O título de doutor honoris causa do Institut d’études politiques de Paris e a pergunta imbecil: “Por que Lula e não Fernando Henrique Cardoso?”

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O Institut d’Études Politiques de Paris (Instituto de Estudos Políticos de Paris, ou simplesmente Sciences Po) é uma instituição pública francesa de ensino superior especializada nas áreas de Ciências Humanas e Sociais. O Instituto forma juntamente com a Fondation Nationale des Sciences Politiques a instituição conhecida como Sciences Po Paris. A universidade Sciences Po Paris é uma grande école e por isso possui um sistema de seleção mais disputado e exigente do que o das demais universidades francesas. A escola foi criada em 1872 por Émile Boutmy, posteriormente a Guerra franco-prussiana com objetivo de criar, educar e desenvolver uma nova elite francesa. A escola chamava-se inicialmente “École libre des sciences politiques”. Foi após o fim da Segunda Guerra Mundial que o então presidente Charles de Gaulle resolveu modificar a gestão da escola e ampliar suas funções públicas como centro de pesquisa criando a Fondation Nationale des Sciences Politiques para funcionar como gestora principal do reformulado Instituto de Estudos Políticos. Na concepção da Sciences Po, o termo estudos políticos faz menção não apenas à ciência política, mas também aos estudos de economia, direito, sociologia, filosofia, história, jornalismo, administração, entre outros.

Como uma das mais prestigiadas e atraentes grandes écoles francesas, a Sciences Po destaca-se entre os mais renomados e fecundos centros de estudo superior da Europa. Consequentemente, em suas áreas, a escola encontra-se nas primeiras posições entre os mais reconhecidos estabelecimentos acadêmicos do mundo. Sendo a principal referência francesa nas áreas de política, economia política e relações internacionais. Em 2013 foi classificada como a melhor universidade de estudos internacionais e políticos da Europa continental.

A entrada da Sciences-Po Paris, embandeirada para receber Lula
A entrada da Sciences-Po Paris, embandeirada para receber Lula

Gestão
A Sciences Po Paris é gerenciada pela Fondation nationale des sciences politiques (FNSP), fundação privada de utilidade pública, que é presidida atualmente por Jean-Claude Casanova. Já o atual diretor da Sciences Po Paris é Frédéric Mion. A Sciences Po Paris é também membro fundador da Sorbonne Paris Cité[2], o pólo de pesquisa e ensino superior que agrupa algumas das principais universidades de Paris. O reitor atual da Sorbonne Paris Cité é Jean-François Girard.

Diretores da Sciences Po
1945–1947 : Roger Seydoux
1947–1979 : Jacques Chapsal
1979–1987 : Michel Gentot
1987–1996 : Alain Lancelot
1996-2012 : Richard Descoings
2013-? : Frédéric Mion

Alunos
Ao longo de sua história passaram pela Sciences Po Paris muitos alunos que se tornariam célebres na França e no restante do mundo. Entre outros, são diplomados desta universidade o escritor Marcel Proust, o secretário-geral da ONU Boutros Boutros-Ghali, o estilista Christian Dior, o príncipe Rainier III de Mônaco, além dos Diretores-gerais do FMI Dominique Strauss-Kahn e Michel Camdessus e do Diretor-Geral da OMC Pascal Lamy.

Notoriamente, a Sciences Po Paris detém ampla ascensão sobre a política francesa, sendo comum que os mais altos cargos da administração pública sejam ocupados por pessoas que passaram por essa escola e/ou pela Escola Nacional de Administração. Veja abaixo alguns dos políticos franceses que se graduaram na Sciences Po Paris (Fonte: Annuaire des anciens élèves de Sciences-Po):

Lista de primeiros-ministros da França diplomados de Sciences Po Paris
Michel Debré (diplomado em 1933)
Raymond Barre (diplomado em 1948)
Laurent Fabius (diplomado em 1969)
Jacques Chirac (diplomado em 1954)
Michel Rocard (diplomado em 1952)
Edouard Balladur (diplomado em 1950)
Alain Juppé (diplomado em 1968)
Lionel Jospin (diplomado em 1959)
Dominique de Villepin (diplomado de 1973)

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Lista de presidentes da República francesa diplomados de Sciences Po Paris
Há três décadas todos os chefes de estado da França são ex-alunos da Sciences Po.

François Hollande: presidente em exercício.
Jacques Chirac (diplomado em 1954): presidente entre 1995 e 2007
François Mitterrand: presidente entre 1981 e 1995

Imprensa Brasileira vai à França reclamar de prêmio Honoris Causa de Lula e passa vergonha

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Alguns órgãos de imprensa como Jornal O Globo mandaram repórteres a França para questionar Institut d’études politiques de Paris 
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Lula

Por Eduardo Guimarães

Não pode passar batido um dos momentos mais ridículos do jornalismo brasileiro. Acredite quem quiser, mas órgãos de imprensa brasileiros como o jornal O Globo mandaram repórteres à França para reclamar com Richard Descoings, diretor do instituto francês Sciences Po, por escolher o ex-presidente Lula para receber o primeiro título Honoris Causa que a instituição concedeu a um latino-americano.

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A informação é do jornal argentino Pagina/12 e do próprio Globo, que, através da repórter Deborah Berlinck, chegou a fazer a Descoings a seguinte pergunta: “Por que Lula e não Fernando Henrique Cardoso, seu antecessor, para receber uma homenagem da instituição?”.
No relato da própria repórter de O Globo ,que fez essa pergunta constrangedora, havia a insinuação de que o prêmio estaria sendo concedido a Lula porque o grupo de países chamados Bric’s (Brasil, Rússia, Índia e China) estuda ajudar a Europa financeiramente, no âmbito da crise econômica em que está mergulhada a região.

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A jornalista de O Globo não informa de onde tirou a informação. Apenas a colocou no texto. Não informou se “agrados” parecidos estariam sendo feitos aos outros Bric’s. Apenas achou e colocou na matéria que se pretende reportagem e não um texto opinativo. Só esqueceu que o Brasil estar em condição de ajudar a Europa exemplifica perfeitamente a obra de Lula.
Segundo o relato do jornalista argentino do Pagina/12, Martín Granovsky, não ficou por aí. Perguntas ainda piores seriam feitas.

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Os jornalistas brasileiros perguntaram como o eminente Sciences Po, “por onde passou a nata da elite francesa, como os ex-presidentes Jacques Chirac e François Mitterrand”, pôde oferecer tal honraria a um político que “tolerou a corrupção” e que chamou Muamar Khadafi de “irmão”, e quiseram saber se a concessão do prêmio se inseria na política da instituição francesa de conceder oportunidades a pessoas carentes.

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Descoings se limitou a dizer que o presidente Lula mudou seu país e sua imagem no mundo. Que o Brasil se tornou uma potência emergente sob Lula. E que por ele não ter estudo superior sua trajetória pareceu totalmente “em linha” com a visão do Sciences Po de que o mérito pessoal não deve vir de um diploma universitário.

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O diretor do Science Po ainda disse que a tal “tolerância com corrupção” é opinião, que o julgamento de Lula terá que ser feito pela história levando em conta a dimensão de sua obra (eletrificação de favelas e demais políticas sociais). Já o jornalista argentino perguntou se foi Lula quem armou Khadafi e concluiu para a missão difamadora da “imprensa” tupiniquim: “A elite brasileira está furiosa”.

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Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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