A tortura imposta por Sérgio Moro a um velho doente de 74 anos

por Paulo Nogueira

Genildo
Genildo

Sérgio Moro é o pior tipo de justiceiro. É o que se faz passar por bonzinho.

É o que se observa num vídeo que está circulando nas redes sociais. Nele, Moro concede uma audiência ao preso Mário Góes.

O objetivo de Góes ali era conseguir prisão domiciliar.

Várias coisas chamam a atenção no vídeo.

A primeira é o estado de desabamento moral e físico de Góes. Ele tem uma série de doenças que vão de diabete a colite, e um problema de coluna o impede de ficar sentado com conforto.

Está emocionalmente desequilibrado. Chorou na conversa com Moro, e é evidente que não estava interpretando um coitadinho ali.

Góes era o coitadinho.

E tem 74 anos.

Considere. Na Itália, a partir dos 70 anos, você não cumpre sentenças na cadeia, e sim em prisão domiciliar.

Por razões humanitárias.

Diz-se de Moro que ele se inspirou numa operação policial italiana – afinal espetacularmente fracassada — para desencadear a Lava Jato.

Mas pelo visto desconsiderou a civilidade que existe no código da Itália.

Góes não poderia cumprir pena domiciliar? Por que?

Bem, perguntas não faltam no caso. A mais impressionante é a seguinte: quais são as evidências contra Góes?

Moro parece tão no ar sobre isso quanto você e eu. Moro fala em contas em paraísos fiscais, genericamente.

Mas admite, candidamente, não saber nada delas. Sequer, e é ele quem afirma, se estão ativas ou não.

É o triunfo do absurdo.

Mais um, a rigor. Num outro vídeo de Moro, desta vez com Cerveró, ficamos sabendo que a principal acusação do juiz era uma reportagem – logo de quem – da Veja, uma revista mitomaníaca.

Recentemente a BBC visitou o presídio onde Góes está. A descrição é esta: “A maior parte das celas são sujas e apertadas. Algumas têm até seis camas e estão frequentemente abarrotadas de cadeiras de rodas e equipamento médico.”

As celas são sujas e apertadas. Algumas têm até seis camas e estão frequentemente abarrotadas de cadeiras de rodas e equipamento médico
As celas são sujas e apertadas. Algumas têm até seis camas e estão frequentemente abarrotadas de cadeiras de rodas e equipamento médico

Moro é uma versão atualizada, mas não necessariamente melhor, de Joaquim Barbosa.

Ele agrada, como JB, a dois públicos específicos: o poder econômico e os analfabetos políticos.

Alguém consegue imaginar Moro e Barbosa enfrentando a Globo, por exemplo? Ou mesmo a CBF e Marin?

Como os vazamentos da Lava Jato na campanha eleitoral, a valentia dos dois é seletiva.

Ambos, não por coincidência, foram premiados pela Globo.

E os dois são heróis de grupos de imbecis como o MBL e o Revoltados Online.

São, também, abominados pelos progressistas.

Falta-lhes, em comum, uma característica tão brasileira: a compaixão.

JB tripudiou sobre Genoino quando este estava em condições de saúde miseráveis.

Moro faz o mesmo agora com Góes.

Eles representam a plutocracia brasileira, e a defendem ferozmente.

Mas não representam os brasileiros.

Gente assim não é perdoada pela história.

Veja vídeo

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Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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