CONTRATEMPO

O jornaleiro

por Talis Andrade

Meu passado
o ali do matuto
Meu futuro
fica bem aqui
um tempo curto
que não curto

O ali onde tudo
é distante
a casa
a água da fonte
o campo de pastoreio

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A Operação Lava Jato beneficia quem? Juiz Moro a serviço da justiça dos Estados Unidos e dos acionistas estrangeiros

Tenho denunciado que o juiz Moro apelou para o FBI espionar no Lava Jato. Considero um ato de traição. Até hoje não se sabe quantas ações da Petrobras estão em poder de estadunidenses.

Quando Fernando Henrique assumiu a presidência da República, a Petrobras tinha 30 por cento de suas ações vendidas.

Fernando Henrique criou a ANP – Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis que entregou ao genro, e vendeu na bolsa de Nova Iorque mais 30 por cento de ações.

Assim, no começo do governo de FHC a maioria das ações da Petrobrás não era mais do governo brasileiro.

Quantas ações mais foram vendidas, seja por Fernando Henrique, Lula e Dilma. Esse entreguismo não interessa a Moro nem aos barões da imprensa. Se Lula e Dilma tivessem vendido, Moro investigaria.

Disse o presidente Evo Morales, da Bolívia, que o Brasil possuía uns 22 por cento das ações.

Além dos bilionários lucros anuais da empresa, esses quase 80 por cento de acionistas desconhecidos, ganham de bônus a sociedade de todo o petróleo e gás que se descobre no Brasil e fora, onde a Petrobras possui concessões de explorações e refinarias.

 

Em nome de uma causa, a Justiça, não se pode vender a Pátria, que está acima da Justiça

Escreve o jornalista André Araújo: A espantosa notícia de que delatores brasileiros da operação Lava Jato vão aos EUA, ajudar a processar a PETROBRAS, com apoio da Justiça brasileira. É impressionante como esse fato não desperta nenhuma indignação na mídia nacional, passa em branco. É a completa perda da noção de PÁTRIA.

A Justiça de um País NÃO PODE ajudar a Justiça de outro País a processar uma empresa do próprio Estado de que faz parte. Nesse momento o Brasil é adversário dos EUA, a relação nesse caso é de litígio entre dois Estados soberanos, não importa as razões do processo, estão em jogo interesses nacionas definidos, os EUA querem extrair da Petrobras e portanto do Brasil o máximo de dinheiro e a Pertrobras e seu acionista controlador, o Estado brasileiro, querem não pagar nada ou pagar o mínimo possivel. Quanto mais forte estiver a acusação pior para o Brasil.

E não venham com essa historia de “acordo de cooperação judiciária”. Acordos desse tipo se destinam a combater o crime organizado, o tráfico de drogas e armas, o terrorismo, NAÕ SE PRESTAM A UM ESTADO PROCESSAR O OUTRO, como um Estado (e a Justiça brasileira faz parte de um Estado) pode ajudar outro Estado a PROCESSA-LO? O Procurador brasileiro quando viaja aos EUA tem sua passagem paga pelo Estado brasileiro, vai lá ajudar a processar o Estado que lhe paga a Passagem? Não faz nenhum sentido. Po incrível que pareça, ninguém na mídia achou isso estranho.

Em nome de uma causa, a Justiça, não se pode vender a Pátria, que está acima da Justiça. A Petrobras é parte do Estado brasileiro, processá-la é processar o Brasil, a conta desses processos vai doer em nossos bolsos e não será pequena.

O Departamento de Justiça pensa em um minimo de US$1,6 bilhão de multa, a SEC em um valor um pouco menor, os acionistas minoritarios, que agora terão a colaboração da ex-gerente da Petrobras Venina Venosa como testemunha

contra a Petrobras, pensam em um mínimo de US$2,5 bilhões para as seis ações coletivas, todas a cargo de advogados abutres especializados e que vão aparelhar suas ações com os processos criminais no Brasil e nos EUA. (Transcrevi trechos)

Mirian Dutra ilumina a engrenagem rapinosa

por Paulo Henrique Amorim

Leblon: o PiG foge desse garimpo porque é parte indissociável da lama

Mirian Dutra abre o quarto de despejo dos anos 90
A cumplicidade entre o dinheiro, a soberba e a mídia contém uma atualidade demolidora. A mídia foge desse garimpo porque é parte indissociável da lama.

Por que só agora que o PT está a um degrau do cadafalso?

A suspeição que o jornalismo tucano consegue balbuciar em meio às alvejantes declarações de Mirian Dutra sobre a parceria público privada para silenciá-la no governo FHC, carrega um efeito bumerangue demolidor.

Pode ser respondida com uma arguição.

‘Quem publicaria antes, a história que furou um cerco de 23 anos de obsequiosa cumplicidade da mídia brasileira com esses acontecimentos, para somente agora vir a público num relato demolidoramente crível? (‘Só eu tenho condições de levar este país’, dizia o príncipe à jovem plebeia, há um mês da conquista).

Mirian Dutra abriu o quartinho de despejo dos anos 90. E mostra o que tem lá dentro.

Sua fala carrega a credibilidade de quem –convencida ou conivente– fez parte do acervo.

O que avulta nessa visitação retrospectiva são os bastidores de um projeto de poder e de interesses que se blindaram para mudar a lógica do desenvolvimento brasileiro.

‘Coveiros do ciclo Vargas’ não era assim que se jactavam aos mercados? Terceirizar o timão brasileiro ao mercado internacional requeria um método para vencer a travessia politicamente espinhosa.

O método, baseado num pacto granítico entre a mídia, os interesses afluentes e o vale tudo ético, é o que guarda o quartinho escuro escancarado agora.

Mirian, num dado momento, tornou-se um cisco no olho guloso do visionário do neo- renascimento bancado pelo capital financeiro global, e que se via como o Micheangelo Buonarroti da Capela Cistina brasileira.

Foi preciso expurga-la. O que se fez com a mesma determinação ética e a coesão grupal dos interesses que se fundiram na travessia preconizada para o país.

Surpreende que a mídia isenta tenha fugido dessa personagem por 23 longos anos, dispensando-lhe uma mordaça de silencio e dissimulação conivente?

Que veículo ou editor da chamada grande mídia teria bancado antes, e com o destaque merecido, a nova e demolidora entrevista concedida pela ex de Fernando Henrique Cardoso, neste final de semana, a um veículo alternativo?

Será necessário lembrar que na anterior, feita pela Folha de São Paulo, perguntas e nominações essenciais envolvendo a mídia foram evitadas?

E que depois disso o veículo dos Frias –cumprida a formalidade das aparências— suprimiu o assunto da primeira página mostrando estranha inapetência investigativa diante de pautas que gritam?

Quais?

Por exemplo, a história do jornalista lobista, já falecido, Fernando Lemos. Personagem expressivamente próximo de FHC, cunhado de Mirian Dutra, foi ele que mediou a participação da Brasif na operação para tirar Mirian do país e assim salvaguardar o tucano de constrangimentos na reeleição.

Lemos fez dinheiro no governo FHC com serviços de consultoria. Muito dinheiro. Participou do círculo estrito do poder que decidia inclusive as campanhas políticas de FH. Sua viúva, Margrit Schmidt, segundo a própria irmã contou ao Diário do Centro do Mundo, possui ‘apartamentos, um terreno em Trancoso que vale ‘um milhão’ e conta no Canadá’.

Mas ainda recebe recursos públicos como funcionária lotada no gabinete de José Serra, onde nunca comparece. Resquícios da ‘modernização’ das capitanias hereditárias pelo avanço neoliberal.

Eterno aspirante à presidência da República, Serra se declara velho amigo e parceiro de ideias da funcionária-fantasma, que brada contra a corrupção e a ‘corja’ do PT’ no facebook. Serra também é amigo muito próximo do pecuarista Jonas Barcellos, que bancou Mirian e ganhou rios de dinheiro com o monopólio dos freeshops no governo do PSDB.

Guarda esse tipo de álbum de recordações o quartinho de despejo dos anos 90 agora entreaberto, mas que a mídia quer lacrar e implodir.

A indiferença ética, o tráfico de influência e a lubrificação do dinheiro público a serviço do interesse particular condensados no episódio Mirian Dutra, não formam, como se vê, um ponto fora da curva no modo tucano de governar as relações entre Estado e mercado; entre capitalismo e democracia, enfim, com papel subalterno ao segundo elemento da equação.

Se pouco disso transparece ainda no debate político, deve-se ao protagonista ubíquo dessa trama.

A mídia figura como o grande Rasputin a coordenar os personagens desse ambiente farsesco em que as aparências não apenas são avalizadas, mas diretamente modeladas, conduzidas mesmo pelo poder midiático até a asfixiante rendição à narrativa pronta nas redações.

Ou Mirian Dutra não foi ‘induzida’ a dizer à Veja a frase para a qual Veja já tinha espaço, lugar e título, antes que a personagem soubesse que sua boca iria emiti-la?

Esse o paradigma da isenção que ordenava e ainda rege o sistema do monopólio emissor consolidado sob as asas do ciclo do PSDB na presidência do Brasil.

O maior conglomerado de comunicação do país e a principal revista semanal do mercado brasileiro –as Organizações Globo e a semanal Veja– não apenas informaram um script conveniente à reeleição de FH.

Elas ajudaram ativamente a produzi-lo –a exemplo do que fez a Folha nos anos 70, quando cedeu carros à repressão.

O tour de force para despachar Mirian é só um exemplo em ponto pequeno do empenho que movimentou grandes massas de interesses para o ciclo privatizante que viria então.

Nenhuma delação extraída pelo método da chantagem coercitiva, tão bem manuseado pela República do Paraná, carrega a delicadeza convincente desse desabafo –ao que tudo indica apenas iniciado—de uma mulher que talvez não tenha mais nada a perder.

Recém demitida pela Globo, Mirian provavelmente perdeu também a mesada que recebia de FHC e viu a relação com o filho ser trincada pela intempestiva intervenção do tucano que –em troca de um DNA polêmico– supriu Tomás com mesada própria, comprou-lhe um apartamento, pagou-lhe os estudos em caras universidades norte-americanas.

A mãe do filho que FHC lhe dizia que não poderia ter em seu nome decidiu agora reagir com o que tem de mais letal: a memória.

Mirian Dutra apenas começou a falar. Parece que tem muito a dizer: ‘Serra eu conheço bem…’, cutucou de relance na última entrevista.

Desde o início desse episódio Carta Maior tem insistido em que as relações entre um homem e uma mulher formam um assunto privado.

Mas a participação da mídia, de concessionárias públicas, bancos estatais e paraísos fiscais no caso fazem dele um tema público.

Foi a cobiça e a ganância econômica que politizaram o encontro entre o sociólogo cinquentão e a jornalista jovem; não o inverso.

A descrição impressionantemente crível, repita-se, do método tucano que Mirian Dutra relata em detalhes dá materialidade a tudo o que o PSDB ora denuncia e atribui aos adversários, sobretudo ao PT.

É um revés de dimensões esfarelantes.

As revelações em conta gotas trazem um olhar de dentro do fastígio das elites no poder nos anos 90.

Um olhar de alguém que circulou nas vísceras do condomínio cristalizado na farra da privatização, quando se desferiu um dos mais virulentos ataques à luta pelo direito a um desenvolvimento justo e soberano.

Conhece-se o custo contábil do desmanche patrimonial que fragilizou a capacidade articuladora do Estado e definhou a governabilidade democrática, subordinada desde então à supremacia dos capitais desregulados.

Abre-se a possibilidade agora de se iluminar o interior da engrenagem rapinosa.

Não para produzir uma arqueologia do revide.

Não para se nivelar ao vale tudo dos que buscam aniquilar as forças e lideranças empenhadas na reversão do desmonte para construir uma democracia social no coração da América Latina.

O que está em jogo não é o passado; é a urgência de se devolver esperança ao futuro.

O passo seguinte do desenvolvimento brasileiro enfrenta uma encruzilhada histórica. Um ciclo de crescimento se esgotou; outro precisa ser repactuado em novas bases.

Muitos dos personagens e interesses econômicos que atuaram no episódio Mirian Dutra – FHC, Organizações Globo, Veja, Jorge Bornhausen, José Serra etc— compõem a linha de frente da ofensiva conservadora atual, determinada a retomar o poder, custe o que custar, para concluir o serviço dos anos 90.

O mapeamento dessas peças do xadrez ganha luminosidade desconcertante nas revelações de Mirian Dutra.

Elas permitem recompor a seta do tempo que une a lógica e a ética dos anos 90 ao projeto intrínseco ao golpismo em 2016 .

Detalhar essa cruzada é uma das tarefas jornalísticas mais importantes do momento.

A ela se debruça Carta Maior na matéria ‘Lei para Todos’, desta edição.

Estão radiografados ali elos explícitos e dissimulados.

É impressionante como os elementos se interligam e convergem, muitas vezes para um mesmo espaço: os paraísos fiscais: FHC, Brasif, negócios e propriedades dos Marinhos, BNDES, lobistas, empresas de fachada, mansões, helicópteros e personagens referenciais da extrema direita brasileira, como Jorge Bornhausen.

O colunismo da indignação seletiva não fará esse garimpo do qual é a parte mais comprometida cascalho.

O ressentimento autoexplicativo de Eliane Cantanhede (‘ que sempre soube dessa história’, fuzilou Mirian Dutra) mostra como o jornalismo ‘isento’ sentiu o golpe de uma peça lateral do acervo, que mobilizou a parte graúda do tabuleiro para ser deslocada há 23 anos, e agora volta ao jogo revirando a mesa.

Ao falar é como se Miriam gritasse: ‘O Rei está nu’.

Não só ele, porém; toda a corte ao seu redor e, sobretudo, o seu projeto de volta ao poder.

Daí o alvoroço dos mensageiros do trono.

Mirian vai processar FHC na Europa

por Paulo Henrique Amorim

Mírian Dutra é a Lava Jato dos tucanos.

Mírian guardou todos os documentos, registrou todas as remessas e conversas, arquivou todas as cartas, bilhetes, cartões de embarque, registros de imóveis, transcrição das conversas com os chefes da Globo — tudo!

Ela se prepara para exercer a vingança há muito tempo!

Ela não tinha alternativa.

E a alternativa inevitável será processar o Casanova de Hygyenopolis na Espanha, ou seja, segundo as Leis da União Europeia.

Como?

Por submete-la a uma situação análoga à Escravidão: não poder voltar ao Brasil!

Ficar trancafiada num outro Hemisfério!

Remunerá-la através de expedientes ilegais, contas ilegais, empresas que deviam favor ao Presidente da República, seu opressor!

Violar os direitos de uma mulher e mãe de seu suposto filho!

Submeter o filho suposto a dois testes de DNA possivelmente fraudulentos!

Bem que o Moro tentou prender o João Santana para tirar a Mírian do noticiário e permitir que o Casanova de Hygyenopolis respire um pouco.

Ele e seu escudeiro, outro farsante, o Místico da Moóca.

A Mírian sabe que na União Europeia não tem Moro — do Não vem ao caso! — , não Procurador que opera no wi-fi de Deus, não tem delegado que grampeia mictório de preso — nem PiG.

Lá, a imprensa prefere as mulheres vitimadas por ditadores truculentos.

Não deixe de buscar o vídeo “Vincere”, que trata do que Mussolini fez com a amante e o filho.

Há precedentes…

Na União Europeia.

O QUE É DE CÉSAR

O jornaleiro

por Talis Andrade

País sem bomba atômica
tem as riquezas saqueadas
riquezas transportadas
por navios corsários

Sofre ameaças de invasão
de exércitos estrangeiros
Tem que pagar vassalagem
e altos juros para a agiotagem
dos banqueiros

Plantar alimentos de exportação
oferecer mão de obra escrava
aceitar o atraso
ser cavalgado pelos quatro cavaleiros
do Apocalipse

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O juiz Moro e a indústria da delação mais do que premiada

Em vídeo bomba, advogados enfrentam Moro em audiência da Lava Jato e o acusam de conduzir um processo ilegal

Advogados acusam Moro de conduzir um processo ilegal

 

De O Cafezinho, via GGN

Uma leitora amiga me manda um vídeo impressionante, que traz os advogados de Fernando Soares, um dos réus da Lava Jato, protestando veementemente contra as artimanhas do Ministério Público e do juiz Sergio Moro para enganar a defesa e manipular o processo.

A cena do vídeo é uma sala da 2ª Vara Federal de Curitiba, e os personagens principais são Sergio Moro, dois advogados de defesa, e um procurador que não aparece no vídeo.

Em determinado momento, um dos procuradores ofende o advogado, falando em chicana. Joaquim Barbosa, realmente, fez escola.

O advogado, porém, responde à altura.

São dois advogados. O segundo a falar é Nelio Machado, um dos maiores criminalistas do país, que denuncia: nunca, diz ele, em 30 anos de profissão, testemunhei um desrespeito tão gritante à Constituição e ao direito da defesa.

Machado falou que até mesmo a Constituição do Estado Novo, de inspiração fascista, trazia garantias na lei que respeitavam a defesa dos réus, garantias estas que Sergio Moro tem agredido sistematicamente, com vistas a promover, sabe-se lá com que intenções, um circo midiático-judicial.

(Sobre Nélio Machado, ler esse post, do professor Rogério Dultra).

Talvez Moro tenha intenção de seguir o exemplo de Ayres Brito e escrever o prefácio do próximo livro de Merval Pereira, e ganhar uma sinecura de luxo no Instituto Innovare, da Globo.

Machado explica ainda ao procurador mal educado e ignorante que o Ministério Público, segundo a Constituição cidadã de 88, tem como dever auxiliar a justiça. O procurador não é um justiceiro cuja função é apenas acusar. Sua função não é ver o réu como um “inimigo” a ser esmagado a qualquer custo. Não. Sua função, assim como a do advogado, é a de defender a lei.

“Não existe hierarquia entre advogado e Ministério Público, ambos são auxiliares da lei”, ensinou Machado.

O vídeo é uma bomba.

É notório, no vídeo, que Sergio Moro não atua como magistrado, mas como um rancoroso beleguim, um verdadeiro inimigo do réu e dos advogados de defesa, imitando o estilo Joaquim Barbosa.

Emblemático que ambos, Joaquim Barbosa e Sérgio Moro, tenham ganho o prêmio Faz Diferença da Globo. Quer dizer, prêmio não. Propina. O prêmio Faz Diferença deveria ser encarado como propina e os magistrados que o recebem deveriam ser acusados de corrupção, porque é um prêmio que vale mais que dinheiro. Com esse prêmio em mãos, os magistrados podem ganhar dinheiro como celebridades políticas, fazendo palestras pagas com dinheiro público, como está fazendo, sem nenhuma vergonha, Joaquim Barbosa.

Qualquer um pode ganhar prêmio: políticos, empresários, artistas. Juiz não. Juiz não deve ganhar nenhum prêmio. O que ele faz é um dever público, uma obrigação, pela qual recebe os maiores salários e as maiores regalias oferecidas pelo contribuinte a um servidor: almoço, transporte, habitação até roupa grátis, longas férias anuais.

Por tudo isso, juízes tem de ser sérios, moderados e justos. Nunca devem se deixar levar por pressões de mídia e jamais devem se portar como acusadores ou inimigos dos réus.

A outra notícia bombástica é um regaste de uma informação publicada, ano passado, num dos blogs da Carta Capital.

O post confirma uma denúncia que já fizemos aqui, com base num depoimento de Roberto Bertholdo, advogado condenado na 2ª Vara Criminal de Curitiba, onde atua Sergio Moro.

Segundo consta em matéria da Folha de 11 de março de 2006, Bertholdo declarou que seria “condenado por um esquema montado na 2ª Vara Federal Criminal, que criou a ‘indústria da delação premiada’. Segundo ele, Youssef entregou doleiros no Brasil inteiro e se apropriou de seus clientes.”

Eu gostaria de saber: nenhum jornal jamais quis saber a validade dessa denúncia? Que indústria da delação é essa? E que história é essa de que o esquema foi montado dentro da 2ª Vara Federal Criminal, a mesma onde atuava e atua Sergio Moro?

Não vale falar que Bertholo é um condenado. Se a voz de Youssef é ouvida pela justiça, pelo ministério público e pela imprensa, porque não ouvir Bertholo?

A matéria publicada num dos blogs da Carta Capital, o blog do Serapião, confirma a denúncia de Bertholdo.

Youssef delatou os principais doleiros do país, por ocasião da “delação premiada” que lhe foi oferecida por Moro e pelos mesmos procuradores que hoje integram esta conspiração judicial em que se transformou a Lava Jato.

O doleiro vem operando, há tempos, como o personagem da série Black List, estrelada por James Spader: manipulando a delação para jogar o Estado contra seus inimigos e concorrentes, e beneficiar a si mesmo.

O “prêmio” que Youssef obteve, após suas primeiras delações, feitas em 2003, para o mesmo Sergio Moro, não foi uma mera redução de pena. Foi muito mais! Youssef tornou-se o maior doleiro do país, e ampliou suas conexões ilegais com figuras estratégicas da elite política.

É incrível que depois de ter feito isso, Youssef ainda tenha credibilidade na mídia e lhe seja oferecida novamente o privilégio da delação premiada, pelo mesmo Sergio Moro e pelos mesmos procuradores!

A indústria da delação premiada não só dá lucro como parece ser intocável! O sujeito delata seus concorrentes, conta um porção de mentiras à justiça, é solto, volta a roubar, agora na condição de maior doleiro do país, e se torna um heroi da mídia, sendo paparicado novamente por um juiz supostamente vingador e procuradores midiáticos (os mesmos da primeira delação!), e tudo porque aceita representar, com seu imenso talento para manipulação e a mentira, o papel de pivô de uma conspiração judicial.

A Lava Jato é uma repetição grotesca do que aconteceu na Ação Penal 470, e traz vários personagens repetidos, a começar por Sergio Moro, que escreveu o texto fascistoide com o qual Rosa Weber condenou Dirceu: aquele que traz uma frase que resumirá toda uma era de arbítrios midiático-judiciais: “Não tenho provas contra Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura assim me permite”.

Crédito do vídeo: Nilton Araújo. O original, mais longo, foi publicado no site Consultor Jurídico. Veja aqui

A amante exilada de Fernando Henrique presidente

BOMBA! MIRIAN DUTRA SCHMIDT FALA PELA PRIMEIRA VEZ EM 30 ANOS!

Revista Brazil com Z – A nossa matéria de capa: “Mirian Dutra Schmidt quebra o silêncio depois de 30 anos”, uma entrevista com a ex- jornalista da Globo que teve um relacionamento amoroso durante 6 anos com o ex- presidente da República do Brasil Fernando Henrique Cardoso. Mirian teve um filho com FHC. Uma mulher que escolheu o exílio no exterior para proteger- se e proteger os seus filhos (ela tem uma filha do primeiro casamento). Mirian também conta como foram os 35 anos trabalhando na Rede Globo e todas as dificuldades que enfrentou morando na Europa. Leia aqui

Paulo Henrique Amorim – Mirian: FHC usou empresa para me bancar no exterior. “Por que ninguém nunca investigou as contas dele aqui fora?

Em tempo: de novo, o PiG protegeu Fernando Henrique. O Globo ignorou a Mirian, sua funcionária zelosa e leal. A Fel-lha e o Estadão se perderam numa questiúncula: Mirian duvida do exame de DNA que atestou – duas vezes – que FHC não é o pai do filho dela.

Inútil discussão.

O moralista sem moral, o maior de todos os vivos Tartufos, já tinha reconhecido a paternidade e, portanto, o jovem é herdeiro da incalculável fortuna do suposto pai.

Em tempo2: a Fel-lha diz que tentou entrevistar todo mundo para fazer um texto mínimo e ridículo. Se esqueceu de entrevistar um seu próprio colonista. Quá, quá, quá! É tudo a mesma sopa, diria o Mino: a Fel-lha, o FHC, o Conde e a Mirian!

Em tempo3: faltou um ilustre personagem nessa gloriosa página tucana. Alberico de Souza Cruz, então diretor de Jornalismo da Globo. Segundo Palmério Dória, no clássico “Príncipe da Privataria”, Alberico foi o padrinho do suposto filho de FHC e mandou a Mirian para fora do Brasil: para proteger o moralista sem moral.

Segundo Palmério, a operação para esconder Mirian em Portugal contou com a frenética participação de alguns heróis do tucanismo: o Padim Pade Cerra, o então Ministro comprador de reeleiçto, Serjão Mota, e o embaixador do Brasil em Lisboa, Jorge Bornhausen.

É tudo a mesma sopa: Cerra, Serjão, Bornhausen, Conde, Mirian, FHC, a Fel-lha e a Globo!

O FHC que emerge da entrevista bomba da antiga amante

Por Paulo Nogueira

É devastador o retrato de FHC que emerge da entrevista em que, finalmente, a jornalista Mírian Dutra conta sua versão do romance que tiveram. Ela chamou FHC de “completamente manipulador” e disse que ele gosta de “fazer tudo sorrateiramente e posar de bom moço”.

Como em tantas coisas negativas de FHC, era um fato que a imprensa sabia mas não noticiava.

Mírian aparentemente resolveu falar porque enfim saiu da Globo – que a mandou para o exterior para não prejudicar as chances de FHC em sua tentativa de se eleger presidente. É possível também que o casamento dias atrás de FHC com uma funcionária do seu instituto a tenha animado a ferir o ex-namorado.

A entrevista foi dada na Espanha, onde ela mora, para uma publicação desconhecida, a revista digital BRAZILCOMZ, dedicada aos brasileiros que vivem na Europa.

A repercussão, pouco tempo depois de a revista ir ao ar, já é estrondosa. As redes sociais falam dela freneticamente. O objetivo de Mírian foi plenamente atingido.

É provável que Mírian tenha escolhido uma revista tão exótica por saber que a mídia brasileira protege FHC e não lhe daria voz.

A mídia foi cúmplice de FHC sempre. Primeiro e mais que tudo, a Globo, que empurrou Mírian para longe e, pelo que ela dá a entender, a obrigou a se calar em troca de mantê-la na folha de pagamentos. A raiva é tanta que, num determinado momento, lhe falta a palavra exata para dizer o que pensa da Globo, “uma empresa tão …”. Está claro que a palavra não pronunciada é filha da puta.

Como a Globo não dá nada de graça, é legítimo perguntar o que a empresa levou em troca. Dinheiro público é a melhor resposta. Não apenas na forma de publicidade multimilionária do governo FHC mas também em financiamentos de bancos estatais. O BNDES financiou, por exemplo, a gráfica nova da Globo, inaugurada no fim dos anos 1990. FHC prestigiou a inauguração, e fotos o mostram sorridente ao lado de Roberto Marinho.

Por coisas assim, a entrevista de Mírian Dutra, muito mais que mera fofoca, tem imenso interesse público.

A Veja teve também uma participação repulsiva na trama. Mírian afirma que FHC combinou com o então diretor de redação da Veja, Mario Sergio Conti, que a revista daria na seção Gente uma nota com uma mentira arranjada. Nela, seria noticiada a gravidez de Mírian – mas de outro homem.

É só verificar no arquivo que a nota forjada está lá, diz ela. E está mesmo, conforme você pode ver na foto abaixo.

Naquele instante, era generalizada a convicção de que o pai era FHC. Poderia ter consequências funestas para suas pretensões presidenciais a divulgação de que ele seria pai de uma criança fora do casamento – e com uma mulher 30 anos mais nova.

Na entrevista, Mírian fala do DNA segundo o qual o pai não era FHC. Ela coloca em dúvida a autenticidade do exame. Afirma que FHC arrumou uma maneira de fazer o teste sem que ela soubesse. Foi FHC também, diz ela, que tratou de espalhar o resultado na mídia brasileira.

É possível que esta história vá longe. Mírian diz ter muitas cartas do amante perdido — cujo nome recusou pronunciar. Numa delas, conta, FHC diz que jamais a tirou da mente desde que a conheceu, em 1990, num restaurante em Brasília.

Dona Rute Cardoso sempre soube, de acordo com Mírian. FHC dormia frequentemente em sua casa, afirma. Era, diz, um “casamento de conveniência”. Ele próprio usou essa expressão em cartas, acrescenta Mírian.

É a conversa mais antiga do mundo: homem casado diz para namorada solteira que o casamento é de conveniência. FHC também nisso não foi propriamente um inovador.

Mírian diz que o caso durou seis anos, os dois últimos dos quais péssimos, na sua avaliação. Ela afirma que tentou romper várias vezes, mas foi sempre perseguida pelo namorado. A gravidez surgiu no final.

O filho, sustenta, é mesmo de FHC. Eis uma afirmação duvidosa: por que ela não fez um segundo exame de DNA no garoto? A alegação é frouxa: o filho ficou traumatizado com o primeiro.

FHC lutou para esconder dos brasileiros sua história com Mírian, tarefa em que contou com a ajuda inestimável dos barões da mídia.

Não adiantou.

Sua canalhice está exposta em detalhes – e junto com a dele a da mídia que foi seu cúmplice no episódio.