Bolha imobiliária brasileira: novo alerta

O norte-americano Robert Shiller reforça que os preços dos imóveis no Rio de Janeiro e em São Paulo subiram mais que o dobro da inflação, uma alta real excessiva

Preço alto e crédito ilimitado 

moradia de brasileiro

por Frederico Rosas

Quase um ano depois de visitar o Brasil e alertar para uma possível bolha imobiliária no país, o Nobel de Economia Robert Shiller voltou a demonstrar preocupação com os altos preços dos imóveis nas maiores cidades brasileiras. O norte-americano, que antecipou o colapso no setor nos Estados Unidos que derivou na crise mundial de 2008, diz suspeitar agora que os preços anunciados se mantêm excessivos, apresentando uma taxa de crescimento sustentada.

Em entrevista por e-mail ao EL PAÍS, Shiller faz questão de destacar em algumas de suas respostas que não é um especialista em Brasil, e que isso o impede de fazer projeções sobre o país “com confiança”. Mas ainda assim não deixa de dar as suas fortes opiniões e de mostrar conhecimento de causa.

Tomando como base os valores dos imóveis anunciados nas duas principais cidades do país, São Paulo e Rio de Janeiro, o economista norte-americano destaca a manutenção de uma taxa de crescimento bem superior à inflação e que reforça a sua observação de que os preços dos imóveis “aumentaram de forma dramática” no Brasil, feita em agosto do ano passado, durante a sua participação em um seminário da Bovespa em Campos do Jordão, no Estado de São Paulo.

O índice FipeZap apontou valorização de 13,5% nos preços de venda na cidade de São Paulo nos últimos 12 meses até fevereiro. No município do Rio de Janeiro, a alta foi de 15,2% no mesmo período. O indicador, no entanto, se baseia apenas nos preços anunciados dos imóveis, desconsiderando eventuais descontos ou acréscimos posteriores visando ao efetivo desfecho do negócio.

“A taxa de aumento foi muito constante. O índice de inflação ficou um pouco abaixo de 6%. Trata-se de uma alta real de preços na casa de 7%”, diz, referindo-se exclusivamente ao caso da capital paulista. “Suspeito que isso seja excessivo, sobretudo porque entendo que o mercado hipotecário está se desenvolvendo no Brasil e erros podem facilmente ocorrer.”

O balanço atualizado do FipeZap até março, divulgado apenas neste mês de abril, após o recebimento das respostas de Shiller pelo EL PAÍS, mostram uma levíssima desaceleração na expansão registrada no período dos últimos 12 meses. No caso paulistano, de 0,2 ponto percentual, para 13,3%; e no carioca, de 0,3 ponto percentual, para 14,9%.

Mas desde janeiro de 2008, quando o índice começou a ser medido, a cidade de São Paulo registra a fortíssima valorização de cerca de 200%, e o Rio de Janeiro, de estratosféricos 250%. Transcrevi trechos

 

habitação moradia indignados

Rescaldo do HeliPÓptero do seu Zezé

por Gilmar Crestani
tráfico cocaína coca pó

E assim Aécio Neves vai, com a cobertura dos grupos mafiomidiáticos, passando seu aspirador para limpar os trilhos de seu trenzinho eleitoral… Essa parceria não me cheira bem!

Pensando bem, Zezé Perela, Vieira da Cunha e Lasier Martins tem tudo a ver com o PDT pós Brizola: virou pó!

Se o apartamento de Zezé Perrella em Brasília falasse

 

por Kiko Nogueira

 

Zezé Perrella está novamente no noticiário, comprovando mais uma vez a tese de que tudo o que é ruim sempre pode piorar.

A Justiça Federal determinou a perda da função pública e a suspensão de seus direitos políticos por três anos. Deve pagar multa de 50 mil reais. A condenação, em primeiro grau, ocorreu nove anos depois de o Ministério Público Federal entrar com uma ação de improbidade administrativa contra ele.

Perrella cedeu o apartamento funcional a pessoas não autorizadas quando era deputado federal, entre 1999 e 2003. Outros catorze parlamentares fizeram o mesmo. O MPF do Distrito Federal pediu a Perrella o ressarcimento de quase 200 mil por prejuízos causados à União.

O imóvel, numa área nobre da capital, foi usado, durante e depois da legislatura, por assessores. Além da moradia na faixa, houve despesas de telefone, eletricidade e gás, tudo pago por você. A assessoria de Perrella declarou que a decisão é preliminar e que ele já recorreu. Só se manifestará quando houver uma decisão final.

Quem ocupava o apê de Perrella? O ex-assessor Rogério Nunes de Oliveira e, por um período mais longo, o ex-chefe de gabinete José Guilherme Cardoso.

Perrella foi derrotado na disputa ao Senado em 2002, mas as chaves do apartamento, que deveriam ter sido devolvidas no início de 2003, só chegaram em agosto de 2004. Em maio daquele ano, Cardoso deu uma entrevista ao Estado de Minas tentando explicar a situação. Ele estava, em tese, rompido com o ex-chefe por “razões políticas” desde 2002. Os dois teriam morado juntos por mais de um ano, até Perrella perder a eleição para o Senado e ir embora de Brasília. Cardoso tinha um “escritório de representação” na cidade.

Por que ele não saiu? Porque, segundo ele, ninguém pediu.“Então, eu fui ficando e nunca fui notificado. O próprio pessoal da Câmara alegou que imóvel fechado tem um desgaste maior e acumula sujeira”, disse. De acordo com a Câmara, porém, ele e Perrella receberam várias notificações para que o imóvel fosse devolvido, nunca respondidas.

Perrella afirmou, na época, que os dois haviam rompido. “Nunca mais falei com ele”, disse. “Eu não tenho qualquer responsabilidade sobre isso”. Não? De acordo com a juíza Diana Maria Wanderlei da Silva, “o réu, como ex-parlamentar federal, ao exercer, por largo período, atividade típica de legislar, presume-se que detinha conhecimento acima da média sobre a legislação regente”.

coca pó tráfico

Bolsa Família ganha o Nobel Social

bolsas

O governo não tem como não comemorar. Polêmico no Brasil, onde é alvo de ataques em razão de falhas pontuais e, também, pelo que é visto por muitos como ‘caráter assistencialista’, o programa Bolsa Família acaba de receber aquele que é considerado o prêmio Nobel da seguridade social.

Trata-se do Award for Outstanding Achievement in Social Security, concedido pela Associação Internacional de Seguridade Social. Com sede na Suíça, essa entidade foi fundada em 1927 e é reconhecida por 157 países e 330 organizações não governamentais. O grande prêmio, concedido depois de uma série de pesquisas in loco, só é concedido a cada três anos.

O Bolsa Família, que está completando 10 anos de existência no atual formato, foi considerado pela ISSA como “uma experiência excepcional e pioneira na redução da pobreza e na promoção da seguridade social”.

Em coletiva de imprensa concedida no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nesta manhã, em Brasília, a ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, afirmou que a “premiação internacional reconhece o esforço do país para construir uma rede de proteção social”.

O instituto apresentou um estudo inédito sobre o impacto da iniciativa, que completa dez anos, na economia. De acordo com Marcelo Neri, presidente do Ipea, se o Bolsa Família fosse extinto, a pobreza passaria de 3,6% para 4,9%. “É um impacto de 28% e o efeito aumenta ao longo do tempo”, afirma Neri.

Ainda segundo o estudo, apresentado por ele, “cada real gasto com o Bolsa Família impacta a desigualdade 370% mais que a previdência social” e faz a economia girar 240%. O presidente do Ipea afirmou que, comparado com outras despesas, o programa consome poucos recursos (0,5% do PIB). “Os EUA gastam 2% do PIB com programas sociais, e os países europeus ainda mais”, lembrou.

Leia a íntegra do estudo aqui.

bolsa família 3

Moradia popular. Não se faz nada que preste para o povo

Taí mais um caso de polícia. Que a justiça faz que não está vendo. Se faz de cega.

Quem vai investigar este conto do vigário? Um mil e oitocentas famílias enganadas, atraiçoadas, burladas, espoliadas, fraudadas, iludidas, lesadas, ludibriadas, trapaceadas pelos espertalhões. Tem na jogada uma cachoeira de dinheiro. Os moradores dessa geringonça, em Goiânia, estão pagando (que os governantes brasileiros não realizam nada de graça para o povo), mensalmente, o equivalente a 10% da renda familiar por um período de 10 anos.

Jardim Cerrado VII foi inaugurado há menos de um ano, mas as casas apresentam defeitos estruturais

Escreve Catherine Moraes:

Rachaduras no chão e nas paredes,  teto  do  banheiro desabado, problemas hidráulicos, elétricos e inúmeras  infiltrações. Estes são apenas alguns dos problemas sofridos pelas 1.808 famílias moradoras do Jardim Cerrado  VII,  beneficiadas  pelo programa  “Minha Casa Minha Vida”. As casas, entregues pela prefeitura  em  dezembro  de 2011, ainda não completaram um ano  já são alvo de críticas, processos e reclamação popular. Os moradores, que pagam 10% da renda pelo local, reclamam  de Estrutura  precária. Anteontem,  a  construtora Brookfield, responsável pela obra, foi autuada pelo Procon Goiás.

O conjunto habitacional é dividido  em  quadras,  sendo que cada uma delas possui vários  blocos.  Nestes,  quatro apartamentos  são  divididos em  dois  andares.  O bairro conta ainda com creches, escola e Cais, todos construídos pela Brookfield,  e,  segundo moradores, todos os projetos estão com as mesmas  falhas. Por esse motivo, eles estão se organizando em grupos para dar entrada em processos contra a construtora.

“Os apartamentos são entregues sem cerâmica no chão e eu coloquei o piso em minha sala. Agora, descobri que o meu vizinho que mora embaixo está sofrendo infiltração. O que me disseram é que vou ter de retirar minha cerâmica toda para poder solucionar o problema. Eu me mudei em 31 de dezembro e, desde então, tenho sofrido vários problemas. As escadas estão cedendo, as rachaduras são inúmeras. Precisamos de uma solução”, indigna-se a manicure Gislaine de Souza.

Impedido

Segundo Regina Célia de Oliveira, síndica do condomínio 34, a fiação elétrica é feita no chão e, com a chuva, está acumulando areia e água junto aos fios, causando mau contato na energia. O motorista Walter de Paula Ramos, 39, sofre isso na pele. Há dias, ele está impedido de  ligar todos os eletrodomésticos na tomada e por pouco não foi vítima de um incêndio.

“Eu trabalhei na empresa e afirmo: nem todos os contratados são capacitados para o serviço. A mão de obra está escassa  e muitas  construtoras contratam  pessoal  inexperiente. Além disso, não fornecem cursos. É tudo muito malfeito, rachaduras,  energia, o disjuntor, por exemplo,  fica a meio  quarteirão  da  minha casa. Quando cai a energia, preciso  ir lá  ligar de novo. É um absurdo”, reclama Walter.

Walter  reclama  ainda  de problemas de planta, como a caixa  de  esgoto que  fica  em frente às casas. “Onde o engenheiro  estava  com  a  cabeça quando fez isso? Minha janela não fecha, meu chão está completamente rachado. Não temos nenhuma segurança, não existe estética. É notória a diferença, por exemplo, de casas particulares, construídas também pela Brookfield aqui no bairro. O material é de outra qualidade, o projeto existe de verdade. Estamos pagando por essa casa, merecemos respeito. Estou cansado de reclamar e não ser atendido, não perceber nenhuma solução”, completa.

Em algumas residências, o gesso do teto do banheiro caiu, mas depois de denunciada por uma emissora de televisão, a construtora providenciou os ajustes necessários.

Acessibilidade

Ordália Borges Oliveira, de 80  anos, mora  sozinha  e,  já usuária de uma cadeira de rodas, não possui casa adaptada. De forma otimista, ela fala que desce sozinha as escadas que dão acesso à rua do condomínio. O banheiro também sem corrimão não possui  instalações adequadas para a  idosa. Ainda assim, ela diz que  “dá um
jeitinho”.

Moradias rachadas. E dinheiro rachado
Moradias rachadas. E dinheiro rachado
Prefeito Paulo Garcia (PT) na festança de inauguração
Prefeito Paulo Garcia (PT) na festança de inauguração

Desarrollismo y dependencia en Brasil

por Nildo Ourique

El desarrollismo es la religión de la periferia capitalista. Nace de la promesa del progreso para todas las clases sociales bajo el régimen del capital a escala mundial y no es sencillo escapar de su poder de seducción porque se trata de una ideología que puede, en determinadas fases, presentar cierta base material. Brasil no es una excepción. Pero no puede sostenerse de manera indefinida ni jamás cumplir la promesa de un reino de la felicidad, y mucho menos de la abundancia, en el planeta tierra. De hecho, ni siquiera puede cumplir la promesa de garantizar para las mayorías las condiciones mínimas necesarias para la reproducción digna de la vida, como bien lo demuestra la crisis estructural del sistema capitalista, particularmente intensa en los países centrales.

Es necesario identificar, en primer lugar, la base real del optimismo burgués que impulsa el “nuevo desarrollismo”. En los últimos años, y al contrario del comportamiento básico del sistema, los términos de intercambio fueron favorables a la periferia: el alza de los precios de la minería y de los productos agrícolas permitió un ingreso adicional a los países periféricos que no existía en los períodos anteriores.

Sin embargo, hay que resaltar dos aspectos decisivos. El primero es que tal fenómeno consolidó una posición notoriamente adversa de los países periféricos en la división internacional del trabajo. Se renunció a avanzar hacia las fases más importantes de la industrialización, es decir, las fases en donde se concentra la disputa científico-técnica y la multiplicación de la capacidad de producir con menor gasto de fuerza de trabajo.

Las pérdidas económico-financieras de esta renuncia son extraordinariamente más importantes que los dólares que entraron gracias a la subida de los precios de las materias primas agrícolas y minerales. Por otro lado, no existe garantía de que los precios mantengan esta tendencia al alza por mucho tiempo.

Deuda vs. programas sociales

Hay dos indicadores muy sencillos para impedir el paraíso terrenal en la periferia capitalista. El crecimiento de la deuda interna (proceso iniciado en fines de los años ochenta) es, de hecho, el fenómeno más relevante para la acumulación de capital en América Latina: todas las fracciones del capital (financiero, comercial, industrial, agrario) se benefician directamente del gran endeudamiento. En Brasil nada puede ser más expresivo de esta regla básica de la economía política burguesa: precisamente durante la fase “desarrollista”, los gobiernos de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) y Dilma Rousseff (desde 2011) han transferido miles de millones de reales de impuestos al pago de intereses de la deuda interna.

En el último año de su gobierno, Lula destinó el 40 por ciento de la recaudación fiscal a la deuda; Dilma, en su primer año, el 44 por ciento y, en el segundo, el 45,05 por ciento de toda la recaudación. El porcentaje destinado a la vivienda (principal programa del actual gobierno) recibió apenas el 0,16 por ciento de la recaudación y no se invirtió nada en 2011. Doce millones de familias se quedan sin vivienda y no hay razón para suponer que se vaya a reanudar pronto este programa. ¿Puede alguien puede creer que con semejante política económica las gravísimas cuestiones sociales del país se solucionarán?

El segundo indicador es la fuertísima explotación de la fuerza de trabajo, es decir, el hecho de que en Brasil el 76 por ciento de la población económicamente activa gana hasta tres salarios mínimos. El Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) calcula que el salario mínimo necesario es de casi 2.300 reales. Este profundo contraste impide la constitución de un mercado interno de masas, razón por la cual no pasan de ideología los discursos sobre la “nueva clase media” brasileña. Ningún intelectual o periodista de los que todos los días publican textos sobre este supuesto nuevo fenómeno estaría dispuesto a sumarse a la “nueva clase media”.

Estabilidad y pacto de clases

Es necesario entender que la estabilidad de los gobiernos de Lula da Silva y Dilma Rousseff es producto del pacto de clases que sostienen los gobiernos de la República desde 1994, es decir, del pacto que mantuvo ya Fernando Henrique Cardoso. De hecho, el llamado Plan Real (1994- 1998) no solamente dio la victoria electoral a Cardoso frente a Lula ya en la primera vuelta de los comicios presidenciales, sino que estableció el nuevo pacto de clases que gobierna el país desde entonces.

La “magia” de Lula después de dos derrotas de Cardoso consiste, precisamente, en adoptar como programa del Partido dos Trabalhadores (PT) y sus aliados las directrices de política económica emanadas de aquel pacto. Agregó, obviamente, la “dimensión social”, es decir, la legitimidad de Lula, del PT y de las organizaciones sociales que lucharon durante más de una década en contra de la política neoliberal. Es necesario decir que Cardoso (su candidato era José Serra) no tenía posibilidad de vencer a Lula en 2002 porque el programa de privatizaciones, de endeudamiento del Estado, de apertura de la economía nacional al capital internacional y de la llamada “precarización de la fuerza de trabajo” ya estaba completo. El desgaste político y social del programa del grande capital era enorme y Lula vencería los comicios incluso sin hacer concesiones estratégicas a las clases que formaban el pacto de 1994.

Cuando Lula asumió aquel programa y tuvo a su favor los vientos favorables de la economía mundial capitalista pre-crisis, fue posible incluir bajo “control electoral” a amplios sectores sociales, que recibieron migajas en la forma de programas sociales más o menos amplios y consistentes. Así, Lula incorporó al pacto a los sectores sociales “desorganizados”, es decir, a la amplia masa de trabajadores y trabajadoras. En definitiva, Lula prestó la legitimidad de la “cuestión social” a la política del gran capital. Los precios favorables de las exportaciones permitieron que algo del gran festín burgués también llegara a la mesa de las clases bajas. Admitir esta mejoría relativa no significa reconocer que los cambios estructurales estén finalmente a la vuelta de la esquina como insiste el neodesarrollismo y sus defensores.

Dictaduras, “necesidad histórica”

En los dos casos históricos (el viejo y el nuevo desarrollismo) hay dos obstáculos insuperables para una economía periférica: enfrentar el tema de la soberanía nacional, por una parte, y la llamada “cuestión social”, por otra. Estos límites estructurales no impiden el apoyo o la simpatía hacia medidas económicas y sociales orientadas a combatir la pobreza extrema y la indigencia, pero tampoco pueden ocultar que nunca los dueños del poder acumularon tanta riqueza como en la actualidad.

Poco a poco, las clases bajas descubren en América Latina que el recurso a las dictaduras fue una necesidad histórica de las clases dominantes cuando el nivel de conciencia y las protestas crecieron hasta poner el orden dominante en jaque. Descubren, también, que las democracias pueden ser tan útiles como sistema de dominación para las clases dominantes como en su tiempo lo fueron las dictaduras.

(Transcrevi trechos)