Cunha e Temer tentam primeiro impeachment de deputados golpistas

Nenhum presidente brasileiro foi derrubado por um impeachment. Será que o bandido Eduardo Cunha e seu parceiro, o policial Michel Temer, articulador da emenda da reeleição de Fernando Henrique vão conseguir esse (mal)feito?

Correu muito dinheiro no Congresso para comprar deputados e senadores para aprovar a reeleição. A concessão de rádios e televisões, que hoje promovem o golpe contra Dilma, foi uma das moedas da negociação.

Michel Temer, da bancada da bala, nomeado três (3) vezes secretário da Segurança, comandante das polícias civil e militar de São Paulo, por ser um deputado do baixo clero, foi escolhido para agenciar os votos. Em troca, pelos serviços prestados, Fernando Henrique elegeu Temer presidente da Câmara dos Deputados.

Escreve José Carlos Ruy: Um episódio mal conhecido da história republicana ocorreu em 1954 mas ficou eclipsado pela crise final do governo de Getúlio Vargas, que terminou em 24 de agosto daquele ano, com o suicídio do presidente.

Trata-se da tentativa de impeachment contra o presidente Getúlio Vargas, ocorrida em 1954, e que fez parte da investida da direita contra mudanças políticas e sociais no Brasil.

Foi a primeira vez em que se usou a Lei de Impeachment (Lei nº 1.079/1950) contra um presidente da República. Aquela lei, adotada no último ano do governo direitista do marechal Eurico Gaspar Dutra (foi publicada em 10 de abril de 1950) e pode-se supor que, naquela conjuntura (em que era provável vitória de Getúlio Vargas nas eleições presidenciais marcadas para 3 de outubro daquele ano) foi feita justamente para permitir a remoção do poder de um presidente que ameaçasse os interesses e privilégios dos setores mais reacionários da classe dominante.

A candidatura de Vargas naquele ano era certa, e a direita temia sua vitória (como, hoje, teme a vitória de Lula em 2018). A Lei do Impeachment foi adotada no mesmo contexto em que o jornalista e líder direitista Carlos Lacerda escreveu, no jornal Tribuna de Imprensa, a frase que melhor exprime o espírito golpista dos setores reacionários contra a estabilidade política e contra os governos progressistas e avançados, ontem e hoje: Vargas “não deve ser candidato à Presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar”.

(…) O processo de impeachment contra Vargas foi apresentado à Câmara dos Deputados em 1953. O autor da proposta foi Wilson Leite Passos, militante de extrema-direita da UDN (União Democrática Nacional), antepassada do PSDB de hoje. Passos, que mais tarde foi deputado pela UDN, era raivosamente anticomunista; orgulhava-se de ser dono de uma pistola alemã Walther, que teria pertencido a um oficial alemão durante a 2ª Grande Guerra e devia ter matado “muito russo, muito comunista”, disse Passos muitos anos depois numa entrevista ao jornalista Mário Magalhães.

O pedido de impeachment foi votado em 16 de junho de 1954, numa sessão com a participação de 211 deputados –136 votaram contra ele, a 35 votos, e 40 se abstiveram. Transcrevi trechos. Leia mais sobre a derrota do impeachment contra Getúlio Vargas

Escreve Luís Barrucho: Wilson Leite Passos, um dos fundadores da antiga UDN (União Democrática Nacional), entrou para a história como autor do primeiro pedido de impedimento aberto contra um presidente brasileiro.

O alvo era Getúlio Vargas (1882-1954), acusado de favorecer o jornal Última Hora e tentar implantar o que chamavam de “República Sindicalista” no Brasil.

Com a Câmara a seu favor, o “pai dos pobres” sobreviveu ao impedimento (…)

Apoiador do golpe militar de 31 de março de 1964, que depôs o então presidente João Goulart e extinguiu os partidos políticos, decidiu filiar-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), base de sustentação do governo.

Leite Passos criou o Serviço Municipal de Eugenia, que funcionou de 1956 a 1975, oferecendo exames pré-nupciais, pré e pós-natais e orientação psicológica a casais, de forma a obterem “filhos sadios e famílias equilibradas”. Leia mais 

O caso Fernando Collor é interessante, ele renunciou antes da votação do impeachment.

Collor renunciou em 29 de dezembro de 1992, e no mesmo dia Itamar Franco assumiu o cargo de presidente.

Acontece que os parlamentares decidiram promover o teatro. Reunidos em plenário para a votação do impeachment, decidiram que o presidente não poderia evitar o processo de cassação, pela apresentação tardia da carta de renúncia.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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