentos na cobertura e em dias de chuva a água invade o espaço. Outro problema é a falta falta de água nos dois únicos banheiros. “Uma das crianças, que chegou aqui recém-nascida, teve que ir embora. Começou a ficar cansada e a gripe virou uma pneumonia”, afirmou o ambulante Eduardo André. A Prefeitura de Ipojuca ajuda com a oferta de caminhões-pipa. A água é usada para cozinhar, beber e tomar banho.

No terreno de onde foram retiradas as famílias, sobraram apenas destroços das casas e o silêncio. Nada mudou e nem houve a colocação de cercas ou qualquer tipo de ação para impedir novas ocupações.

A Prefeitura de Ipojuca informou que cedeu o ginásio para que as famílias possam ficar até terem um lugar para onde ir. A Companhia de Habitação de Pernambuco (Cehab) informou que não tem responsabilidade sobre as pessoas que estão morando no local. (Texto do jornalista João Carvalho. Acrescentei legendas, título e comentários. T.A.).

Ipojuca é o segundo maior PIB de Pernambuco, depois do Recife. Não sei para onde vai tanto dinheiro. E também, ninguém sabe para que diabo o governador Eduardo Campos quer o terreno.

Eduardo Campos vai ficar na história de Pernambuco como  o governador dos despejos. Diferente de Marco Maciel que, em três anos e dois meses de governo, construiu cem mil casas populares.

Na rua, os despejados de Ipojuca
Na rua, os despejados de Ipojuca

A residência fixa do morador de rua

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Em Uberlândia vão levar seis meses para mapear os moradores de rua. Gosto do termo mapear. Significa, inclusive pela demora de uma solução, que os mendigos possuem endereço fixo.

O Brasil nunca registra as mortes dos mendigos. Coisa natural morrer de fome, de bala, de frio. Ou morrer incendiado nas brincadeiras inocentes de garoto rico.

Dia 26, informou a Agência Estadão, a morte de quatro mendigos em São Paulo.

Em Passos, rumo aos albergues (quais são os endereços dos albergues nas capitais brasileiras?. Deviam mapear para os mendigos), cantam os moradores de rua, ouvindo Roberto Carlos:

Não suporto mais, “seu”prefeito,

você longe de mim.

Será que um albergue custa tanto assim…

Será que tenho algum direito?

Quero até morrer, do que viver assim.

Só quero que você, me aqueça neste inverno,

E que tudo mais vá pro inferno.

E que tudo mais vá pro inferno.

UOOOOOO

E que tudo mais vá pro inferno.

UOOOOOO que friooooooooo

 

Gatoto Nero
Gatoto Nero

VANDALISMO DE VERDADE

por Vittorio Medioli

 

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Vandalismo, dizem os vândalos e os despolitizados, é deixar milhões de brasileiros correndo desesperadamente de um posto de saúde a outro sem encontrar atendimento, hospitais lotados em seus corredores, com falta de médicos, leitos e material.

Vandalismo entre esses arruaceiros é considerado deixar um idoso sentado numa cadeira escancarada por 24 horas tomando soro até ruir aos pés dos filhos que choram, apenas choram. Deixar um enfartado morrendo numa maca suja; “internar” pacientes em colchonete estendidos no chão, sem fraldas, lençóis; aguardar 15 dias para recompor uma fratura exposta que leva a amputação. Não ter fio cirúrgico e álcool, remédios e o básico.

Outro vandalismo que as ruas comentam é não ter creches para crianças que vivem em ambientes insalubres e imundos; vandalismo de Estado é prometer 6.300 creches em quatro anos e depois de 30 meses ter apenas um número insignificante e, portanto, não informado. Barbaridade é ter 39 ministérios inúteis e criar mais um para abrigar Afif Domingos, um dublê de empresário, mas assim mesmo merecer seu kit de jato-executivo, cartão corporativo, residência oficial e um sem números de assessores e serviçais. (Continua)

 

BRA^RJ_EX Rio de Janeiro hospitalBRA_OPOVO hospital criançaBRA^SC_DDL previdência velho indignadosBRA_HOJE idoso velho BRA^SP_TI corpo incendia nova máfia orfanato abrigo