Dilma na posse de Evo

A posse de Evo Morales não é notícia no Brasil. A Bolívia era exaltada quando uma republiqueta de banana, quintal dos Estados Unidos, com presidentes que eram derrubados por golpes da pirataria internacional.

Quem, realmente, governava a Bolívia era o embaixador dos Estados Unidos.

Hojemente, a imprensa brasileira considera a Bolívia um país do eixo do mal, presidido por um índio, desmerecendo e desconsiderando os 15 por cento da população branca.

 

O Valor Econômico publica uma notinha, com o aviso de Evo: “Na Bolívia, não mandam os Chicago boys, nem os Estados Unidos. Aqui mandam os índios”. Confira

O Zero Hora aproveita para declarar guerra aos hermanos. Leia a reportagem venenosa: Dilma chegou à Bolívia às 11h24 (horário de Brasília) e foi recebida no aeroporto pelo prefeito de El Alto, Edgar Hermógenes – o município é vizinho à cidade de La Paz. Ao contrário do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, Dilma não fez nenhuma declaração ao chegar ao local. A presidente recebeu do prefeito as chaves da cidade e uma manta rosa, que vestiu por poucos minutos, até devolvê-la ao entrar em um carro oficial.

A presidente recebeu uma manta típica, que vestiu por poucos minutos, até devolvê-la ao entrar em um carro oficial Foto: Roberto Stuckert Filho
A presidente recebeu uma manta típica, que vestiu por poucos minutos, até devolvê-la ao entrar em um carro oficial
Foto: Roberto Stuckert Filho

Informa a agência BBC, que defende os interesses do antigo império inglês: Os laços com a Bolívia – país com o qual o Brasil compartilha sua maior fronteira (3,4 mil quilômetros) – se estremeceram nos últimos anos, principalmente depois do asilo político concedido ao senador oposicionista Roger Pinto Molina, em 2012.

Molina, senador oposicionista que é acusado de corrupção e responde a 14 processos no país, pediu asilo ao Brasil em maio de 2012 argumentando preseguição política. O pedido foi atendido pelo governo Dilma.
No entanto, a Bolívia não concedeu salvo conduto para que ele deixasse o país, de modo que o Molina viveu por quase 15 meses na Embaixada brasileira em La Paz. O impasse levou o diplomata Eduardo Saboia a fugir com o senador para o Brasil, mesmo sem autorização prévia do Itamaraty.
A socióloga brasileira Fernanda Wanderley, que vive há duas décadas na Bolívia e é professora da Universidad Mayor de San Andrés, em La Paz, lembra que o episódio Molina traz consequências práticas até hoje. Desde a fuga do senador em agosto de 2013, a Embaixada brasileira em La Paz não tem um embaixador oficial. O cargo vem sendo ocupado interinamente desde a retirada de Marcel Biato, que não agradava Morales. Atualmente está à frente da Embaixada o encarregado de negócios Antonio José Resende de Castro.

Nesse contexto, a professora acredita que a vinda de Dilma pela primeira vez ao país para prestigiar a posse de Morales seja um gesto que pode melhorar o relacionamento entre os dois países.
Para comparecer à La Paz, a presidente desmarcou sua ida ao Fórum Econômico de Davos, na Suiça. Com a presença na cerimônia de Morales, Dilma também retribui a ida do líder boliviano a Brasília para sua posse de segundo mandato.

Presença de Dilma na posse de Evo Morales pode melhorar o relacionamento entre os dois países

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Um comentário sobre “Dilma na posse de Evo”

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