Tratado geral das lamas

por Laerte Braga

Na década de 60 o escritor e teatrólogo Guilherme Figueiredo lançou o TRATADO GERAL DOS CHATOS. Uma preciosa digressão sobre os vários tipos de chatos existentes e por isso mesmo sucesso imediato. A guisa de explicação Guilherme Figueiredo era irmão do presidente João (rima) e naquele momento que escreveu o livro, comunista. Autor também de A RAPOSA E AS UVAS, peça que ficou um ano em cartas num teatro em Moscou.

Que venha urgentes um TRATADO GERAL DE LAMAS. Que mostre as mais variadas espécies de lamas que se derramam sobre o Brasil e levam de roldão desde o País, a brasileiros inocentes, como no caso da SAMARCO/VALE/BPH. Ou as PMs em sua faina diária de matar, tiro ao alvo em negros que estejam em carros brancos, por puro tédio e talvez uma questão de estatística, quem mata mais?

E talvez convocar Marina da Silva (não falo, não vejo, não ouço) para emitir seu parecer sobre lamas, numa coletiva com um painel do ITAU e da VALE ao fundo, compondo o cenário.

A lama da SAMARCO/VALE/BPH matou um rio, destruiu cidades, levou História, pessoas, no que é considerado por especialistas o quinto maior desastre ecológico dos nossos tempos. Liquidou e continua liquidando a perspectiva de qualquer espécie de vida numa região que abrange dois estados, Minas Gerais e o Espírito Santo.

Não houve uma intervenção decisiva do governo federal e tampouco do estadual. A VALE é uma das maiores acionistas do Estado brasileiro. Todos os implicados continuam soltos. Há cerca de uns seis meses, mais ou menos, um vereador da cidade mineira de Juiz de Fora e seu companheiro de pescaria e caça, foram presos por matar duas capivaras. Custou o mandado de sua excelência, que não era mesmo grande coisa.

A lama Eduardo Cunha, que traz consigo a praga evangélica, disseminada por todo o Brasil e também engolida (ou bebida?) pelo governo nos acordos espúrios para evitar o impeachment de Dilma Roussef. Passeia impávida a chantagem por Brasília e outros quintais na busca desesperada e cretina da sobrevivência. É incrível que Rodrigo Janot, dito Procurador Geral da República, tenha pedido a prisão preventiva de Delcídio Amaral, senador e líder do governo na chamada Câmara Alta, deixando de fazer idêntico pedido em relação a Eduardo Cunha, pelo mesmo motivo. Atrapalhar e prejudicar o andamento das investigações sobre suas falcatruas.

A lama tucana no desespero de entregar o pré-sal e receber o combinado pelos serviços prestados, num embrulho que quando se liga as pontas, múltiplas, percebe-se que todos estão no mesmo pacote. Já a lama branca dos 450 quilos de cocaína num helicóptero do senador José Perrela e que se reabasteceu no aeroporto do tio do senador Aécio Neves, essa sumiu. Aécio continua sonhando acordado e dormindo com a faixa presidencial.

A lama Lava Jato, objeto de comentários de um jornal inglês, o SUNDAY TIMES, sobre o fora da lei Sérgio Moro, juiz que preside o inquérito e monta uma espécie de Estado Islâmico no Brasil, numa faixa de terra do Paraná.

De positivo mesmo só a lei Requião (existem senadores e deputados sérios) que abre o direito de resposta às mentiras constantes e criadas pela mídia de mercado, GLOBO à frente. A partir de agora, bateu sem provas e o grande alvo tem sido Lula, vai ter o levou.

Um TRATADO GERAL DAS LAMAS é de extrema importância para o Brasil, do contrário o número de zumbis vai crescer e o mal se tornar irreversível.

Ah! Um outro dado positivo. Estudantes paulistas ocupam escolas que o governador Geraldo Alckmin quer fechar com sua política educacional. Tudo indica que nasce uma geração capaz de enfrentar as lamas que teimam em escorrer pelos furos do poder e pela incúria da iniciativa privada.

Documentos mostram ligação de corrupção entre o governo de Aécio Neves e a mineradora Samarco

Por Joaquim de Carvalho, no DCM

O lobista Nílton Monteiro pronúncia “craro” quando quer dizer “claro” e sua imagem é a de uma pessoa de quem não se compraria um carro. O delegado de polícia Márcio Nabak, por sua vez, tem a imagem de um burocrata bem sucedido e em fotos da internet aparece sempre alinhado.
O caminho dos dois se cruzou no escândalo da Lista de Furnas e aí as imagens se invertem. Com seu jeito desalinhado e vocabulário simples, Nílton prova o que diz. Já o homem da lei Nabak diz – e até prende com base no que diz -, mas não conseguiu provar suas acusações.

Em 2005, a Samarco Mineradora S.A., uma das empresas que aparecem como doadoras de recursos ilícitos para campanhas de políticos do PSDB e de seus aliados, acusou Nílton Monteiro de falsificar documentos que a incriminavam. Eram casos de corrupção, todos no Espírito Santo, mas a empresa formalizou a acusação em Belo Horizonte, onde fica sua sede da Samarco.

Em resumo, Nílton teria inventado contratos para cobrar indevidamente comissão pela venda de créditos de ICMS da Samarco para a empresa de energia do Espírito Santo (Escelsa). Segundo a acusação, teria também forjado recibos para comprovar que seu antigo advogado, Joaquim Engler Filho, havia se vendido para a Samarco.

O inquérito até hoje não terminou. Mas em 2010, cinco anos depois da acusação da Samarco, o delegado João Octacílio Silva Neto, que assumiu o inquérito no curso da investigação, descobriu, com base em perícias, que as provas de Nílton não eram falsas.

O delegado chamou Joaquim Engler para depor e este, que já respondia a uma acusação no Tribunal de Ética da OAB, confessou que recebeu R$ 1,1 milhão da Samarco para prejudicar o cliente e repassar propina para diretores da Samarco, um juiz de direito da comarca de Anchieta, no Espírito Santo, um ministro do STJ e um desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, todos que haviam decidido favoravelmente à empresa.

Joaquim Engler confirma que gravou conversas com autoridades de Minas Gerais, na época do governo Aécio Neves, e cita algumas das descobertas, como uma conta do senador Zezé Perrella no exterior, com um secretário de Aécio Neves.

Esse depoimento daria um novo rumo às investigações, mas, no dia seguinte, quando o advogado pediu numa cópia da íntegra de seu interrogatório, a Polícia Civil transferiu o delegado João Octacílio para um município do interior do Estado, e nomeou para seu posto, na chefia de um departamento policial, Márcio Nabak.

Depois disso, o inquérito desapareceu e o cerco a Nílton Monteiro se fechou. Ele acabou preso e hoje acusa a equipe de Márcio Nabak de tê-lo torturado. O advogado Joaquim Engler cedeu partes do inquérito que tinha com ele, para remontagem do processo, mas nesse conjunto não estão as páginas de seu depoimento.

Márcio Nabak indiciou Nílton por falsificação, mas Nílton não foi condenado, por falta de provas. A acusação foi parar na imprensa e Nílton, apresentado como falsário que negociava até títulos falsos da dívida pública. Também não houve comprovação.

Não escaparam do cerco policial o advogado de Nílton, Dino Miraglia, que teve a casa invadida, o dono do site que divulgava as denúncias de Nílton foi preso e o jornalista que editava as reportagem, Geraldo Elísio, teve o mesmo destino do advogado: a polícia revirou sua casa.

O depoimento bombástico do advogado Joaquim Engler reapareceu de forma oficial há cerca de um mês, quando, por decisão judicial, o delegado João Octacílio prestou depoimento e confirmou que ouviu o advogado formalmente, como parte do inquérito.

Procurei o advogado Joaquim Engler. Ele diz que o depoimento atribuído a ele é falso. Teria sido forjado pelo escrivão Nélson Silva. Mas, se era falso, por que o inquérito parou depois que desapareceu? Se esse depoimento é falso, cadê o verdadeiro?

Ao ser ouvido por carta precatória há cerca de um mês, o delegado João Octacílio afirmou também que, além de ouvir Joaquim Engler, tinha lembrança de que, embora Nílton Monteiro fosse acusado de falsificação, ele “sempre colaborava com as investigações apresentando documentos e provas das alegações”. A íntegra do depoimento do delegado também acompanha esta reportagem.

Tanto o depoimento de João Octacílio como o antigo depoimento do advogado foram juntados num processo judicial em que o advogado Dino Miraglia se defende da acusação de ter sido cúmplice de Nílton Monteiro no crime de falsificação de documentos. Pelo que se está demonstrando, nem houve falsificação. Se não houve, haveria cumplicidade?

Lendo o inquérito que agora ressurge na íntegra, tem-se a imagem do desastre de Mariana. Num primeiro momento, a lama fica contida, mas, depois, por uma falha da segurança, a barreira se rompe e a lama escorre além das divisas de Minas Gerais.

O inquérito começa como uma tentativa de isolar o lobista Nílton (segurar a lama), que havia provocado um estrago enorme na política do Espírito Santo, com as denúncias de corrupção na venda dos créditos a Escelsa.

Mas, por razões ainda não muito claras, o advogado que o acusava de falsificação mudou de lado (outra vez), assumiu crimes e fez outras acusações. A lama se espalhou, mas evitou-se o desastre (político) com a troca do delegado que poderia seguir o rastro da sujeira e a prisão do lobista, do empresário, do jornalista e do advogado.

Numa das muitas manifestações judiciais que fez contra o abuso de poder da polícia civil no governo de Aécio Neves/Antônio Anastasia, o advogado Dino Miraglia usou uma frase de Martin Luther King, líder do movimento negro pelos direitos civis nos Estados Unidos, na década de 60: “Devemos construir diques da coragem para conter a correnteza do medo.”

Em Minas Gerais, alguma coisa mudou. Márcio Nabak deixou postos de comando na Polícia Civil, e o inquérito em que a Samarco passou de acusadora a acusada pode, enfim, ser retomado, com a recuperação do depoimento do advogado Joaquim Engler Filho. Quem acredita? No caso no caso da Lista de Furnas e do mensalão mineiro, as provas gritam, mas as autoridades silenciam.

No Recife, em tempos de crise, nem a tradicional elite se entende mais

Separada de Lavareda, empresária sofre assédio moral e é vítima de difamação por suposta traição

por Flávio Chaves

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carla_bensoussan_e_antonio_lavareda

Bem sucedida empresária no ramo de eventos, no Recife, a produtora Carla Bensoussan, tem sido alvos de ataques de cunho machistas e difamatórios pela internet. Depois de anunciar sua separação do marqueteiro Antônio Lavareda, a proprietária da Lead Comunicação, começou a ser atacada nas redes sociais por amigos do seu ex-marido, com adjetivos como “vaca” e “prostituta”.O blog teve acesso, com exclusividade. aos comentários feitos pelo assessor do marqueteiro, Geraldo Cisneiros, com ofensas pesadas e afirmando que “ela deu pra todo mundo na cidade”. Cisneiros também acusa, Antonio Lavareda, ex-marido de Carla de “traidor”, já que o mesmo teria se envolvido com sua ex-mulher e estaria o traindo as escondidas.

Gera Cisneiros

Segundo” tititi” nas rodas sociais, a separação teria se dado por problemas de traição envolvendo os dois casais que frequentam as colunas sociais da cidade e eram bastante amigos. Lavareda ‘teria” tido um “caso” com a mulher de Cisneiros, Poliana Cisneiros e essa teria sido o principal motivo da separação que caiu como uma “bomba” na high society pernambucana. O também ex assessor de Sergio Guerra (PSDB) e assessor do Banco Gerador ( de propriedade de Lavareda) , acusa Carla de ter “inventado” a história para provocar uma separação milionária por conta de um contrato pré nupcial. E insinua que Carla também teria traído Lavareda com um tal de “André”, que é citado no texto, que aponta ainda para uma pessoa de nome, Tania, que seria “sapatão” e agenciaria mulheres. A empresária também é chamada de “vagabunda”.

No print que o blog teve acesso ( e que já foi apagado nas redes sociais mas circula por toda rede) Cisneiros combina com Ana Venina – outra amiga de Lavareda – uma forma de “esculhambar” a imagem da empresária por toda a cidade.”Se eu for colocar aqui a lista de machos que já comeu essa vagabunda vai dar para emendar a BR 232 de pica”, numa linguagem chula que tem provocado reações de perplexidades nos grupos de defensores da mulher. “Isso é um acinte e uma discriminação contra a mulher que tem o direito de seguir o seu caminho e de se separar. É tipo dor de corno de ex marido traído” disse Amanda Torres do Coletivo Feminista da Bahia. Em outra mensagem endereçada a publicitária Ana Venina, figura também carimbada nos eventos sociais da cidade, Geraldo Cisneiros não poupa nem a mãe de Carla Bensoussan. Segundo Geraldo Cisneiros, ela tinha “o mesmo DNA da filha” e teria “quebrado vários empresários da cidade” na década de 70. “Quero que ela e o ex marido (Lavareda) vá para puta que o pariu com toda raça deles que viveu esses anos de putaria”.

Ana Venida

A empresária, vítima das agressões, viveu por sete anos com o empresário e o casal, além dos negócios vultuosos que mantem com o Governo do Estado e a Prefeitura do Recife, era conhecido pelas” festas de arromba” que davam na cobertura do seu edifício , na Avenida Boa Viagem, e pelo tradicional almoço no domingo de carnaval frequentado por políticos e empresários da cidade. Pouco depois do seu quarto casamento, Antonio Lavareda, adquiriu por uma quantia milionária, a empresa Level Comunicação do irmão dela, Renê Besoussan, que depois transformou-se na Black Ninja, que teve como um dos sócios, o publicitário baiano Duda Mendonça Tanto Lavareda, quanto Geraldo Cisneiros, respondem a um inquérito na Polícia Federal na chamada “Operação Mar de Lama” que envolveu o dono do Ipespe e também da MCI em um esquema de credito consignado feito pelo Banco Gerador, também de sua propriedade. Ambos trabalharam por vários anos para o PFL e o PSDB nacional e estão, agora, por motivos óbvios, rompidos por conta da traição que teria sido descoberta pela empresária. “Na verdade, ela também sempre foi muito afoita e carreirista pois só se envolve com homens com dinheiro”, diz uma publicitária que falou em off. O Blog deixou recado para os envolvidos mas até agora não obteve retorno. No Recife, em tempos de crise, nem a tradicional elite se entende mais. [Transcrevi do blogue do jornalista, escritor e poeta Flávio Chaves]