Recordar é viver: Como a Globo deu o golpe da barriga em FHC e enviou Miriam para Portugal

por Palmério Doria

Fotomontagem: FHC e Miriam Dutra
Fotomontagem: FHC e Miriam Dutra

Assim como existe carro-forte, existe armário-forte. O do caso FHC-Miriam Dutra não abria nem com pé-de-cabra até abril de 2000, quando Caros Amigos veio com a primeira reportagem sobre o assunto. A revista entrega o jogo logo de cara. “Por que a imprensa esconde o filho de 8 anos de FHC com a jornalista da Globo” é o título que ocupa toda a capa. Não entra em tricas nem futricas, denuncia o silêncio dos grandes grupos de comunicação diante de “um fato jornalístico”, como diz o título da reportagem.

Por isso, os jornalistas que assinamos a matéria de seis páginas – eu, Sérgio de Souza, Mylton Severiano, Marina Amaral, José Arbex e João Rocha – deixam de lado quase todos os detalhes que cercam o romance para ir fundo no essencial: por que, quando lhe interessa, a mídia publica que fulano ou cicrano teve caso fora do casamento; e naquele caso, passou uma década escondendo o caso FHC-Miriam Dutra. Então, em 2000, não era o caso de contar que…

● … o caso de amor começa com a bênção de outro par constante, Alberico de Souza Cruz, o todo-poderoso diretor de jornalismo da Rede Globo, e Rita Camata, a bela deputada federal do PMDB, sensação do Congresso, mulher do senador capixaba Gerson Camata, que um dia seria candidata a vice de Serra nas eleições presidenciais de 2002.

● … mais saborosa que a pauta da Constituinte, as andanças do quarteto na noite brasiliense eram o grande assunto nos círculos políticos e nas redações. Contudo, os diálogos e as situações vividas por eles não renderam um mísero gossip em coluna social alguma.

● … o bafafá com status de rififi que se instalou no gabinete de Fernando Henrique, ouvido no corredor por jornalistas do naipe de Rubem Azevedo Lima, e presenciado por seus assessores, quando Miriam Dutra foi comunicar-lhe a gravidez, seria digno dos melhores bordéis do mangue: “Rameira!”, xingava o senador aos berros. Tudo com direito a efeitos especiais, arrematados por um chute de bico de sapato de cromo alemão no circulador de ar.

● … a operação cala-a-boca-da-Miriam foi organizada por uma força-tarefa: Alberico de Souza Cruz; o então deputado federal José Serra; e Sérgio Motta, que tinha coordenado a campanha de Fernando Henrique para o Senado, seu amigo mais íntimo.

● … o trio maravilha se desdobra. Providencia a mudança da futura mamãe para apartamento mais confortável na Asa Sul – ao botar o colchão no caminhão, um dos carregadores alisou-o e disse para os colegas: “Este é do senador.” (ah, esse povo brasileiro); e, depois do nascimento da criança, à medida que se projetava a candidatura de Fernando Henrique à Presidência, tratam de mudar Miriam para outro país. No caso, Portugal, onde a Globo era parceira da Sociedade Independente de Comunicação (SIC), primeira estação portuguesa de televisão privada. Aí a repórter iniciaria a longa carreira de última exilada brasileira, que chega aos nossos dias.

● … Ruth Cardoso, antropóloga, pouco ficava em Brasília. Tocava vida própria em São Paulo, o que facilitava o caso extraconjugal do marido.

● … Fernando Henrique não contou para Ruth Cardoso o caso extraconjugal durante certa viagem a Nova Iorque como se propala, mas numa casa isolada nos arredores de Brasília, onde o casal descansava nos fins de semana. Foi pouco antes de ele assumir a candidatura. Não se sabe, claro, o que conversaram. O certo é que, por volta das 8 da manhã, jornalistas que ali davam plantão, viram um Gol sair em disparada, com Fernando Henrique ao volante e a mulher ao lado. E foram atrás deles até o Hospital Sarah Kubitschek, onde o casal desapareceu.

● … a futura primeira-dama reapareceria com um braço na tipoia no saguão do hospital. Ao ser abordada pelos repórteres, perdeu sua habitual presença de espírito e afastou-os, quase explodindo: “Me deixem em paz!”

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Segredos de polichinelo

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Não havia, como não há hoje, jornalista em Brasília que não soubesse de tudo quanto se passa, às claras ou nos bastidores. Segredos de polichinelo. Veja fez uma reportagem, mandou repórter atrás de Miriam na Europa (não por coincidência, Mônica Bergamo, que viria a dar na Folha, em 2009, a notícia do reconhecimento do filho adulterino por Fernando Henrique, 18 anos depois). Mas, naquela época, a semanal nada publicou.

Nós também fomos atrás dela na Espanha, onde Miriam passou a morar depois de Portugal: “Perguntem para a pessoa pública”, foi a única coisa que deixou escapar. Ao mesmo tempo, fomos atrás de uma história que envolveu toda a imprensa. E volta a envolver: a história de Tomás Dutra Schmidt. Que a maioria dos colegas, na sua anglofilia, transformou em Thomas. Está lá, no registro do Cartório Marcelo Ribas, conforme cópia autenticada obtida por Marina Amaral, a quem bastou sair do hotel em Brasília, atravessar a pista e entrar no edifício Venâncio 2000, 1º andar, onde a avó materna de Tomás foi declarante do nascimento, ocorrido a 00:15 de 26 de setembro de 1991.

“Por que tanto segredo?”, perguntamos a todos os jornalistas que ocupavam postos de comando nas publicações em que trabalhavam durante a campanha presidencial de 1994. Cada qual apresentou suas razões. Alguns simplesmente desqualificaram o fato.

Outros apelaram para uma ética jornalística válida apenas para FHC. Outros confessaram ainda que guardavam matéria “de gaveta” para a eventualidade de um concorrente sair na frente.

Tentando fazer Caros Amigos sustar a matéria, houve vários tipos de pressões, relatadas uma a uma na reportagem. Algumas sutis, outras ostensivas.

Um amigo jornalista me acenou com emprego público na Petrobras, durante almoço na cantina Gigetto, quando julgavam que eu era o único autor do trabalho. Tinha sido enviado pelo lobista Fernando Lemos, cunhado de Miriam Dutra. O mesmo Lemos que mandou um dublê de jornalista e lobista à redação de Caros Amigos, dizendo estar intercedendo em nome da própria jornalista da Globo, o que ela negou de pés juntos lá em Barcelona.

Um deputado federal do PT ligou-nos para dar “um toque”. Disse que o Planalto estava preocupado com “uma matéria escandalosa” que estaríamos fazendo.

O afável colega Gilberto Mansur chamou Sérgio de Souza e seu sócio Wagner Nabuco de Araújo para jantar no Dinho’s Place da avenida Faria Lima. Começou suave, ponderando que a revista ia criar problemas para si própria, que aquele assunto era irrelevante, que, deixando aquilo pra lá, Caros Amigos passaria a ter o mesmo tratamento da grande imprensa em matéria de anúncios estatais. Vendo que Sérgio de Souza era irredutível, deixou claro que podíamos esquecer a publicidade oficial se publicássemos a matéria, o que já acontecia na prática.

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Eternamente otário

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Na época, Gilberto Mansur, ex-diretor da revista masculina Status, um mineiro maneiro, era braço direito do publicitário Agnelo Pacheco, que havia conquistado a confiança do secretário de Comunicação de FHC – e homem das verbas publicitárias, portanto.

Falamos do embaixador Sérgio Amaral, porta-voz da Presidência, que o colunista de humor José Simão chamava de “porta-joia”, sempre com a pose de “nojo de nóis”.

Juntos, Agnelo e Amaral “operavam” a Caixa Econômica Federal. Agnelo adorava dizer que era um dos depositantes do “Bolsa Pimpolho”, que financiava a vida de Miriam Dutra e seu filho no continente europeu.

O que não tem a menor relevância perto do custo Brasil para alimentar a conspiração de silêncio em torno do romance. Existem hoje, no eixo Brasília-São Paulo, grupos de picaretas que ficaram ricos graças a esse adultério, bem como ao falso DNA agora brandido pela família Cardoso, a fim de evitar mais um herdeiro a dividir l’argent que FHC vai deixar.

Absolutamente contra sua vontade, FHC cai de novo na boca do povo. Mesmo nas edições on-line dos grupos de comunicação que tanto faturaram para esconder o romance, seus leitores vêm pérolas, tais como este comentário sobre a notícia da Folha do teste de DNA negativo, repercutindo nota da coluna Radar, de Veja – autora do furo:

A Globo deu golpe da barriga em FHC: O Brasil pagou caro essa pensão. FHC, quando era ministro da Fazenda, isentou de CPMF todos os meios de comunicação. Em 2000 houve o Proer da mídia, que custou entre US$3 bilhões e US$6 bilhões aos cofres públicos. Ele também mudou a Constituição para permitir que a mídia brasileira, então falida, pudesse contar com 30% de capital estrangeiro. E autorizou que o BNDES fizesse um empréstimo milionário à Globo.

Ricardo J. Fontes: DNA falso você pode conseguir com qualquer R$10 milhões em qualquer esquina de São Paulo ou Washington, onde Tomás estuda. Mas se FHC, de fato, não for o pai, o Brasil merece conhecer o pai verdadeiro, o homem que tomou dinheiro dos Marinhos e de FHC durante 20 anos e carimbou de vez o ex-presidente como, além de entreguista, zé-mané, trouxa, pangaré, terceirizado. Enfim, otário.

In Limpinho & Cheiroso, lido na redecastorphoto, texto publicado em 16/7/2001, e republicado por Maria Luiza Quaresma Tonelli, no Facebook, que comenta:

“Vejam aí nessa matéria qual o papel de Alberico Souza Cruz, ex-todo-poderoso da Globo, no que se refere ao caso amoroso entre FHC e a jornalista da Globo. Só para lembrar, a mulher de Eduardo Cunha é ex-mulher de Alberico. Cunha deve saber de coisas sobre a Globo que até Deus duvida…”

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Urariano Mota: Dilma e a seca humana em Cabrobó

 

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O jornalista e escritor pernambucano Urariano Mota, em sua coluna Prosa, Poesia e Política, fala sobre a chegada de água com as obras de transposição do Rio São Francisco numa das regiões mais secas do Brasil, Cabrobó (PE). Urariano também questiona a postura da grande mídia que não faz a cobertura que deveria para um acontecimento desse porte.

“E ninguém fez (o combate à seca), desde o império, desde as lagrimas de crocodilo choradas pelo ditador Médici, quando visitou o Nordeste na seca. Mas por enquanto, até esta hora, Dilma não apareceu na notícia nem as obras existem. Que venham as águas para distribuir a verdade”, disse o escritor.

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Ouça Urariano Mota

DIREITA VOLVER Analfabetismo político e ódio dos golpistas

Arte sobre foto de Alex Silva
Arte sobre foto de Alex Silva

Gaúcha de nascimento e paulistana de coração, Inoil Amaral Rodrigues, de 70 anos, professora aposentada do Ensino Fundamental e especializada em alfabetização, marcou a Internet no último domingo (16) após ser fortemente hostilizada por manifestantes, na Avenida Paulista, simplesmente por estar vestida de vermelho. Em diferentes registros de vídeo e uma foto que registrou exatamente o episódio, de autoria do fotógrafo Luciano Marra, Inoil aparece reagindo com coragem e paciência aos atos de agressão verbal e ódio vindos de paulistanos trajados de camisas da seleção brasileira e apetrechos dos mais esquisitos na cabeça. Parecia Copa do Mundo, mas eram só as excentricidades de uma galera muito louca.

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Dona Inoil ficou conhecida como “Dama de Vermelho” na internet, em alusão à cor que lhe rendeu atenção por parte das agressões fascistas e de parte da imprensa (uma pequena parte interessada em se aprofundar nos assuntos, é claro).

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O mandato político da deputada federal Jandira Feghali, líder do PCdoB na Câmara, se sensibilizou com o episódio e declarou apoio a ela e tantas outras pessoas que foram alvo de reações agressivas, simplesmente por quererem expressar o contraditório naquele dia, em diferentes pontos do Brasil. Por isso, com produção e entrevista do repórter Bruno Trezena, nossa seção “2 Dedos de Prosa” desta semana é com ela.

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Com a palavra, a Dama de Vermelho.

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Bruno Trezena: Vamos do início? Como a senhora foi parar naquela situação?

Inoil Amaral: Primeiramente, permita-me explicar, não sou militante de nenhum partido. Tenho militância simpática aos governos de Lula e Dilma, mas o que se viu naquele dia foi um absurdo tamanho comigo e outras pessoas. Desde quando é proibido sair às ruas vestido de vermelho, mesmo que haja manifestações contrárias ao PT? Onde está a liberdade de expressão?

Para se ter uma ideia, naquele dia nem me lembrava que haveria atos contra a Dilma. Tanto que o que chamou a atenção dessas pessoas foi o casaco vermelho que eu levava dentro da bolsa e, quando tudo explodiu em agressão, ergui sob a cabeça.

O dia ocorria normalmente. Mais cedo havia ido à feira e um dos vendedores me disse que teria que fechar mais cedo por conta do tal protesto na Avenida Paulista. Voltei pra casa, almocei e resolvi ir à rua pra ver como estava a movimentação.

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BT: E o que aconteceu quando a senhora chegou no local?

IA: Vi os carros de som estacionados, as pessoas passando pra lá e pra cá e resolvi entender o que dizia um dos manifestantes no microfone. Parei na ciclovia e fiquei lá, ouvindo. Nessa hora notei um senhor de cinza, com uma roupa lembrando farda militar, gesticulando na minha direção de longe. Ele fazia movimentos bruscos com a mão, dando a entender para que eu saísse dali. Achei aquilo tudo muito estranho. E foi aí que notei uma senhora atrás de mim, de amarelo, acompanhada de uma moça bem humilde – acho que era a empregada dela – me fitando com uma cara de raiva. Quando me virei ela perguntou: “Por que você está vestida assim?”. E eu perguntei qual era o problema da minha roupa, mas ela continuou: “Você é do PT?”. Segui explicando que estava acompanhando a manifestação como todo mundo e tinha direito de estar ali. Não demorou muito para que as agressões começassem.

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BT: Nas imagens a senhora aparece andando por uma rua e respondendo calmamente às agressões que vinham na sua direção. Por que aquilo?

IA: Em determinado momento, um senhor fardado se aproximou e me questionou sobre estar ali. Qual o problema da minha presença? Tentei explicar, mas ele logo saiu perguntando de forma agressiva: “A senhora é comunista? Eu sou capitão do exército e advogado, acho melhor a senhora sair daqui, vai começar o hino nacional”. Foi quando eu disse em sua direção: “E daí o que o senhor é. O senhor pode ser o que quiser. Eu vou continuar aqui da mesma forma que vocês. E eu respeito o hino, vocês eu não respeito”. Assim que acabou o hino, seguido do silêncio, eu gritei: “Viva a democracia! Viva a liberdade de expressão!”. E aí tudo começou.

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BT: Que tipo de agressões a senhora sofreu?

IA: Todos se viraram pra mim e passaram a me acusar de petista, comunista, de terrorista ou sei lá mais o que. Carros começaram a buzinar e um monte de gente a gritar palavrões na minha direção. Algumas pessoas passaram a assoprar aquelas vuvuzelas no meu ouvido, tentando me atingir de alguma forma. E eu continuei meu caminho, de braço erguido com a cor que tanto incomodava aquele estranho grupo. É isso, eles tinham medo do vermelho. É uma fobia inexplicável, de gente com muita desinformação nas ruas, sem saber o que quer realmente da vida. É um absurdo o que aconteceu, mas eu sigo em paz.

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BT: O que a senhora presenciou nesses atos, antes da confusão começar?

IA: Coisas terríveis. Num desses carros de som, um senhor fardado gritava no microfone que as forças militares fariam uma reunião no Quartel General do Exército, ali no Ibirapuera, e que precisavam reagir a entrada de árabes no país. Diziam que eles fariam terrorismo com ajuda do governo brasileiro. Mas eu digo, meu filho, terrorismo são essas pessoas que estão fazendo diariamente no Brasil. Eles amedrontam o povo, inventando coisas e deturpando a História, gerando um grande temor na sociedade. É através do medo e da raiva que eles estão tentando trazer o povo pro lado deles. É uma tática suja, do tipo de gente que criou a Ditadura.

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BT: Muitas dessas pessoas pedem o retorno da Ditadura no Brasil…

IA: Olha, isso jamais. Não entendo o que eles estão fazendo nas ruas, exigindo intervenção militar… onde essas pessoas estavam quando milhares de famílias foram destroçadas pelo Regime Militar? Diversos cidadãos estão traumatizados até hoje por conta da perseguição política e dos crimes de Estado. Lembro até hoje, quando tive meu primeiro filho, o que soldados daquela época fizeram com uma conhecida. Um pelotão deles apareceu de repente na minha rua e tiraram dos braços de uma vizinha seu filho de apenas dois anos. É muito doloroso recordar isso e, como se vê, tem gente que não faz a mínima noção do que clama por aí.

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BT: Inoil, sua determinação virou símbolo a diversas pessoas do Brasil. Se tivesse a oportunidade de dizer algo à presidenta Dilma, o que falaria?

IA: Eu falaria pra que ela fique tranquila, como eu fiquei, pois foi a maioria popular que a elegeu. Foi democrático, dentro do sistema eleitoral. O povo trabalhador mais humilde gosta dela, e eles não serão afetados por este ódio elitizado. A diferença de opinião política vai existir, mas todos têm que respeitar a democracia. Tem gente aí que quer tentar dar o golpe, mas não vão passar.

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BT: A senhora passou…

IA: A Dilma também vai. E de coração valente.

O que a igreja evangélica de Cunha fará com os “dízimos” que ele depositou?

por Kiko Nogueira

Ele na Assembleia de Deus: 125 mil reais em “doações”, segundo a denúncia
Ele na Assembleia de Deus: 125 mil reais em “doações”, segundo a denúncia

Enfim o o procurador Rodrigo Janot denunciou Eduardo Cunha no STF pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Há um detalhe curioso para um devoto apaixonado do Altíssimo, como Cunha. A Assembleia de Deus teria intermediado o recebimento de pelo menos 500 mil reais em propina em 2012, segundo a PGR.

“Fernando Soares, por orientação do Deputado Federal Eduardo Cunha, indicou a Júlio Camargo que deveria realizar o pagamento desses valores à Igreja Evangélica Assembleia de Deus. Segundo Fernando Soares, pessoas dessa igreja iriam entrar em contato com o declarante”, afirma a denúncia.

A quantia foi repassada a uma filial em Campinas, interior de SP. O chefe, ali, é um pastor chamado Samuel Ferreira, que responde ao irmão, o presidente da Assembleia de Deus Madureira no Rio, Abner Ferreira.

Abner é próximo de Cunha. Foi lá, no bairro carioca, que Cunha comemorou a vitória como deputado, em fevereiro. Em sua campanha, recebeu o apoio maciço das maiores lideranças evangélicas, incluindo o picareta Silas Malafaia, que agora renega EC como Pedro a JC.

“O Satanás teve que recolher cada uma das ferramentas preparadas contra nós. Nosso irmão em Cristo é o terceiro homem mais importante da República”, disse um extático Abner Ferreira na Câmara.

Em maio de 2014, Abner participou de um certo Congresso dos Gideões Missionários da Última Hora (não é nome de uma banda de heavy metal), em Santa Catarina.

Ali, Abner pôs-se a criticar, veja só, os candidatos que, em anos de pleito, tentam comprar líderes religiosos. “Em alguns lugares que nós vamos por ai políticos falam na nossa cara: aquele pastor, daquele lugar lá, eu compro ele no cobre”, disse no púlpito.

“É isso que muitas autoridades precisam entender: a igreja não está à venda. O nosso ministério não está à venda”, discursou. “Aqui não se vende milagre, nem prodígio e nem maravilha. Homem de Deus não aceita dinheiro sujo”.

Continuou sua peroração: “Essa época eleitoral é uma das piores épocas para a igreja. O que tem de gente se prostituindo espiritualmente por aí é uma coisa de louco. É uma vergonha!”

Pois é. Como se trata de um servo do Senhor, Abner certamente está, neste momento, refletindo sobre a grana entregue pelo amigo Eduardo Cunha. Jesus o iluminará no sentido de dar, no mínimo, uma explicação. Seu rebanho merece conhecer a verdade. Abner, provavelmente, não sabia de nada.

Não que haja algo necessariamente errado na transação. De jeito nenhum. Sempre se pode contar com a possibilidade de que se tratava apenas do dízimo generoso do querido irmão Eduardo ou da vontade do Espírito Santo.

Sid
Sid

Silas

184 anos de cadeia para Cunha

Nani
Nani

Procuradoria Geral da República cita casos de corrupção praticados por Eduardo Cunha e mais de 60 manobras diferentes de lavagem de dinheiro. Considerando a soma mínima de cada um dos crimes, a conta chegaria a 184 anos de prisão. Total pedido em restituição chega a U$ 80 milhões. Partidos e deputados já exigem o afastamento do presidente da Câmara.

Rodrigo Janot aponta que o peemedebista recebeu vantagens indevidas para viabilizar a contratação do estaleiro Samsung pela Petrobras, e pede ‘restituição do produto e proveito dos crimes no valor de US$ 40 milhões e a reparação dos danos causados à Petrobras e à Administração Pública também no valor de US$ 40 milhões’.

De acordo com a lei brasileira, se a justiça colocasse ladrão de colarinho branco na cadeia, Cunha ficaria 30 anos em regime fechado, o máximo permitido pela legislação. Isso nem imaginar, que a justa reconhece o velho ditado: quem rouba um tostão, barão; um milhão, barão.

O humor negro é que o pedido de prisão foi realizado no dia que Cunha fez diminuir a maioridade penal da justiça PPV de 18 para 16 anos. Na Câmara,  a proposta obteve 320 votos a favor e 152 contra. A matéria será enviada ao Senado.

Amarildo
Amarildo