Desviados cerca de 3 milhões da Assembléia Legislativa de Mato Grosso

Para a juíza Selma de Arruda, o ex-presidente da Assembleia teria disponibilizado um advogado para forçar os servidores a mentir em depoimentos

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O ex-deputado estadual José Riva (PSD) é o principal acusado no esquema de desviou mais de R$ 2,7 milhões da verba de suprimentos da ALMT

por KAMILA ARRUDA

A fim de atrapalhar o curso das investigações e evitar mais um processo, o ex-deputado estadual José Riva (PSD) disponibilizou assessoria jurídica aos servidores que estavam sendo investigados pelas fraudes no uso da chamada verba de suprimentos. O esquema foi descoberto na Operação Metástase, que anteontem cumpriu sua segunda etapa, com nova prisão de Riva e aliados.

Conforme o Ministério Público, o encarregado foi o advogado Alexandre Nery. Ele teria orientado os servidores a negar as fraudes na utilização da verba de suprimento, com o intuito de blindar a organização e evitar que as investigações chegassem até o parlamentar.

“Ao invés de limitar-se a orientar a cliente mediante uso de estratégia jurídica que a beneficie individualmente, o advogado parece tê-la orientado apenas a proteger a organização”, diz trecho da decisão proferida pela juíza Selma Rosane de Arruda, que decretou a prisão preventiva de José Riva nesta terça-feira (13).

Inicialmente, o advogado cuidaria apenas da defesa de Marisol Castro Sodré. Posteriormente, entretanto, ficou encarregado de “abordar e convencer todos os demais envolvidos a ocultarem a verdade”.

Riva teria colocado o advogado a disposição dos servidores antes de o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) deflagrar a Operação e efetuar as prisões temporárias. É que num primeiro momento, os servidores foram chamados a prestar depoimento em uma ação cível da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.

Prova disso é que os envolvidos forneceram informações mentirosas em seus depoimentos prestados junto ao Ministério. Na oportunidade, os funcionários garantiram ter utilizado a verba de suprimento para compra de produtos essenciais ao funcionamento de um gabinete. Eles também teriam confirmado o recebimento de todo o material adquirido.

No entanto, ao checar as notas entregues pelos servidores, o MPE descobriu que eram falsas. No sistema da Secretaria de Fazenda de Mato Grosso, não havia a movimentação dos produtos, sendo que empresários ouvidos declararam nunca terem fornecido nenhum produto para o Legislativo.

Por conta disso, o Gaeco viu a necessidade de efetuar a prisão temporária dos 20 servidores da Assembleia Legislativa e dois empresários durante a primeira fase.

“A verdadeira intenção seria não apenas frustrar as investigações e impossibilitar a descoberta da verdade, como também blindar o chefe e mentor das práticas criminosas, José Geraldo Riva”, diz trecho do despacho da magistrada.

Nery ocupou cargo comissionado na Assembleia Legislativa até fevereiro de 2015. O advogado também atua como defesa do social-democrata em diversos processos. Além disso, também figura como advogado de diversos nomes envolvidos em supostos esquemas na Casa de Leis.

“Daí a conclusão lógica é que quem forneceu o advogado, a Marisol e a outros servidores não foi a pessoa de Maria Helena, nem Geraldo Lauro, mas sim a organização criminosa, liderada por José Geraldo Riva”, afirma a magistrada Selma Rosane.

O ex-deputado foi preso no final de tarde da última terça-feira (13) quando saia de uma drogaria em Cuiabá. Ele é acusado de chefiar uma organização criminosa que desviou mais de R$ 2,7 milhões dos cofres do Parlamento Estadual por meio de fraudes na utilização da verba de suprimento.

Conforme a juíza, a sua prisão se faz necessária para garantir a instrução processual, uma vez que ele já tentou atrapalhar o curso das investigações quando esta ainda estava em fase de inquérito.

“A realização de reuniões, as combinações espúrias, traçados de estratégias defendidas nada éticas. Abordagem de testemunha e de envolvidos, pressão psicológica e outras tramoias já ocorreram durante a fase de investigação. Certamente, serão os expedientes mais adotados durante a instrução criminal se a liderança da organização criminosa não for freada a tempo”, afirma Selma Rosane.

Além dele, também foram detidos preventivamente Maria Helena Caramelo e Geraldo Lauro. O ex-auditor do Legislativo, Manoel Marques foi preso temporariamente e a sua residência foi alvo de busca e apreensão.

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Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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