Hospitais improvisados, choro e desespero no Paraná

BRA_FDL 200 feridos

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PM usa bomba e bala de borracha contra professores

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O Centro Cívico se transformou ontem em uma praça de guerra. Segundo informações da Prefeitura de Curitiba, mais de 200 pessoas ficaram feridas durante o conflito entre tropas da Polícia Militar e professores e servidores estaduais que se manifestavam em frente à Assembleia Legislativa contra a aprovação do projeto de lei que altera a Paranaprevidência, proposto pelo governo Beto Richa (PSDB). Cerca de 150 feridos foram atendidos em 12 ambulâncias. Outros 63 feridos foram encaminhados para Unidades de Pronto Atendimento. O Hospital Cajuru recebeu 36 pacientes, e o Hospital do Trabalhador, outros sete feridos. Segundo o governo do

Estado, 40 manifestantes ficaram feridos e outros 20 policiais. Um cinegrafista da TV Bandeirantes foi mordido por um pitbull da Tropa de Choque.

Por volta das 15 horas, os manifestantes tentaram transpor a primeira barreira de policiais que impedia a entrada na Assembleia Legislativa e houve confronto. A partir deste momento, foram disparadas bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha contra os manifestantes. O disparo de bombas durou uma hora e meia e só se encerrou por volta das 16h30, quando os professores recuaram um pouco do cordão de isolamento e se concentraram mais na área da Prefeitura de Curitiba. A cada passo que os manifestantes davam para tentar avançar novamente em direção à Assembleia Legislativa, mais bombas eram lançadas. Os policiais também usaram jatos de água.

Antes do início do conflito, os manifestantes gritavam palavras de ordem como “retira ou rejeita” o projeto que alteraria as regras da Paranaprevidência. O volume de bombas atirado contra os manifestantes foi muito grande, mas a Polícia Militar não soube informar o número exato. A confusão era tão grande que nem ambulâncias conseguiam passar para atender os feridos. Depois de cerca de 15 minutos de bombardeio, os dirigentes sindicais que estavam no carro de som gritavam “Chega governador! Não estamos armados.” A todo momento os manifestantes xingavam o governador de covarde. No início da noite, os manifestantes deixaram o Centro Cívico. A APP Sindicato, que representa os profissionais da rede estadual de ensino, informou que faria uma reunião ontem à noite para definir os rumos da paralisação que iniciou na última segunda-feira.

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CHORO E DESESPERO

O subsolo da Prefeitura virou um verdadeiro hospital de guerra. O primeiro atendimento aos feridos aconteceu no prédio da Prefeitura. O cenário era de muita gente chorando, desesperada e com medo. A estudante de Direito Isabel Cortes foi atingida por estilhaços de bomba e estava com a perna sangrando. Ela foi atendida na Prefeitura. Os feridos também foram atendidos em um centro médico improvisado no Tribunal de Justiça. Era possível ver pessoas desacordadas e sangrando. Um centro de educação infantil da prefeitura que atende 150 crianças de três meses a cinco anos no Centro Cívico chamou os pais para buscarem os filhos quando as bombas começaram a ser disparadas.

A fumaça do gás lacrimogênio atingiu o local e algumas crianças começaram a passar mal.

Em nota, o governo do Paraná disse lamentar “os atos de confronto, agressão e vandalismo” e que as reiteradas tentativas dos manifestantes de invadir a Assembleia Legislativa culminaram com a ação de defesa das forças policiais. Ainda de acordo com o governo, 13 pessoas foram detidas por envolvimento direto no ataque aos policiais. Essas pessoas seriam ligadas ao movimento black-bloc e está em curso uma investigação sobre a atuação delas durante a manifestação. Segundo o comandante geral da PM, coronel César Kogut, a ação de ontem contou com 1.600 policiais. Ele disse ainda que não houve falha da polícia. “A agressão partiu dos manifestantes que iriam romper a barreira. A nossa missão era cumprir a ordem judicial de não invadir a Assembleia”, afirmou.

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Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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