Por que a Operação Lava Jato esconde o tráfico de diamantes?

Em entrevista concedida a Pedro Cifuentes, publicada no jornal espanhol El País, o delegado Marcio Adriano Anselmo,  que iniciou a investigação, que resultou na Operação Lava Jato, foi por acaso que se chegou ao esquema de Paulo Roberto Costa.

Significa que a investigação inicial visava outros crimes, que a imprensa escondeu dentro do esquema de vazamento de informações como propaganda política, durante a campanha presidencial (eleições do primeiro e do segundo turno), que visava eleger Aécio Neves.

Derrotado o candidato tucano, por que a imprensa não concede nenhuma linha aos demais doleiros envolvidos, que “transferiam somas elevadas ao estrangeiro, usando uma rede com mais de cem empresas de fachada e centenas de contas bancárias que remetiam milhões de dólares para a China e Hong Kong. As companhias, pura cosmética financeira, simulavam importações e exportações com o único propósito de receber e mandar dinheiro, sem comércio algum de produtos ou serviços reais.

As autoridades judiciais calculam que a quantia desviada chega a 10 bilhões de reais. O dinheiro provinha principalmente do tráfico de drogas, do contrabando de diamantes e do desvio de recursos públicos (nesse caso, como seria posteriormente revelado, em obras encomendadas pela Petrobras a grandes empreiteiras, com orçamentos de bilhões de reais, dos quais eram sistematicamente desviados pelo menos 3% em subornos). Posteriormente, e independentemente da origem do dinheiro lavado, os valores eram reintroduzidos no sistema mediante negócios de postos de gasolina, lavanderias e hotéis”.

Até hoje não foram revelados os nomes dos traficantes de diamantes e de drogas, os principais e poderosos beneficiados pelo tráfico de dinheiro da Operação Lava Jato. Também ficaram encantados os postos de gasolina e hotéis.

O mesmo doleiro, o mesmo juiz, o mesmo advogado da Operação Lava Jato participaram do Caso Banestado, também relacionado com o tráfico de diamantes.

Relata Allan de Abreu:

Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banestado investiga uma suposta ligação do comércio ilegal de diamantes provenientes do garimpo do rio Grande com um dos maiores esquemas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas da história brasileira, responsável pelo envio de pelo menos US$ 30 bilhões (R$ 89,7 bilhões) para o exterior. “Estamos investigando o caso”, confirma a senadora e membro da CPMI Serys Slhessarenko (PT-MT), sem revelar mais detalhes. “No momento oportuno, vamos revelar tudo.” No entanto, o Diário apurou que, por sete anos – de 97 até maio deste ano – o garimpo, localizado entre Frutal (MG) e Guaracia, tornou-se cenário de um mercado negro de diamantes muito bem organizado.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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