Com racionamento, a água de São Paulo fica mais cara e enriquece os acionistas da Sabesp

santo água alckmin

O Brasil está vendendo uma de suas principais riquezas: a água. Um entreguismo que começa com a privatização das empresas de abastecimento, outorgas de fontes, e o uso clandestino dos dois maiores aquíferos do mundo. E qualquer notícia sobre o tráfico de água é recebida como uma piada.

Em São Paulo, 53 por cento da população acham que a falta d’àgua é culpa de Dilma e Haddad. Quando o racionamento vai enricar duas vezes mais os acionistas estrangeiros da  Sabesp que residem nos Estados Unidos. Que Alckmin vendeu a empresa, e ninguém sabe para onde foi o dinheiro. Parece a grana do suborno do metrô de São Paulo, uma grana bicada pelos tucanos, que se tem notícia pela justiça de fora, que a brasileira faz questão de desconhecer. Quando São Paulo possui – para o povo pagar – o maior e mais caro tribunal do mundo.

No sub-solo de São Paulo está situado parte do Aquífero Guarani, que era considerado, até recentemente, o maior do mundo. Que geógrafos venezuelanos descobriram o Aquífero Alter do Chão, também localizado no Brasil, na Amazônia.

ÁGUA DE ESGOTO PARA O POVO
ÁGUA MINERAL PARA OS RICOS

Amorim
Amorim

 

Alckmin quer reaproveitar as águas dos esgotos para o povo beber, quando o Aquífero Guarani seria capaz de abastecer a população mundial por mais de cem anos.

Numa possível falta de água doce no futuro, este recurso será de extrema importância para a humanidade. Agora o leitor entende o motivo de Alckmin deixar de lado o projeto de exploração do Guarani, cuja reserva fica numa profundidade de, aproximadamente, 1500 metros. E que tem capacidade para abastecer, de forma sustentável, cerca de 400 milhões de habitantes, com 43 trilhões de metros cúbicos de água doce por ano.

A decisão de Alckmin é oferecer água de merda para o povo, enriquecendo os acionistas da Sabesp, parasitas especuladores brasileiros e estrangeiros.

RACIONAMENTO D’ÁGUA
TORMENTO DOS POBRES

água chuva

por Eduardo Guimarães

Na última quarta-feira (7/1), a Sabesp foi autorizada pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) a aplicar multa de 40% a 100% para quem consumir mais água neste ano no comparativo entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014. A medida deve ser publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (8).

Confira, abaixo, o gráfico explicativo sobre o sistema elaborado pelo governo paulista para punir quem consumir mais água do que o permitido.

furto

Como se vê, não será preciso que os moradores da capital paulista gastem muita água para ser multados. Na verdade, terão que gastar menos água do que costumam gastar no verão, porque a base de cálculo que será utilizada pelo governo Alckmin para punir quem ultrapassar o racionamento – que, até agora, a mídia local não chamou pelo nome – se baseia na média de 12 meses de um ano antes de o problema se agravar (2013).

Como a média de 12 meses pega outono, inverno e primavera, meses em que a população consome menos água, e é aplicada no verão, a base para multar os paulistanos, que apoiaram com tanto entusiasmo o governo Alckmin nas últimas eleições, é uma trapaça: quem não reduzir o consumo que costuma ter no verão, irá pagar até o dobro pela conta de água.

ACIONISTAS DA SABESP
IRÃO “LAVAR A ÉGUA”

água sabesp

Os acionistas da Sabesp agradecem. Com o perdão pela piada infame, os detentores de ações da Sabesp (percentual infinitesimal da população da cidade) irão “lavar a égua”.

Como se explica, então, que o governador Geraldo Alckmin tenha conseguido se reeleger em 1º turno com uma votação tão consagradora? Como se explica, aliás, que mesmo após o anúncio das punições para quem não DIMINUIR o consumo de água não tenha havido uma revolta na cidade?

Mas o que importa mesmo é que enquanto um grupo de paulistanos vai à rua para protestar contra um pequeno aumento no preço das passagens, ninguém sai para protestar contra o descomunal aumento no preço da água justamente quando o serviço prestado pelo governo do Estado, nesse setor, piora de forma absurda, com racionamento velado e preços MUITO mais caros.

A que se deve isso? Deve-se ao fato (comprovado) de que a maioria dos moradores da capital paulista não sabe de quem é a responsabilidade pela distribuição de água, mas pensa que sabe.

Durante o primeiro turno das eleições deste ano, a população paulistana escolheu seu novo governador sem saber que o problema de água, que então já se fazia sentir, foi causado por incompetência dos governos do PSDB desde 2004.

A insuficiência do Sistema Cantareira, que abastece 47% da região metropolitana de São Paulo, é um problema que o governo paulista conhecia desde 2004. Naquele ano, a Agência Nacional de Águas (ANA), órgão federal, renovou a concessão da Sabesp para distribuir água no Estado de São Paulo. No documento de concessão da outorga dada à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em 2004 para explorar por dez anos o reservatório Cantareira, o artigo 16 estipulava que a empresa deveria realizar em 30 meses “estudos e projetos que viabilizassem a redução de sua dependência do sistema”.

Passaram-se dez anos e nada foi feito.

Ainda assim, Alckmin se reelegeu com 57% dos votos válidos. Em primeiro turno. Ele e José Serra, que governaram São Paulo de 2004 até o ano passado, não cumpriram o acordo firmado naquele ano com o governo Lula e, ainda assim, a população paulistana apoia o PSDB como se estivesse fazendo um grande governo.

A explicação para isso está em uma pesquisa Datafolha publicada no dia 20 de outubro, que mostra que a população da maior cidade do país não sabe de quem é a culpa pelo sofrimento que vem passando com o racionamento velado de água – que irá piorar, porque, além desse desconforto, ainda terá que pagar mais pelo péssimo serviço da Sabesp.

A pesquisa Datafolha em questão foi divulgada pelo jornal naquele mês, mas escondeu um dado assustador: 53% dos paulistanos atribuem os problemas na distribuição de água a Dilma Rousseff e ao prefeito Fernando Haddad, ambos do PT, apesar de a responsabilidade pelo problema ser exclusivamente do governo do Estado, controlador da Sabesp. Leia mais . Confira os links.

 

choro água sao paulo

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Um comentário sobre “Com racionamento, a água de São Paulo fica mais cara e enriquece os acionistas da Sabesp”

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