O RISCO DE GUERRA NO BRASIL

por JOSÉ MANUEL DIOGO/ Jornal de Notícias/ Portugal

Nesta altura, a verdadeira questão não é saber se Dilma vai ou não ser afastada do poder, mas sim se a democracia brasileira consegue sobreviver?

O Brasil não está dividido entre pessoas sérias e corruptas como muitos querem fazer crer. Está dividido sim, entre ricos e pobres, brancos e negros, analfabetos e educados. Num Brasil, à beira da falência social, estão reunidos todos os ingredientes da guerra civil.

Os estados democráticos distinguem-se dos outros pela separação dos poderes. Legislativo, executivo e judicial. Os que fazem as leis são uns, os que as executam outros, os que zelam por que elas sejam cumpridas e bem executadas, outros ainda. Estes últimos, os juízes, vendo que os primeiros poderes estavam fracos, não resistiram a entrar no jogo político e decidiram entrar em cena como protagonistas. Um jogo perigoso que pode resultar no pior dos desastres. Porque sendo os juízes parte da interessada transferem para a rua o primado da lei. O povo deixa de ter em quem confiar. É o Estado de Direito posto em causa.

A rua é o campo das revoluções. Quando é a ordem pública que está em causa tudo pode acontecer. O exército e a polícia ganham a legitimidade que, historicamente, é o berço das ditaduras.

A magra vitória que a “presidenta” teve nas últimas eleições fez com que, neste ciclo político, todas as figuras do Estado a seguir a ela, e que a podem substituir sejam de outro partido: o PMDB. O vice presidente Michel Temer; o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha e o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros são todos do PMDB. O filme é fácil de fazer. Se Dilma cair o Partido dos Trabalhadores sai do poder. É a “normal” luta política.

Por isso os juízes não deviam tomar partido. Nem a favor nem contra, muito menos desmentindo-se uns aos outros, dando a ideia que o Brasil é uma república de bananas.

Ao contrário do que aconteceu em Portugal, onde foi o líder da oposição a formar governo contra o partido que ganhou, no Brasil, a oposição, já no governo, preferiu, ardilosamente, entregar o protagonismo da luta partidária aos juízes. O preço a pagar pode até ser a guerra.

O principal protagonista, Sérgio Moro, declaradamente mais próximo de um dos lados da barricada – foi o ano passado recusado por Dilma para o supremo tribunal quando já tinha sido indicado pela associação dos juízes -tornou-se o verdadeiro líder da oposição.

Quando a justiça entra no jogo do poder, o poder cai na rua. O que acontece agora no Brasil já não é só um problema da democracia, é uma questão de sobrevivência do Estado de Direito.

José Manuel Diogo, ESPECIALISTA EM MEDIA INTELLIGENCE

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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