Os governadores e a degeneração da música brasileira

Não entendo o fascínio dos governadores e prefeitos, notadamente de

Governador Eduardo Campos e Cláudia Leitte
Governador Eduardo Campos e Cláudia Leitte

Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Ceará, por Ivete Sangalo, e o pagamento de cachês amplificados de cantores bregas, e estilizadas e descaracterizadas músicas de origem negra dos Estados Unidos e África hodierna.

Eis que aparece nesta lista Claudia Leitte. Escreve Rafael Albuquerque: “Pouca gente sabe da recente falta de elegância da artista em encontro com Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco, pediu um título de cidadania: ‘Quero ser cidadã pernambucana’, declarou rindo. O governador, desconcertado, de pronto deu um jeito de atender ao pedido da fluminense. Como o único representante do Legislativo presente na reunião era o líder do governo, Waldemar Borges, coube a ele a missão de encaminhar um projeto de resolução”. Não sei se o deputado protocolou o pedido de cidadania.

Seria consolidar a banalização do título. Que, em 5 de agosto de 2002, foi concedido a Ivete Sangalo.

Que fez Ivete Sangalo, além da degeneração da Música Popular Brasileira (MPB)? Degeneração que o crítico Rafael Teodoro chama de MIB – Música Imbecil Brasileira.

Escreve Rafael Teodoro: “Ivete Sangalo merece uma atenção especial. Originalmente vocalista da Banda Eva, seguiu o caminho para o qual todo ‘artista’ de axé está direcionado: a carreira solo. Sangalo soube aproveitar como ninguém a catapulta. Carismática e muito bem assessorada, ela sabia que seu repertório grotesco não a sustentaria mais do que alguns verões fora de Salvador. Assim, tratou de cultivar uma imagem que a projetasse como cantora para além da axé music, que principiava a agonizar nas vendas das gravadoras. Hoje, contando com o apoio de quase toda a mass media brasileira, que a tem por ‘grande cantora’, é empurrada ‘goela abaixo’ do público pela televisão, que lhe dá um espaço imenso nos principais canais abertos, sem contar os sucessivos apelos propagandísticos. Mas nem toda a máquina publicitária pode esconder a péssima qualidade do seu repertório, que não resiste a um exame qualitativo mais minucioso. ‘Carro velho’, sucesso comercial na sua voz, revela bem o quão criativa é a leitura de mundo da cantora: ‘Cheiro de pneu queimado. Carburador furado. Coração dilacerado. Quero meu negão do lado. Cabelo penteado. No meu carro envenenado. Eu vou, eu vou, então venha. Pois eu sei. Que amar a pé, amor. É lenha’.

Nos anos 2000, no entanto, a axé music entrou em colapso no mercado. Os carnavais fora de época (micaretas) foram aos poucos desaparecendo pela perda crescente de público. Os grupos ‘clássicos’ do período deixaram de existir não por brigas de seus integrantes, mas pela simples falta de shows. O mercado usou e abusou da axé music enquanto era lucrativa. Quando deixou de sê-lo, descartou-a, substituída que foi, nas rádios comerciais, pelo forró universitário e pelo funk carioca (cuja nomenclatura correta é ‘batidão’). Nem mesmo o movimento da ‘suingueira’, capitaneado por ‘pérolas’ do nível de ‘Re­bolation’, associado a um amplo apelo midiático que tem por diretriz espicaçar os ‘sucessos do carnaval’, conseguiu ressuscitar o declínio inexorável daquele gênero musical moribundo”. Continue lendo.

Há um complô – o Projeto Camelot – das redes de televisão, criadas pela ditadura militar de 64 – contra a Cultura brasileira. Um projeto de desnacionalização, que beneficia a indústria de cultura de massa globalizada. Uma internacionalização que envolve a editoração de livros, a desvalorização dos autores brasileiros; o cinema, pela reserva de mercado para o cinema estadunidense. E assim vai. Todo processo de colonização, desde as conquistas do Império Romano, começa pela cultura. A construção do Templo de Jerusalém, por Herodes, o Grande, provocou a divisão religiosa dos judeus.

Não sei bem a motivação de governadores e prefeitos pelas cantoras brancas do MIB. Talvez os cachês pagos.  A procuradora do Recife Noélia Brito ingressou com pedidos no Tribunal de Contas de Pernambuco e na Promotoria Pública, questionando os gastos da Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes com o show de Cláudia Leitte. Leia. É uma excelente, exemplar e pioneira denúncia.

Na Universidade Livre, Noélia Brito participou de um debate sobre a MPB,  com os jornalistas Ricardo Antunes, Antonio Nelson e Lúcia Helena Valle, cujas opiniões transcrevo, nos trechos acordados. Vou chamar de texto coletivo, e para maior autenticidade deixo o verbo na primeira pessoa e não faço distinção de gênero:

Divas da música brasileira… onde se encaixa Ivete?

Ivete Sangalo em Ipojuca, o segundo maior PIB de Pernambuco depois do Recife
Ivete Sangalo em Ipojuca, o segundo maior PIB de Pernambuco depois do Recife

“Diva… cantora… intérprete… Cada uma das palavras aqui tem sua força, quando falamos em música.  E não há como pensar em grandes interpretações – imortalizadas pelas grandes vozes que cravaram nas canções sua marca indelével – sem pensar em seus intérpretes… Quem consegue ouvir ‘Como Nossos Pais’ sem, de algum modo, lembrar-se de Elis Regina? Ou, como esquecer a releitura de Marisa Monte em Luiz Gonzaga, cantando-o como Blues, em ‘Xote das Meninas’?

Aqui, não vai nenhuma crítica ou azedume explícito direcionado à tal senhora do título deste artigo: Ivete Sangalo. Até porque eu gostaria muitíssimo de ter o que criticar: Ivete canta em tons muito altos… Seu repertório traz elementos ecléticos de mais (ou de menos)… sua postura em apresentações precisa ser revista… e por aí vai. Mas, como criticar uma arquiteta por má prática da medicina? Ou, como criticar uma animadora de palco por ser uma cantora medíocre? Não dá. Ela precisaria desenvolver ainda outras tantas habilidades que não possui, tadinha. Para que eu pudesse criticá-la como cantora.

Na atual cultura musical, basta ser amigo do Faustão para ser ‘canonizado’ cantor e intérprete. Ou do Luciano Huck. Pronto: virou ‘intocável’. A questão é: onde fica TODO aquele legado deixado por Elis, Maysa, Nara Leão [A Divina, Elizeth Cardoso] , enfim, simplesmente esquecer que já tivemos legítimos representantes de nossa cultura, rica em diversidade, sons, arranjos, cores e jeitos? Não, meus senhores, obrigada: vocês me violentam obrigando-me a ouvir interpretações tão vazias como a cabeça dessa senhora.

Exemplo? Ah, bem, vamos lá. O que dizer da obra-prima: ‘Que vai rolar a festa/ Vai rolar!/ O povo do gueto/ Mandou avisar…’  Lindo, né? Desde que a galera do ‘gueto’ fique lá mesmo, viu, ‘zifio’? As letras são racistas, colocando o ‘povão’ no seu devido lugar, perpetuando uma cultura escravocrata de mentalidade colonial que ainda – e assombrosamente – teima em existir em um país de mestiços.

A interpretação de Ivete é menos que medíocre. Nunca vi ninguém que vai a seu show  dizer: ‘mas ela canta muito! Trouxe arranjos diferentes, interpretou magistralmente!’. Já vi muita gente comentar: sua ‘energia’,  ‘presença de palco’ e  ‘animação’. Até onde sei, essas não são qualidades necessárias a uma grande intérprete da música. Toda essa ‘energia, traz o que, em termos de música? Nada. E, como ouvintes idiotizados de sua música, prosseguimos com ela. Uma legião.

Então entra a galera da ‘éducassão’ pra clamar pela falta dela. Mas, se nossas ‘divas da música’ atacam políticos do alto de seus trios elétricos, e se dirigem a eles com uma linguagem própria de qualquer profissional da estiva, e se sagram el máximo, como exigir desse público um comportamento diferenciado? Infelizmente, a idiotização dessa parte da população chega mais rápido quando fomentada por Ivetes Sangalo da vida”.

 Um pedido de beijo na boca do prefeito

Cartazete na internet
Cartazete na internet

Claudia Leitte pede um título de cidadania para Eduardo Campos. Ivete Sangalo, um beijo do prefeito de Salvador.

Narra a Folha de S. Paulo: “Ao passar pelo camarote da Prefeitura de Salvador, a cantora Ivete Sangalo constrangeu o prefeito ACM Neto (DEM) nesta terça-feira (12).

A cantora interrompeu a música que cantava e brincou com o político, pai de duas meninas –de cinco e dois anos– e solteiro desde o fim de 2011.

‘Que moça bonita, Neto, parece a Carla Bruni. Como é seu nome? Para a gente ficar logo amiga e você me jogar na comitiva…’, disse a cantora.

‘Neto, deixe eu lhe dizer uma coisa: não é porque eu sou cantora que não faço xixi, não é porque você é prefeito que não vai ser miseravão [gíria baiana para namorador]. Quero ver um pitoco. Se quiser de língua, também pode’, disse Ivete, antes de puxar o coro: ‘Beija, beija’.

O prefeito gesticulava que não e sorria enquanto a multidão gritava.

‘Não adianta, prefeito, eu só vou sair daqui quando você beijar. Esse homem sempre foi tímido’, disse Ivete.

O pedido, porém, não foi aceito, e a cantora teve de seguir adiante.”

Esse “ataque político”, de Ivete, ao invadir o camarote do prefeito, demonstra que perdeu o censo ao comparar, em uma ensolarada tarde de Salvador, uma menina de cinco anos com Carla Bruni, ex-primeira dama da França, e pedir um beijo de língua para uma pai, na frente das filhas crianças. Esse pode tudo das “divas” não tem lógica, além da ostentação de novas ricas. A soma do sucesso passageiro + dinheiro.

Volto a repetir: insondável o rasga dinheiro do povo, pela secretárias estaduais de Cultura, na desmoralização da música brasileira, com o apoio da Tv Globo que, para Flávio Ricco, faz o mesmo com as novelas.

“Ninguém exige das novelas perfeição absoluta em todos os detalhes. Determinadas coisas podem perfeitamente passar batido, sem incomodar quem quer que seja, até os mais exigentes. O que não se deve é subestimar a inteligência do público ou não calcular o estrago que o uso errado das palavras pode causar na vida de muitas pessoas. É preciso tomar muito cuidado com isso”, analisa Ricco, que demonstra o papel nocivo da televisão:

“É uma situação semelhante ao ‘vareia‘ do Renato Aragão, de há muitos anos, que de tanto ele usar virou vício para tristeza das nossas escolas e dos seus educadores. A televisão, como agora está fazendo, só tratou de espalhar o que não deveria.

Por que não evitar essas coisas? Vale lembrar aos nossos autores que existem zilhões de situações que podem ser engraçados nas novelas ou programas. Falar e ensinar errado, com toda certeza, não precisa ser incluída no meio delas”.

A idiotice musical vai longe. Tanto que ninguém reclama quando um cantor brega esconde o nome do letrista e do compositor de um música comercial.

Outra faceta –  costumeiro abuso capitalista:  comprar uma letra e/ou uma composição, e registrar como criação de autoria de algum interprete.

Na música clássica e popular, a poesia foi musicada por imortais compositores. São raros os nomes de cantores que a história registra.  O primeiro aparelho capaz de gravar e reproduzir sons foi inventado em 1877, por Thomas Edson.

Excelentes compositores e letristas existem, no anonimato, e não são os responsáveis pela degeneração da música brasileira. É que a música como espetáculo, indústria – um fenômeno mundial -, sucesso descartável de uma Madona, de uma Ivete Sangalo, visa ser “eterna enquanto dure nas paradas”. 

Ceará

A vida um sonho

por Talis Andrade

Beatriz Brasil, como Diana do Pastoril, fotografada por Herbert Loureiro, in revista Gaciliano
Beatriz Brasil, como Diana do Pastoril, fotografada por Herbert Loureiro, in revista Gaciliano

3

A vida um sonho

um tempo encantado

o feitiço da namorada

no vestido encarnado

de mestra do pastoril

a cantar a vinda

do Menino Jesus

que veio ao mundo

para nos salvar

 

 

O cuidado dos pais

que iam à missa

todos os domingos

as roupas engomadas

as consciências leves

dos pecados lavados

no confessionário

As brincantes do pastoril, Galeria Roberto Medeiros
As brincantes do pastoril, Galeria Roberto Medeiros

Trecho do poema Esquife Encarnado, que deu nome ao livro publicado em 1957, pela editora A Tribuna, Recife

As luzes que apagam [Decoração natalina]

 

por Priscila Krause*

No Império Romano, os mandatários dos tempos entre o antes e o depois de Cristo conquistavam o apoio popular por meio da distribuição de cereais à base de trigo e da frequente realização de eventos com o objetivo de distrair a população. Era o tempo da construção de grandes arenas, promoção de suntuosos espetáculos, da famosa política do panem et circenses (pão e circo). Com os cofres públicos abarrotados e o desejo da conquista fácil e rápida em busca da aprovação aos seus atos, os governos, a qualquer sinal de crise, lançavam mão de artifícios assim. Estava mantida a ordem “e la nave va”…

Corta: Recife, 2013. A Prefeitura, por meio da Fundação de Cultura Cidade do Recife, contrata a decoração natalina da cidade (elementos decorativos e iluminação) pela bagatela de R$ 5,8 milhões, a mais cara da nossa história. No período de um mês, a municipalidade gastará, diariamente, algo em torno de R$ 187 mil para maquiar, à Noel, restritos recantos da capital pernambucana. O valor inclui até uma árvore de vinte metros de altura, às margens do Capibaribe (aquele pobre “Cão sem plumas” do poeta João Cabral) por absurdos R$ 793 mil. O ornamento conta com lâmpadas importadas, gravuras de passarinhos e leques. Muita luz e cor. Mas por que não correr atrás de patrocínios da iniciativa privada, como ocorre no Rio de Janeiro?

Ainda o Recife. Enquanto montava-se a luxuosa árvore e outros apetrechos natalinos cidade afora, votávamos na Câmara do Recife o projeto da Lei Orçamentária Anual 2014. Por decisão do Executivo e nada mais, quaisquer emendas que alterassem os rumos da peça sugerida pelo prefeito cairia fora. Foi assim com sugestão minha que transferia R$ 8 milhões da realização de shows e eventos por parte da Fundação de Cultura para a restauração do Teatro do Parque, joia arquitetônica e cultural da nossa cidade prestes a completar seu centenário, em 2015.

Na peça orçamentária aprovada, dos quase R$ 79 milhões previstos para a Fundação de Cultura no ano que vem, R$ 52 milhões serão gastos com eventos (shows e decorações) para o Carnaval, São João e Natal, enquanto a política em torno da restauração, preservação e aquisição de bens culturais para equipamentos sob a responsabilidade da Fundação (entre elas o Teatro do Parque) ficou com restritos R$ 6 milhões. Numa das justificativas para o veto, chegou-se registrar que os recursos para a restauração do Parque poderiam ser fruto de um convênio federal. Se fosse tão simples e fácil captar de Brasília, o Parque não estaria abandonado desde 2010.

Parque 1

O governo inverte as prioridades. Trata o supérfluo como política de estado e o inverso, o prioritário, como necessidade de terceira ordem. Entre o tempo do “pão e circo” e a atualidade dos panetones, shows e decorações milionárias, há diferenças: redes sociais, participação, democracia, opinião pública vigilante. Ainda assim, no abrir das cortinas de 2014, tudo estará como antes. O Teatro do Parque de portas fechadas e os impostos pagos por cada um de nós mais uma vez rarefeitos no lúdico das luzes do Natal que se foi.

P.S.: Governo acaba de rejeitar emenda de minha autoria que diminui recursos para shows e eventos (e decorações natalinas...) de R$ 52 milhões para R$ 44 mi, em 2014, em prol da restauração do Teatro do Parque. Joia arquitetônica e cultural da cidade teria sua restauração garantida no próximo ano com R$ 8 milhões de recursos municipais. Em 2015, Teatro completa 100 anos. Fica o registro da tentativa
P.S.: Governo acaba de rejeitar emenda de minha autoria que diminui recursos para shows e eventos (e decorações natalinas…) de R$ 52 milhões para R$ 44 mi, em 2014, em prol da restauração do Teatro do Parque. Joia arquitetônica e cultural da cidade teria sua restauração garantida no próximo ano com R$ 8 milhões de recursos municipais. Em 2015, Teatro completa 100 anos. Fica o registro da tentativa

Árvore-de-Natal 1

A árvore de Natal do Cais da Alfândega, montada pela Prefeitura do Recife, custará R$ 793 mil aos cofres públicos, valor 34% superior ao contratado no ano passado. Através de processo licitatório (três empresas participaram do certame), a Fundação de Cultura Cidade do Recife contratou a mesma empresa responsável pela montagem em 2012, a Edson Lira Iluminação Ltda.. Em 2012, o objeto de decoração natalina foi contratado através de dispensa de licitação ao custo de R$ 590 mil. Na oportunidade, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) instaurou auditoria especial para averiguar a regularidade da contratação. Na época, o preço da decoração foi fortemente criticado nas redes sociais.

Mais cara, a árvore deste ano será montada em base metálica com 20 metros de altura – no ano passado, o objetivo alcançou 25 metros. Em 2010, a árvore (montada pelo consórcio Lixiki/Blachere, também contratado sem licitação) foi a mais alta: 36 metros. Posicionado sobre base composta por pallets de madeira, o objeto decorativo deste ano será iluminada por strobos e decorada por dezenas de pássaros e flores nas cores azul, amarelo e vermelho, conforme projeto contratado pela PCR à empresa “Mão Livre”, que por R$ 225 mil elaborou o conceito de decoração e iluminação para o ciclo natalino PCR/2013.

Árvore-de-Natal-PCR-2

*Priscila Krause é jornalista e vereadora do Recife pelo Democratas

AINDA A DECORAÇÃO NATALINA
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 Escreve Edson Lima: Depois do Parque das Esculturas, cuja inspiração fálica culminou até em invasão de redação de jornal por um certo prefeito, Brennand ataca de novo, agora na decoração de Natal do Recife. A cidade está “enfalecida”…
paisagem fálica
PROTESTO EM OLINDA

Decoração natalina com papel higiênico em Olinda

El “incorrecto” John Lennon

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Octavio Fraga Guerra

Cuando leo el texto del tema: Imagine (de las más conocidas del ex Beatles John Lennon) “encuentro todo” lo que necesita el mundo. Por supuesto que esta afirmación es una metáfora en torno a un ideal de sociedad.

Esta visión ética, humanista y filosófica de Lennon se contrapone contra los que hoy anulan los procesos de cambio a favor del mejoramiento del ser humano. Son los que declaran la guerra en nombre de la seguridad nacional e invocan a la “comunidad internacional” a participar en escaladas que saben a muerte, que transita por un largo pasillo que tiene su final inalterable en el principio, como un ciclo que se repite sin cesar. Son los autores intelectuales de guerras fratricidas por la posesión del venerado petróleo, donde centenares, miles e incluso millones de personas inocentes mueren y que justifican (de manera cínica) como daños colaterales.

Son los mismos que hablan de acabar con el terrorismo y se atribuyen el derecho de conformar una lista de países que “forman parte del eje del mal o países que apoyan el terrorismo” y en sus trasteros desperdigados por el mundo, siguen cosechando bases militares que laceran la integridad de las naciones. No nos podemos olvidar de los campos de concentración -públicos o secretos- donde la tortura, la humillación, el encierro indefinido es la tónica de la “justicia” de los que se creen dueños de este planeta, como si de la peste se tratara y no de personas con derechos reconocidos universalmente.

Estos mismos, son los que “dialogan” exhibiendo lustrosas corbatas de marca en las grandes convenciones internacionales, brindan por “sus éxitos” con una copa de cristal edulcorado, se hacen la foto y toman decisiones alejadas de la realidad social en la que solo salen favorecidas, las grandes empresas de estatura internacional, (que son los verdaderos presidentes de los gobiernos imperiales), solo que prefieren estar tras los telones de este gran escenario que es el mundo, dejándole el trabajo sucio a los gobernantes de turno.

Pero el discurso, el argumento, la poética, la historia, la esencia, la estética del documental Los EE.UU. contra John Lennon no van por esos andares. La historia nos puede sorprender cuando descubrimos en este filme las trampas e intimidaciones por las que tuvo que transitar este mítico músico. Esta obra fílmica pone al descubierto documentos silenciados en archivos ultra secretos, esos que “guardan información clasificada sobre personas y organizaciones que ponen en peligro a la seguridad nacional”.

Antes de entrar en los avatares de este documental, cito algunos fragmentos del periódico mexicanoLa Jornada, con fecha 21 de diciembre de 2006, que con el título Los archivos secretos de John Lennon, comparte algunas interioridades de esta siniestra agencia del gobierno de los Estados Unidos, en relación con este gran poeta de estatura universal que supo hacer música desde la ética y los principios que son propios del ser humano.

John Lennon es un ciudadano británico y ex miembro del grupo de canto (sic) The Beatles“. Así comienza la carta escrita en abril de 1972 por J. Edgar Hoover, quien durante mucho tiempo encabezó el FBI, dirigida a un miembro del Departamento de Justicia del gobierno de Richard Nixon.

Lennon ha alentado la creencia de que él tiene ideas revolucionarias no sólo mediante sus entrevistas formales con marxistas, sino por el contenido de algunas de sus canciones y otras publicaciones“. Esta nota viene en un memorando escrito en febrero de 1972, cuando las administraciones de Hoover y Nixon luchaban desesperadamente para revocar la visa de inmigrante de Lennon y poder así deportarlo.

La canción que más parece interesarles es Power to the people, que difícilmente es un documento secreto, dado que es un tema del primer disco como solista de Lennon, titulado Plastic Ono Band(1970), y que fue un sencillo que trasmitieron emisoras radiales de todo el mundo.

Continua Hoover expresando en su carta: “Desde 1972 John Lennon ha seguido, de vez en cuando, prestando su apoyo a diversas causas extremistas, aunque no parece tener su lealtad comprometida con ninguna facción“. Esta frase aparece en un documento sin marca de archivo ni fecha, pero con el sello “confidencial”, que al parecer pertenece a los servicios secretos británicos (MI5).

¿Era Lennon un peligro para la seguridad nacional de los Estados Unidos e Inglaterra? ¿Formaba parte de algún grupo violento que justificara el acoso y la vigilancia de la que fue víctima por los servicios secretos de estos dos gobiernos?

Era una época rica en movimientos políticos y sociales, donde la cultura y el pensamiento estaban viviendo una efervescencia global. En paralelo, el gobierno de los Estados Unidos desarrollaba una guerra genocida contra Vietnam, que culminó con la muerte más de tres millones de vietnamitas y más de cincuenta mil soldados norteamericanos.

El Ku Kux Klan campeaba por su respeto, predicando la supremacía de la raza blanca, el antisemitismo, el racismo, el anticomunismo, la homofobia; recurriendo al terrorismo, a la violencia y actos intimidatorios para aniquilar a sus víctimas. EL KKK está supuestamente desestructurada en la sociedad norteamericana de hoy, pero que sigue “ejerciendo sus funciones” con otras vestiduras demócratas.

John se involucró en estas campañas, desarrollando una activa y pacífica acción a favor de los más desfavorecidos de una nación que se vendía (y se sigue vendiendo) como la más democrática del mundo. Apoyó de manera explícita al Partido de los Panteras Negras, que estaban ubicados en el círculo negro de los servicios secretos del presidente Richard Nixon.

Los EE.UU. contra John Lennon se estructura en pauta fílmica bajo una clara intencionalidad de acompañar uno de los períodos más ricos de un hombre que se identificaba con el pensamiento y el espíritu del pensador y político indio Mahatma Gandhi y la firmeza del reverendo Martin Luther King Jr.

El ex Beatles desató un proceso evolutivo de su activismo, en el que no negaba ni veía contradicción entre su condición de artista y su pensamiento político. Esa sinfonía de evoluciones tuve sus cimientos en un adolescente marcado por el abandono de sus padres y la mirada crítica hacia el poder, un joven que nació en los suburbios de Liverpool y absorbió todo lo que de negativo tuvo para él ese hostil entorno. Esa realidad social y familiar fue moldeando un John Lennon rebelde, dispuesto a desentrañar de raíz las injusticias que se agolpaban en su tránsito por la vida.

Este capítulo inicial de Lennon se sustenta con el testimonio de Yoko, que no es el único presente en este material fílmico. Supo revelar esa parte de su vida en una necesaria cronología para entender el curso que fue tomando como hombre que ama la paz, pero que siente la necesidad de “hacer la guerra” al modo de vida anglosajón que pretende imponer sus sones en tono de prepotencia.

Otros testimonios como el del lingüista, filósofo y analista político norteamericano Noam Chomsky o la del escritor, periodista, director de cine e historiador paquistaní Tariq Ali, constituyen un representativo abanico de puntales que aportan auténticos e irrepetibles discursos, generados y construidos desde una intimidad para acercarnos a una convulsa etapa de la vida de este irrepetible hombre.

En este bregar de palabras se incluyen los apuntes verbales de periodistas, escritores, fotógrafos, políticos, e incluso ex agentes del FBI que en aquella etapa participaron o supieron del paranoico juego, que esta agencia del gobierno de los Estados Unidos estaba dibujando ante un hombre de singular estatura.

Hago un aparte en la particular participación en este filme de Robert George “Bobby” Seale, quien fuera presidente de los Panteras Negras. Su reflexión contribuye a esclarecer la relación de Lennon con este grupo afro norteamericano, también se suma a este filme, los argumentos de la activista afro norteamericana Ángela Davis. David Leaf y John Scheinfeld, (directores de este documental), utilizan material de archivo donde Lennon hace pública su comprometida adhesión a esta organización.

Es muy singular cómo se resuelve el escenario-telón de cada uno de los entrevistados. Desde una pretensión artística testimonial el fondo va desde el “tradicional negro”, a fotos de músicos que han compartido escenario con Lennon y personalidades, que juegan el papel de contraponer o fortalecer una mirada fílmica muy personal sobre este gran músico para los espectadores.

John, con esa peculiar pose de hombre fotogénico y mirada de “niño-hombre”, entra en escena alentando la palabra, justificando cada uno de sus actos, comprometiéndose con cada argumento. Es una manera onírica de hacernos ver que no solo están los testimonios de estos actores testigos de epopeyas pasadas; es una perspectiva que busca acentuar (desde el lenguaje cinematográfico) su inconfundible presencia.

Los realizadores Leaf y Scheinfeld apuntan hacia otros dos momentos singulares de la vida de Lennon. Una inusitada manera de hacer su luna de miel junta a su esposa Yoko Ono, fue manipulada y roseada por los medios de comunicación en aquellos convulsos tiempos. Un retiro espiritual, un recogimiento en su habitación del hotel rodeados de carteles que invocaban a la paz, junto a periodistas que buscaban en ese acontecimiento el morbo noticioso, el debate insulso, la noticia rosa que Lennon y Yoko no estaban dispuestos a dar.

La labor esclarecedora de esta pieza fílmica aporta perspectivas, ángulos, datos con los que en aquel momento era impensable contar para una mejor visión de lo que de cara a la galería podría parecer un show mediático. Era la manera que tenían estos artistas de pronunciarse contra la barbarie de la guerra, conscientes de que eran centro de atención de portadas de periódicos, minutos de telediarios y emisoras radiales.

Un elemento policial y de suspenso fortalece esta obra. La permanencia de Lennon y Yoko en los Estados Unidos estaba condicionada por un tiempo límite de su permiso de residencia en este país. Era el ardid perfecto que tenía Nixon para quitarse “del medio” a un hombre que le estorbaba. Una escalada de presiones “legales” se fueron sumando a la vida del artista, era “un peligro para la seguridad nacional de ese país”.

La cronología de esta contienda está matizada y estructurada no solo por las revelaciones de Yoko Ono y el abogado que asumió este caso. Documentos desclasificados en los últimos años revelan la persecución a la que fue sometido este excepcional artista que reconstruyen, la paranoia de un sistema político en el que podemos estar clasificados como “políticamente incorrectos”.

Lennon nos descubre sus miedos, su conciencia de estar vigilado por algún servicio secreto de ese país, pero no deja de ser un hombre consecuente con los ideales de paz.

La música que compuso en esta etapa es la mejor expresión de un sólido intelectual que apuesta por otro mundo ante una realidad que le desborda, pero que ha querido cambiar con canciones. Temas como Give peace a chanceRevolutionPower to the people, son verdades en tiempo de rock multiplicado en multitudes. La poesía y la fina voz textual de Love e Imagine, es esa dama que sabe encendernos los sueños.

Para el cierre de estos apuntes les dejo con el video del “peligroso” tema compuesto por John LennonPower to the people.

Sinopsis

Ante la guerra de Vietnam y una administración presidencial involucrada en vigilancia y escuchas telefónicas secretas, el idolatrado músico John Lennon usó su fama y su fortuna para movilizar a la opinión pública contra el gobierno norteamericano. A través de exhaustivas entrevistas con las personas de su círculo más íntimo, se nos ofrece una poderosa visión de los ideales por los que luchó y de cómo y por qué el gobierno de EEUU trató de silenciarle.

Vídeo

A violência do Estado é um vento sinistro e escuro

ESPECIAL Fotógrafos Ativistas
CALLES DE JUNIO – Ruas de Junho
GALERÍA PABLO PASGAR

A violência do Estado é um vento sinistro e escuro,
que procura derrubar como um açoite as almas guerreiras.
A cada pancada nas costas, cada ardor nos olhos,
cada asfixia no pulmão, só nos dá forças.
Um clic, uma palavra, um grito unânime de repulsa
das gargantas que só buscam a liberdade.
Cada golpe merece um grito de volta.________________________________________
________________________________________
FOTO: Galería Pablo Pasgar (http://goo.gl/R1rSZY)
TEXTO: Pablo Pasgar

AUDIODESCRIÇÃO: Em primeiro plano um soldado do BOPE – elite militar do Rio de Janeiro. Encarando as lentes do fotógrafo Pablo com um ar desafiador. Atrás do soldado sobe uma cortina de fumaça derivada das bombas de gás criando um efeito forte e espetacular.

 foto 1

PALHAÇO – AÇO

palhaço-aço-aço
de imposto
em dia
e aço na bacia
no baço
na boca
e
o braço
palhaço-aço-aço
que vira
sardinha degradada
quando sobe
a escada
da
baldeação
palhaço que
perde
a
graça
no meio da praça
com bombas
e
efeitos imorais
palhaço que
sem fazer rir
sobrou partir
rumo
à
revolução
não tem
palhaço
aqui
não
seus
comédia
tem tragédia
querendo ser
revertida
tem história
querendo
ser
ouvida
roteiro de rua
a responsa
também
é
SUA

———————-

TEXTO: Fabio Chap

FOTO: Dani Berwanger

AUDIODESCRIÇÃO: Destaque de um manifestante com capacete branco, nariz de palhado, cobrindo a boca segura um pedaço de papelão branco como se fosse um escudo e segurando um cassetete de borracha, escrito no papelão a palavra “NHOQUE”. Uma alusão ao batalhão de choque que está com seu fardamento completo e seus escudos no plano de fundo com o destaque da palavra “CHOQUE”

SELETA: Fotógrafos Ativistas

Foto Dani Berwanger

Na força dos filhos teus

Gigante por natureza, enfastiado de amores vil.
Fulgurando os séculos, entorpecido em berço esplendido,
Minado pela podridão dos sentimentos de alguns,
Na vasta fronte dos egoísmos dos filhos teus…

Gigante por natureza, pleno de amores mil.
Na ânsia de ouvir os que não calam o direito à indignação.
Os que têm nas veias o sangue que flama.
Na justa voz, agora o grito que clama dos filhos teus…

Gigante por natureza, nutrido de esperanças.
Se ergue no desejo de ser desperto,
Por cérebros de pensamentos em sonhos e anseios.
No limite das aflições, em altiva atitude, na força dos filhos teus.

________________________________________

TEXTO: Lufague
FOTO: Thatiane Soares

AUDIODESCRIÇÃO: ( A noite em uma rua do Centro, um pequeno grupo de ativistas se protegem com uma placa de madeira contra os estilhaços que voam das bombas de efeito moral e de gás. Em primeiro plano está um poste antigos com datação por volta de 1930 )

poste

Eu morri ontem

Antônimo de censura não é liberdade. Ainda que cada um de nós seja livre, aquilo que pensamos não está totalmente desvinculado daquilo que nos fazem pensar. Sinônimo de censura é ignorância, do verbo ignorar; é fingir-se atônito, afônico, passivo, deixar passar em sua porta os anais da cidade e continuar tomando no cu. Censura esta que nos é imposta por pessoas que continuam trancafiadas em suas clausulas pétreas, suas áureas, ruas alvas e seu conservadorismo.

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Saudoso tempo das militâncias combativas, da política praticada na prática, sem tratados; sem acordos, acordões, desacordados. Saudosos dias suados, onde cidadania não cedia a esperteza. Saudosa, farta, mesa.
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Esse pais já foi berço, mesmo que não esplendido, de grandes pobres vitoriosos, artistas franzinas lusófonas, já foi pai de escultores, musicistas, bailarinas, cidadãos de honra. Que luziam coroas de retidão, não ouro de outros. Já foi pátria amada, idolatrada, mas agora chegamos no salve, salve, salve o futuro de seus netos, pois com tanta ignorância dos incrédulos seus filhos ainda não verão o pais do futuro.
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– deloriaaaaaaaan e porrada no console – não se censure, não se deixe censurar. São as balas do jornais, os paus de arara radiofônicos, as revistas abordantes, o choque de imagética, as bombas de semiótica, borrachas de apagar futuro. Elas querem fazer você pensar sem alterar o status quo.
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Antes que seja tarde: grite porra, esperneie, relinche, mesmo que não saiba muito bem o porque. Chegou sua hora de ser ouvido, essa é a sua história, que será contada pelos que virão depois de você. Esse cálice está cheio de seu sangue. Beba agora. Decida sobre sua propria morte. Escolha quando vai morrer. Cave sua própria vala e diga: “ao menos eu sei onde vou morrer e você?”
Cale-se
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TEXTO: FA
FOTO: Byron Prujansky – http://goo.gl/6GDkpgAUDIODESCRIÇÃO: ( Um policial da tropa de choque tem seu escudo apoiado no chão, ao seu lado está um manifestante com uma mascara de cavalo com um escudo feito de madeira apoiado ao chão com os dizeres: Pai, afasta de mim esse cale-se)

O melhor arranha-céus do mundo é na China e é de Rem Koolhaas

Edifício do atelier do arquitecto holandês é a sede da televisão estatal chinesa CCTV. Entretanto, continua a luta pelo título de edifício mais alto do Ocidente: Willis Tower ou One World Trade Center?

CCTV

A sede da CCTV, em Pequim. Fotos David Gray
A sede da CCTV, em Pequim. Fotos David Gray

O melhor arranha-céus do mundo em 2013 é a sede da televisão estatal chinesa CCTV, em Pequim, projectada pelo atelier do arquitecto holandês Rem Koolhaas, também autor da Casa da Música, no Porto. O prémio surge dez anos depois de Koolhaas ter escrito uma espécie de manifesto intitulado Matem o Arranha-Céus, onde se queixava da falta de imaginação na construção desta tipologia de edifício. Agora o Prémio Pritzker mostrou-se grato por ser reconhecido por “uma comunidade que está a tentar tornar os arranha-céus mais interessantes”.

O anúncio dos vencedores foi feito quinta-feira e foi o corolário de quase um ano de trabalho do júri, que analisou mais de 60 projectos. O inconfundível edifício assinado pelo OMA – Office for Metropolitan Architecture de Koolhaas em Pequim foi distinguido por, “em vez de competir na corrida pela maior altura e pelo estilo através de uma torre tradicional elevando-se rumo ao céu, a volta do CCTV propõe uma verdadeira experiência tridimensional” aos 234 metros, como disse o júri.

A decisão do Council on Tall Buildings and Urban Habitat, a autoridade mundial no campo dos arranha-céus, deixou para trás outros três edifícios que com ele competiam pelo título: o canadiano The Bow, projectado pela Foster + Partners de David Foster, o londrino The Shard, de Renzo Piano, e Sowwah Square, em Abu Dhabi, pela Goettsch Partners. A eleição anual é feita a partir de uma escolha por categoria geográfica, sendo eleitos os melhores no continente americano, europeu, asiático e no Médio Oriente e África.

Na sua apresentação do projecto na cerimónia de quinta-feira, em Chicago, Rem Koolhaas lembrou o seu manifesto: “Quando publiquei o meu último livro, Content, em 2003, um dos capítulos chamava-se Matem o Arranha-Céus. Basicamente era uma expressão de desilusão com a forma como a tipologia do arranha-céus era usada e aplicada. Não achava que restasse muita vida criativa nos arranha-céus. Por isso, tentei lançar uma campanha contra os arranha-céus na sua forma mais desinspirada.”

Brincando com o facto de estar a ser premiado por um arranha-céus e com o facto de essa “declaração de guerra” ter sido ignorada, o arquitecto agradeceu aos seus pares pelo prémio, que tiveram de votar quatro vezes até encontrarem o vencedor. O público presente na cerimónia foi também convidado a votar e o resultado coincidiu com a escolha do júri.

Entretanto, o Council on Tall Buildings and Urban Habitat (CTBUH) tem uma outra tarefa importante em mãos, cujos resultados devem ser conhecidos na próxima semana: há dois edifícios em luta pelo título de edifício mais alto do Ocidente – sendo que não existe uma medida específica para o que é considerado um edifício elevado, um arranha-céus ou mesmo uma mega-estrutura. Mas há critérios, como explica o CTBUH no seu site. E agora, a velhinha Willis Tower de Chicago (mais conhecida como Sears Tower e um dos ícones da silhueta da cidade do Illinois) bate-se com o novo One World Trade Center, em Nova Iorque, para se poder apelidar de “mais alta”.

Em causa não estão dúvidas quanto a medidas: é certo que o edifício construído após a queda das Torres Gémeas nos atentados de 11 de Setembro de 2001 tem 541 metros (1776 pés, em tributo à data da Declaração de Independência dos EUA) e que a Willis Tower no centro da terceira maior cidade dos Estados Unidos 442 metros, não incluindo as antenas que a encimam (527 com as ditas antenas). A dúvida reside no topo. No cimo do One World Trade Center está uma antena ou um pináculo? Se os 30 membros da comissão que se reuniu sexta-feira para avaliar o caso concluírem que é uma antena, Chicago volta a sentar-se no trono – as antenas de telecomunicações são consideradas acrescentos amovíveis nos edifícios e não são contabilizadas para a altura final.

Actualmente (e desde 2010), o edifício mais alto do mundo é o Burj Khalifa, no Dubai, com 828 metros de altura.

Joana Amaral Cardozo

Jornal Público, Portugal

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