QUE ESTRANHO! Marcha do dia 15 por um presidente de nome não revelado

Um movimento golpista que prende e arrebenta

 

Crianças filhas de perseguidos pela ditadura militar no Brasil era fichadas pelo Dops
Crianças filhas de perseguidos pela ditadura militar no Brasil era fichadas pelo Dops

 

Os da varandas e camarotes desejam a volta dos 21 anos de ditadura, de escuridão, de tortura e morte. De massacres até de crianças.

Eles vão marchar neste domingo, dia 15, para colocar no governo um presidente cujo nome não é revelado.

Deve ser algum lacaio do império, algum inimigo do Brasil.

Qual o nome desse Judas, desse Barrabás, traidor do povo e da Pátria?

 

Retorno da ditadura é sede de sangue

Para pedir o retorno da ditadura é preciso ser um analfabeto político ou um nazista fanático.

A ditadura, iniciada em 1 de abril de 1964, torturava e assassinava crianças, revela livro editado pela Comissão da Verdade de São Paulo, que reúne depoimentos de sobreviventes que hoje têm entre 40 e 60 anos.

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Organizado pela Comissão da Verdade de São Paulo, o livro “Infância Roubada” traz depoimentos de 44 pessoas que hoje têm entre 40 e 60 anos e são filhos de presos políticos, perseguidos, assassinados e desaparecidos durante a Ditadura Militar (1964-1985) no Brasil. A obra foi lançada no dia 05 de novembro na Biblioteca Mário de Andrade, em SP.

Cada testemunho é acompanhado, ainda, de fotografias, de acervo familiar e arquivos públicos, com o objetivo de resgatar a memória das famílias e a contextualizar o momento histórico, época em que crianças eram fotografadas e fichadas pelos órgãos de repressão. Há casos de crianças que, além de fichadas como “subversivos” e “terroristas”, foram banidas do país.

São lembranças de tortura, humilhação, de dor, de desamparo, de exílio, vazio, solidão e medo. Há casos de sequestro, de adoção e de ameaças de adoção, de banimento, de nascimento em cativeiro, de fetos torturados ainda no ventre de suas mães. Alguns tiveram que viver na clandestinidade, afastados dos pais, com nomes trocados

Prova de que esse tema é ainda uma ferida aberta para as vítimas, na semana de audiências, alguns convidados, mesmo com presença confirmada, não conseguiram comparecer. Alguns só aceitaram contar sua história por meio de entrevista, ou em testemunhos escritos. Outros preferiram que suas histórias não fossem publicadas. São homens e mulheres de 40, 50, 60 anos que ainda têm dificuldades de falar no assunto.

Embora os 44 testemunhos deste livro representem apenas uma pequena amostra do universo de crianças atingidas pela violência, eles pretendem cumprir a missão de ampliar e dar a visibilidade ao extenso leque de afetados pelo terrorismo de Estado do regime de 1964 e dar mais um passo a caminho da memória, verdade e justiça.

 

 

Retorno da ditadura ou do governo terminal de FHC?

Temos que lutar pela democracia. Antes que seja tarde demais. Todo golpe – a história ensina – traz a ameaça de invasão de exército e legiões estrangeiras. A Ucrânia o exemplo mais recente.

Os governadores tucanos Geraldo Alckmin e Beto Richa demonstram que os direitistas não realizam nada que preste para o povo. Governam para criar uma onda de revolta, de desesperança, de pessimismo, de descrença no Brasil. São incapazes de administrar, respectivamente, São Paulo sem água, e o Paraná da república do galeão. São podres governos, blindados pela imprensa vendida.

O povo revoltado reclama do preço dos transportes, sancionado pelo prefeito, culpando a presidência da República. Reclama a falta de água nas torneiras, culpando a presidência da República, quando a companhia de abastecimento de água foi privatizada pelo governador.

Beto Richa inicia seu segundo mandato com um tarifaço e um pacotaço de austeridade, na tentativa de reequilibrar o caixa financeiro do governo. Sua popularidade despenca, e 76% dos paranaenses desaprovam sua gestão.

Beto Richa

No último dia 26, a Polícia Militar do Paraná recusou a ordem de Richa de expulsar os professores grevistas da Assembléia Legislativa (ALEP). Veja vídeo 

Os funcionários públicos estaduais de São Paulo vão terminar nas ruas como acontece no Paraná. Este ano, Alckmin aumentou seu próprio salário em mais de 1000 reais. E na última semana, ele assinou um decreto que proíbe o aumento para o servidor público no estado. Parece que também planeja um Caracazo.

Temo por este Brasil de uma imprensa imoral, mentirosa, safada, vendida, que realiza a propaganda suja dos governos e empresas estrangeiras, principalmente das ex-estatais privatizadas em leilões quermesses.

Temo um golpe, uma ditadura financiada pela CIA, como aconteceu em 1964.

Temo um Fernando Henrique qualquer, de farda, de toga, de beca, não importa a roupa e o disfarce, que o hábito não faz o monge.

Temo um Fernando Henrique qualquer, realizando o governo terminal do verdadeiro Fernando Henrique.

Que fez Fernando Henrique, em oito anos de desgoverno e privatizações, pelo povo?

Que fez a ditadura militar, em 21 anos de ordem unida e tortura, pelo povo em geral?

 

Cao
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“É preciso ser cauteloso em relação a movimentos que podem ser prejudiciais ao avanço democrático”

Depoimento tocante da atriz Bete Mendes sobre a tortura

“Não dá para ter raiva de quem me torturou. A gente é tão humilhado, seviciado, vilipendiado que o que se quer é sobreviver e bem”, diz Bete Mendes
“Não dá para ter raiva de quem me torturou. A gente é tão humilhado, seviciado, vilipendiado que o que se quer é sobreviver e bem”, diz Bete Mendes

Sobrevivente da ditadura, a atriz Bete Mendes relatou à jornalista Eleonora de Lucena, da Folha, sua experiência na prisão, onde foi torturada. Leia abaixo.

Sobrevivi à tortura

Fui presa duas vezes. Na primeira, não fui torturada fisicamente. Na segunda, foi total. Fui torturada [em 1970] e denunciei [o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra]. Isso me marcou profundamente. Não desejo isso para ninguém – nem para meus inimigos. A tortura física é a pior perversidade da raça humana; a psicológica, idem.

torturador ultra brilhante

Não dá para ter raiva [de quem me torturou]. A gente é tão humilhado, seviciado, vilipendiado que o que se quer é sobreviver e bem. Estou muito feliz, sobrevivi e bem. E não quero mais falar desse assunto.

Superei isso com tratamento psicológico e com trabalho. Agradeço à família, à classe artística, aos amigos que foram meu alicerce. Carlos Zara me convidou para fazer a novela “O meu pé de laranja lima”, e isso me salvou. Continuei o trabalho artístico, fui fundadora do PT, fui deputada federal duas vezes e secretária da Cultura de São Paulo.

Comecei a fazer teatro e cantar com seis anos de idade. Com oito já participava de manifestações de alunos. Era do grêmio do colégio, depois fui para o diretório da faculdade. Em bibliotecas públicas ou pegando livros emprestados lia tudo: Rousseau, Marx, Mao, Lênin, Gorki, Aristóteles. Depois, adotei o codinome de Rosa em homenagem a Rosa Luxemburgo.

VAR-Palmares

Na adolescência escrevi textos de peças de teatro. Quando fui presa, eles levaram esses textos. Achavam que eles eram prova de crime, que depunham contra mim. Nunca mais os recuperei. Era coisa tão pouca, boba, pessoal.

Quando fecharam as portas à democracia, me senti usurpada, revoltada, aprisionada. Achei que a única saída era entrar numa organização revolucionária contra a ditadura militar. Entrei na VAR-Palmares. Fizemos aquela opção. Foi certa, errada? É difícil julgar hoje.

A minha visão era a revolução socialista: tirar o poder dos militares, dos opressores, do capitalismo selvagem. Deixar a gente governar para o bem de todos, com todos participando.

Eu tinha 18, 19 anos, e achava que podia fazer tudo. Não tinha consciência do risco imenso que estava correndo. Era atriz de uma novela que explodia no Brasil, “Beto Rockfeller”, estudava ciências sociais na Universidade de São Paulo e participava de uma organização clandestina revolucionária. Aí deu zebra.

O medo era a pior coisa que a gente sentia na época. Historicamente tem de se reconhecer que nós entramos numa ditadura muito mais pesada do que foi dito no passado. Isso vai sendo desdito atualmente pela Comissão da Verdade.

Hoje não tenho medo de retrocesso, mas é preciso prestar atenção em manifestações como de movimentos nazistas em vários países e no Brasil. Por exemplo? O coronel Brilhante Ustra faz parte desse movimento. Ele tem um site. Há jovens fazendo movimento nazista.

Democracia

É um receio. É preciso ser cauteloso em relação a movimentos que podem ser prejudiciais ao avanço democrático. Mas impedir jamais, porque a gente legitima a manifestação de todos, de opiniões diversas. É preciso cuidar da democracia para que esses movimentos não cresçam.

Sou política como qualquer cidadão. Sou cidadã, atriz, socialista. O socialismo se constrói todo dia. Não temos o modelo socialista do passado, mas a gente constrói um novo. Quero continuar trabalhando como atriz e viajar mais. Poder viver essa democracia até morrer. Sonho político? Que o trabalho escravo acabe no Brasil.

Estou aqui viva e feliz. Minha vida é muito efervescente. Emendei três trabalhos na televisão. Faço o que eu gosto: ser atriz. Não vamos ficar presos no passado. O que eu tinha de dizer, disse com todas as letras na época. “Revival” não tem sentido. Meu assunto hoje é [a novela] “Flor do Caribe”.

Problema de audição? Tenho. É que eu fui torturada [fica com os olhos marejados]. Brasil 247

Posse de Dilma. O encontro de duas ex-prisioneiras da ditadura militar

Dilma 1

Dilma 2

 

Ieda de Seixas é grata à recém-empossada presidenta Dilma Rousseff por um momento dolorosamente inesquecível em sua vida: ao lado da mãe e da irmã, foi presa durante a ditadura militar. “Quando cheguei ao Presídio Tiradentes, a primeira pessoa que me recebeu foi a Dilma. Foi uma recepção calorosa, para quem tinha vindo de Dops, do Doi-Code e todo aquele clima de monstruosidade, foi um aconchego o abraço dela. Coisa de mãe, embora ela tenha a mesma idade que eu. Mas a gente se sentiu acarinhada”.

Após ser recebida por Dilma, em 1971, Ieda ficou presa durante um ano e meio. Seu irmão, preso aos 16 anos, viu o pai falecer após dois dias de tortura. Ela conta que a mãe teve um enfarto na prisão e só recebeu assistência dos médicos que estavam presos porque a “repressão disse que era para deixar morrer”.

Mais de quarenta anos depois, Dilma recebe Ieda novamente. Em seu discurso de posse na Câmara dos Deputados disse que o Brasil não será sempre um país em desenvolvimento. “Seu destino é ser um país desenvolvido e justo. Uma nação em que todas as pessoas tenham as mesmas oportunidades”.

A presidenta relembrou sua militância contra a ditadura militar. “Sou ex-opositora de um regime de força que provocou em mim dor e deixou cicatrizes, mas que jamais destruiu em mim o sonho de viver em um país democrático”, declarou Dilma. Disse ainda não guardar qualquer tipo de revanchismo.

“Sempre me emociono ao dizer que eu sou uma sobrevivente. Também enfrentei doenças. Pertenço a uma geração vencedora. Uma geração que viu a possibilidade da democracia no horizonte e viu ela se realizar. Essas duas características me aproximam do povo brasileiro”, discursou Dilma.

A presidenta encerrou sua fala afirmando que tem o coração cheio de amor pela pátria. Ela citou um verso que, como definiu, “tem sabor de oração”: “O impossível se faz já, só os milagres ficam para depois”.

presidente carro

“Tenho muito orgulho de conhecê-la, de ser brasileira, e a minha geração subiu a rampa. Então é muita emoção, indescritível”, diz Ieda.

“Hoje como ela se mostra é como se mostrava na prisão, generosa, amiga e muito séria. Mas não é sisuda, ela faz piada de tudo, é uma pessoa extremamente bem-humorada”, afirmou Ieda, 67 anos, e mora em São Paulo. Clique nas fotos para ampliar

O indulto de Genoíno e Joaquim Barbosa, o herói inusitado

santo indulto

 

Não sou petista, nem admirador de Genoíno, de quem já fiz inúmeras críticas, nem de nenhum mensalista condenado.

Estranho que alguns acusados ficaram livres pelo empate, porque faltou o voto da deusa Minerva e, principalmente, da deusa Themis. E livres os mensalistas tucanos de Minas Gerais.

Mas pensando bem, quem prestou mais serviços ao Brasil: Genoíno ou Joaquim Barbosa, ministro Torquemada?

Você vai responder que Joaquim, porque prendeu Genoíno. Quer dizer que Joaquim fez apenas isso. Uma afirmativa que indica que Joaquim realizou uma coisa surpreendente. Um feito extraordinário.

É a mais grave acusação contra o Superior Tribunal de Justiça, acriminado de nunca ter condenado nenhum bandido de colarinho (de) branco.

E por falar em rico, quem é mais: Genoíno ou Joaquim?

Comenta o jornal A Tarde, de maneira cavilosa: “Edição extra do Diário Oficial da União publicada nesta quarta-feira, 24, traz um decreto assinado pela presidente da República, Dilma Rousseff, que concede indulto natalino a presos que obedecem critérios relativos a tempo de pena e comportamento.

A defesa do ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino deve estudar o decreto nos próximos dias para pedir que o benefício seja aplicado ao condenado no julgamento do mensalão”.

O jornal A Tarde insinua que Dilma Rousseff assinou o indulto natalino para beneficiar, exclusivamente, Genoíno.

In Wikipédia: “O indulto é um ato de clemência do Poder Público. É uma forma de extinguir o cumprimento de uma condenação imposta ao sentenciado desde que se enquadre nos requisitos pré-estabelecidos no decreto de indulto. Os decretos de indulto costumam ser publicados em dias particulares. Em Portugal e no Brasil, os indultos concedidos pelo Presidente costumam acontecer na comemoração do Natal. Em Angola, indultos foram concedidos no Dia da Paz e da Reconciliação Nacional1 (4 de abril). Na França, indultos coletivos para crimes menores costumavam ser concedidos no dia da Fête Nationale (Festa Nacional, 14 de julho), até a reforma constitucional de 2008 que limitou o indulto presidencial a casos individuais”.

No Brasil, as regras para concessão do benefício são definidas pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária.

Podem ser beneficiados, por exemplo, presos em regime aberto ou domiciliar, desde que faltem oito anos ou menos para terminar a pena e eles tenham cumprido, no mínimo, um terço da punição. Presos com doenças graves comprovadas por atestado médico também são potenciais beneficiários.

A concessão do indulto não é automática. A defesa do condenado precisa fazer um pedido à Justiça, mostrando que cumpre os critérios fixados pelo decreto. A partir daí, cabe ao Judiciário decidir se concede ou não o benefício.

Em verdade quem, de repente, passou a ser contra a tradição do indulto, defende a Lei da Anistia para os que praticaram crimes hediondos como sequestro, tortura, assassinatos políticos em 21 anos de ditadura militar.

lei anistia indignados

A anistia, “esquecimento”, é o ato pelo qual o poder público (poder legislativo, mais especificamente) declara impuníveis, por motivo de utilidade social, todos quantos, até certo dia, perpetraram determinados delitos, em geral políticos, seja fazendo cessar as diligências persecutórias, seja tornando nulas e de nenhum efeito as condenações. Enquanto a graça ou indulto, concedido pelo chefe de Estado, suprime a execução da pena, sem suprimir os efeitos da condenação, a anistia anula a punição e o fato que a causa.

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Quando um país tem justiça democrática faz assim com os golpistas

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O Clube Militar, que concedeu apoio à Marina Silva, vota em Aécio Neves neste domingo.

Defende Aécio a anistia para os sequestradores, os torturadores e os assassinos, que impuseram 21 anos de ditadura militar no Brasil.

Os governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff são culpados de não educar politicamente o povo, mostrando as diferenças entre Democracia e ditadura. Entre Liberdade e terrorismo estatal.

A Justiça e o Legislativo brasileiros também são responsáveis pelas tentativas golpistas que o Brasil hoje está sendo vítima.

Os professores deveriam ter ensinado a recente História do Brasil, o chamado passado que a imprensa ignora, e que Aécio tenta esconder. Idem os jornalistas, que os patrões – os Marinho, os Civita, os Mesquita, os Frias, os Associados – planejaram, defenderam e faturaram o golpe de 64.

 

ARGENTINA. EL TRIBUNAL ORAL Nº 1 DE LA PLATA CONDENO A PERPETUA A 15 DE LOS 21 IMPUTADOS POR LOS CRIMENES COMETIDOS EN LA CACHA

“No es una alegría, es un gran paso de la Justicia”

 

Gianfranco Uber
Gianfranco Uber

Se juzgaron los crímenes cometidos contra más de 100 hombres y mujeres que pasaron por el centro clandestino que funcionó en Olmos durante la dictadura. También hubo penas de 13 y 12 años de prisión, y un absuelto.

 
por Ailín Bullentini
El Tribunal Oral Federal Nº 1 de La Plata condenó a prisión perpetua a 15 de los 21 imputados por los delitos de lesa humanidad cometidos contra más de 100 hombres y mujeres en el centro clandestino de tortura y exterminio conocido como La Cacha durante la última dictadura cívico-militar argentina. La sentencia incluyó condenas de 13 y 12 años de cárcel para tres civiles y un marino que participaron de la cotidianidad de aquel centro de detención ilegal que funcionó entre 1976 y 1978 en la localidad platense de Olmos, en la provincia de Buenos Aires, y la absolución de un militar. Entre los condenados a perpetua están Jaime Smart, quien fuera ministro de Gobierno bonaerense durante la dictadura, y Miguel Etchecolatz, ex director de Investigaciones de la policía provincial. Si bien la recepción de la condena entre el público que colmó la sala Amia de los Tribunales platenses –sobrevivientes y familiares de víctimas, pero también militantes de organizaciones defensoras de los derechos humanos y de izquierda– fue buena, el abucheo ante la absolución fue total.

Para los sobrevivientes del infierno de La Cacha y los familiares de las víctimas que no lograron salir con vida de allí, la Justicia llegó 37 años tarde. Para ellos y el resto del público que colmó la sala ayer, tardó dos horas más de lo pautado: recién a las 20 el presidente del TOF 1, Carlos Rozanski, ocupó su asiento y llamó a los acusados a que ocuparan sus sillas. “Asesinos”, los recibió el público. “Como a los nazis les va a pasar”, les dedicó. Uno de ellos se ofendió: “Váyanse a la puta que los parió”, gritó. El resto, solo miró con desdén.

Ninguno de los acusados reaccionó ante las condenas. Por genocidio, por privaciones ilegítimas de la libertad y tormentos, los jueces condenaron a prisión perpetua a casi todos los militares que integraron el Destacamento de Inteligencia 101: Carlos del Señor Hidalgo Garzón, Jorge Di Pascuale, Gustavo Cacivio, Ricardo Fernández, Miguel Angel Amigo, Roberto Balmaceda, Emilio Herrero Anzorena, Carlos Romero Pavón y Anselmo Palavezzati. Luis Perea, por fallo voto mayoritario de los jueces Pablo Jantus y Pablo Vega, fue absuelto. Los tres civiles miembros del destacamento, Raúl Ricardo Espinoza, Claudio Raúl Grande y Rufino Batalla, recibieron 13 años de prisión por ser considerados partícipes necesarios y no coautores de los mismos delitos. Lo mismo ocurrió con el marino Juan Carlos Herzberg, quien recibió 12 años de cárcel. Prisión perpetua también recibieron Héctor “Oso” Acuña, uno de los más feroces torturadores de La Cacha, e Isaac Miranda, los únicos dos penitenciarios sometidos a este juicio.

Los cálculos no son específicos, porque todo es a fuerza de reconstrucción permanente, pero permiten una idea: 200 personas, más o menos, pasaron horas, algunos días o meses encerradas en el edificio central de La Cacha, una estructura no muy grande de dos pisos y sótano. Engrilletadas. Encapuchadas. Algunas, como las embarazadas, reunidas en una zona igual, las “cuevitas”. La mayoría, mezclada: estudiantes secundarios, jóvenes militantes universitarios, obreros recientes y experimentados, sus mujeres. Sus padres e incluso meros conocidos. Las torturas sucedían en una estructura separada de la principal, pero lo suficientemente contigua como para que los prisioneros oyeran los gritos de los castigados con golpes o picana, insultados, amenazados, violados. La Cacha dejó de funcionar como centro clandestino en 1978. Unos años después, funcionarios de la aún viva dictadura ordenaron la demolición. De aquellas más o menos 200 víctimas, sólo un tercio logró salir con vida de La Cacha. De aquellos, más o menos 200 casos, 135 integraron el juicio que ayer culminó su etapa formal.

Pero el juicio también integró el análisis de la muerte de Marcelo Bettini y Luis Bearzi, por quienes sólo fueron imputados y condenados Etchecolatz y otros tres policías bonaerenses, Eduardo Gargano, Horacio Elizardo Luján y Julio César Garachico. El Tribunal los sentenció a prisión perpetua. “Fueron más de 30 años de esperar este momento de Justicia. No repara por completo, pero es un buen final para contarle a mi mamá, que siempre esperó por esto”, evaluó emocionado Carlos Bettini, embajador argentino en España. Además del homicidio, la familia Bettini –asistieron a la sentencia su hermana y sus sobrinas– también obtuvo justicia por el secuestro del padre del grupo, Antonio Bettini, y la abuela Mercedes Hourquebie. A Smart, la perpetua le correspondió por todos los delitos.

“Esto no es una alegría, pero es un gran paso de la Justicia. Por fin esta gente estará donde siempre debió, la cárcel.” Estela de Carlotto abandonó la sala con una sonrisa, después de pegar los tres gritos de ¡presente! Por los 30 mil desaparecidos. La muerte de su hija, Laura Carlotto, así como la de Olga Casado, no fueron tenidas en cuenta como homicidios en el fallo, sino como agravantes de los secuestros, y se les atribuyó a los miembros del 101, a los penitenciarios y a Smart. Pese a eso, y a que el tribunal no se expresó por los casos de bebés nacidos y apropiados en La Cacha, ni por el pedido para que se investigue a Fernández específicamente por uno de los casos, el abogado de Abuelas de Plaza de Mayo, Emanuel Lovelli, se mostró conforme con el fallo.

“Este juicio ha terminado”, soltó casi dos horas después de haber iniciado la lectura Rozanski y, entonces, el público puso su sello. Como al principio, pero más fuerte y ruidoso: “Asesinos”, les enrostraron a los culpables, que entonces sí mostraron su cara, aún manchada de odio. Al Oso Acuña se lo tuvieron que llevar entre siete ex colegas. Entre las butacas, Carlotto se abrazó con sus hijos, Claudia y Guido. La sobreviviente y militante Nilda Eloy, firme en las primeras filas como lo estuvo desde la primera audiencia, lloró de emoción.

 

Latuff
Latuff

Papa Francisco: A tortura é um pecado contra a humanidade, é um crime contra a humanidade e aos católicos eu digo: “Torturar uma pessoa é um pecado mortal, é pecado grave!” . Mas é mais: é um pecado contra a humanidade

 Nayer
Nayer

 

O voo do Papa aterrou em Roma, nesta segunda, de regresso da sua terceira viagem apostólica que o levou à Coréia. Logo depois da sua chegada foi à Basílica de Santa Maria Maggiore para levar à imagem de Nossa Senhora um ramo de flores oferecidas por uma menina coreana, em Seul, no momento da partida.

No avião o Papa Francisco falou com os jornalistas dos momentos mais importantes desta viagem, das emoções sentidas em vários encontros, mas também da atualidade internacional, do Iraque ao Médio Oriente. A síntese no serviço de Gabriella Ceraso:

O pensamento ao povo coreano abre e fecha, basicamente, o diálogo articulado em dezasseis perguntas que o Papa teve com os jornalistas, mas foi a atualidade internacional que sobressaiu entre os temas. Antes de tudo o Iraque: a aprovação ou não do bombardeamento americano e uma hipotética viagem do Papa ao país. “Estou disposto a ir”, revelou o Papa Francisco, “mas neste momento não é a melhor coisa a fazer”, e depois reafirma: “é lícito fazer parar o agressor injusto”, fazer parar “não digo bombardear”, esclarece e, em seguida, “avaliar os meios com os quais fazê-lo”:

Fazer parar o agressor injusto é lícito. Mas devemos também ter memória de quantas vezes, sob esta desculpa de fazer parar o agressor injusto, as potências se apoderaram dos povos e fizeram uma verdadeira guerra de conquista! Uma nação apenas não pode julgar como se faz parar isto, como se faz parar um agressor injusto.

Em seguida, a guerra no Médio Oriente. Inútil, portanto, a oração de junho, com Abu Mazen e Peres, no Vaticano?, perguntam ao Papa. Aquela iniciativa “nascida de homens que acreditam em Deus”, “absolutamente não foi um fracasso”, responde o Papa: sem oração, não existe negociação nem diálogo, explica o Papa, portanto foi “um passo fundamental de uma atitude humana”. “Eu creio que a porta está aberta”:

Agora o fumo das bombas, das guerras não deixam ver a porta, mas a porta ficou aberta a partir daquele momento. E eu creio em Deus, creio que o Senhor olha para aquela porta e aqueles que rezam e pedem para que Ele nos ajude.

As emoções sentidas ao encontrar tantas testemunhas de sofrimento na Coréia são a oportunidade para o Papa falar dos efeitos da guerra. No abraço com as mulheres idosas sobreviventes da deportação no Japão na Segunda Guerra Mundial, o Papa Francisco revela de ter visto a dor de todo o povo coreano, dividido, humilhado, invadido e entretanto forte na sua dignidade. Daqui a advertência ao mundo: “devemos parar e pensar um pouco no nível de crueldade a que chegámos “, e depois as palavras fortes sobre a tortura, usada, diz o Papa, “nos processos judiciários e pela intelligence”:

A tortura é um pecado contra a humanidade, é um crime contra a humanidade e aos católicos eu digo: “Torturar uma pessoa é um pecado mortal, é pecado grave!” . Mas é mais: é um pecado contra a humanidade.

Solicitado pelos jornalistas, o pensamento do Papa retorna também à disponibilidade ao diálogo com o povo chinês, que define como “belo, nobre e sábio”. “A Santa Sé mantém abertos os contactos “diz Francisco que revela a vontade de realizar, inclusive imediatamente, uma viagem à China. Há também uma pergunta sobre o processo de beatificação do arcebispo de São Salvador, Monsenhor Óscar Arnulfo Romero, “desbloqueado”, explica o Papa, que exprime o augúrio e que reza, por esse “homem de Deus”, para que tudo “seja esclarecido e se proceda rapidamente”.

Finalmente as tantas curiosidades dos jornalistas sobre coisas privadas: a vida “normal” que leva em Santa Marta; as férias marcadas por um “ritmo diferente” de vida com mais leitura; mais repouso e mais música e finalmente o relacionamento com Bento XVI, um relacionamento “fraterno” feito de contínuo confronto de opiniões. A escolha que faz hoje um Papa emérito “abriu”, afirma Francisco, uma “porta que é insubstituível, mas não excepcional”:

Porque a nossa vida prolonga-se e a numa certa idade já não temos a capacidade de governar bem, porque o corpo cansa-se…, a saúde pode ser eventualmente boa, mas já sem capacidade de levar para a frente todos os problemas de um governo como o da Igreja. E eu acredito que O Papa Bento XVI fez esse gesto dos Papas eméritos. Repito: eventualmente algum teólogo poderá dizer-me que isso não é justo, mas é assim que eu penso. Os séculos dirão se é assim, ou se não é assim. Vamos ver. Mas o senhor poderia dizer-me: “E se Você um dia sentisse não poder prosseguir? Mas eu faria o mesmo! Faria o mesmo. Rezaria muito, mas faria o mesmo.