Michel Temer três vezes secretário de Segurança comandou as polícias Civil, Militar e Técnico-Científica de São Paulo

O OBSCURO POLICIAL DA BANCADA DA BALA

Michel Temer foi nomeado três vezes secretário da Segurança Pública de São Paulo, sendo o primeiro período de 31 de janeiro de 1984 até 14 de fevereiro de 1986. A segunda nomeação ocorreu em 8 de outubro de 1992, seis dias depois do massacre do Carandiru, e permaneceu no cargo até 31 de dezembro de 1992, tendo como secretário adjunto o Procurador do Estado de São Paulo, Paulo de Tarso Mendonça, que também atuou como secretário interino da Segurança Pública no período de 27 de novembro de 1992 até 5 de janeiro de 1993. Seu terceiro período com titular da pasta foi de 6 de janeiro de 1993 a 27 de novembro do mesmo ano, tendo como secretário adjunto Paulo de Tarso Mendonça (que ocupou o cargo de adjunto no período de 14 de outubro de 1992 a 04 de janeiro de 1994). Tarso e Temer faziam tabelinha.

Temer foi nomeado procurador do Estado em 1983, e no ano seguinte assumiu pela primeira vez a Secretaria de Segurança, no governo Montoro, ainda durante a ditadura militar, quando João Figueiredo era presidente (1979-1985).

A Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo é a responsável pela Administração das polícias em todo o Estado de São Paulo, sendo estas, polícias Civil, Militar, Técnico-Científica.

Montoro ingressou no MDB após a queda de João Goulart e a instauração do Regime Militar de 1964. Eleito senador em 1970 e 1977, filiou-se ao PMDB e foi eleito governador de São Paulo em 1982 na primeira eleição direta para o cargo após vinte anos. Sua investida no Palácio dos Bandeirantes permitiu a efetivação de Fernando Henrique Cardoso em sua vaga na Câmara Alta do país.

Eleito em 15 de novembro de 1982 e empossado em 15 de março de 1983, Montoro
herdou muitas dívidas da gestão de Paulo Maluf e José Maria Marin, o que não lhe deu a fama de tocador e inaugurador de grandes obras.

Curiosamente, alguns membros do secretariado de Montoro tornar-se-iam governadores de São Paulo anos mais tarde: José Serra, Secretário de Planejamento de Montoro, foi Governador do Estado entre 2007 e 2010; Orestes Quércia foi vice-governador durante a gestão de Montoro, e acabou por sucedê-lo, governando no período de 1987 a 1991; Mário Covas foi prefeito de São Paulo nomeado por Montoro em 1983 e foi Governador do Estado por duas vezes, de 1995 a 1999 e de 1999 até a sua morte em 2001. Aloysio Nunes foi vice-governador de Fleury entre 1991 e 1994.

Por esses motivos, parte da oposição acusa que o Estado de São Paulo está ocupado desde 1983 pelas mesmas poucas pessoas e grupos políticos, sendo esse processo iniciado por Montoro.

Michel Temer jamais ousou se candidatar a governador, ou senador por São Paulo. Em 2004 concorreu como candidato a vice-prefeito da cidade de São Paulo na chapa liderada pela então candidata Luiza Erundina, sem sucesso. A sorte de Temer estava nas mãos de Fernando de Henrique, quando participou dos conchavos para aprovar a emenda da reeleição em 1997.

Temer até a reeleição de Fernando Henrique era um deputado do baixo clero, da bancada da bala.

Como policial, Temer conviveu, na Secretaria de Segurança com torturadores, assassinos e coveiros dos cemitérios clandestinos, sendo companheiro de Romeu Tuma, que fazia dupla com o delegado Sérgio Fleury.

 

TEMER TRAIU COVAS PARA SERVIR A FLEURY

 

Em 1990, Luiz Antônio Fleury Filho, sob a legenda do PMDB, foi eleito governador. Uma eleição difícil contra nomes conhecidos como Mario Covas e Maluf.

Sob o mando do governo Fleury que aconteceu o massacre no presídio do Carandiru, onde morreram 111 presos.

A justiça de São Paulo condenou a dezesseis anos de prisão por peculato dois ex-delegados-gerais da Polícia Civil do Estado de São Paulo : Álvaro Luz Pinto e Luís Paulo Braga Braun. Segundo o Ministério Público de São Paulo os réus se envolveram em fraude em licitações. A sentença proferida pelo juiz Edison Aparecido Brandão só se refere ao crime de peculato, acontecido na cidade de Barão de Antonina, onde foram desviados cerca de 657 mil reais.

Os dois delegados trabalharam no Governo Fleury e no Governo Quércia.
O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo relacionou um funcionário do Governo Estadual por irregularidades na construção da sede da Eletropaulo. A obra, que foi realizada pela construtora Andrade Gutierrez, e pode ter causado prejuízos ao estado. É um dos maiores focos de irregularidades que se tem notícia no relacionamento entre uma empreiteira e o poder público, segundo o conselheiro do TCE/SP Antônio Roque Citadini, responsável pelas investigações.

A obra teve seu contrato assinado em 27 de marco de 1991 pelo presidente da estatal Alfredo Almeida Júnior que meses depois perderia o cargo por irregularidades administrativas. Almeida Júnior foi denunciado pelo Ministério Público por enriquecimento ilícito.

 

POR QUE FHC ELEGEU TEMER PRESIDENTE DA CÂMARA?

 

14 de janeiro de 1997 – A emenda da reeleição é aprovada na Comissão Especial, mas o PMDB não se compromete com datas para a votação em plenário. O presidente Fernando Henrique, em solenidade no Palácio do Planalto, fala que o Congresso, ao aprovar a emenda, ouviu a “voz rouca das ruas”.

22 de janeiro de 1997 – Depois de uma semana de intensas negociações com o PMDB, Fernando Henrique determina que a emenda passe pela primeira votação na Câmara até o dia 29. Mesmo assim, o início da discussão da emenda no plenário é adiado do dia 23 para o dia 28.

23 de janeiro de 1997 – Os governistas, reunidos na casa de Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), contabilizam 317 votos a favor da reeleição. Baseado nesses números, Fernando Henrique rejeita a proposta de conciliação dos senadores do PMDB para votar a emenda no dia 5 de fevereiro. O presidente aceita os outros pontos, a realização de referendo e votação das emendas instituindo a fidelidade partidária e um prazo de desincompabilização.

28 de janeiro de 1997 – A emenda da reeleição é aprovada pela Câmara dos Deputados em primeiro turno por 336 votos a favor, 17 contra e 6 abstenções.

29 de janeiro de 1997 – A Câmara vota os Destaques para Votação em Separado (DVS) à emenda. São derrubadas as propostas de realização de plebiscito, referendo, a necessidade de desincompatibilização e todas as outras alterações pretendidas pelos adversários da emenda.

4 de fevereiro de 1997 – Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) é eleito presidente do Senado com margem mais folgada do que previa o governo sobre o candidato do PMDB, Senador Íris Rezende (GO) Senado.

5 de fevereiro de 1997 – Demonstrando a força da base de apoio ao seu governo, Fernando Henrique consegue que seu candidato Michel Temer (PMDB-SP) seja eleito presidente da Câmara. O deputado obteve maioria absoluta (metade mais um dos votos).

25 de fevereiro de 1997 – Câmara vota em segundo turno a emenda da reeleição e aprova o texto por 369 a 111, com 5 abstenções. O número de votos contrários bem maior em relação ao primeiro turno se explica pelo fato de naquela votação a estratégia dos opositores da emenda foi não registrar voto para mostrar claramente qual o tamanho do apoio dos governistas. No segundo turno votaram contra todos os presentes que não concordam com a proposta.

 

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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