A queda do rublo foi jogada de Putin

Gatis Sluka
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A imprensa ocidental festejou a queda do rublo. Os economistas da direita dos jornalões de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília profetizaram um ano de recessão para o Brasil por ser um dos cinco países que formam o BRICS, e continuar no Mercosul, irmanado com a Argentina, Uruguai, Venezuela, Equador, Bolívia.

A queda do rublo foi uma jogada de mestre de Putin. Todo (o) mundo caiu.

Gatis Sluka
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Escreveu Diogo Bercito: POR QUE A QUEDA DO RUBLO PREOCUPA?

Segurem na mão do Mundialíssimo blog, porque a moeda russa vem logo atrás deslizando ladeira abaixo. Como relata uma reportagem do “New York Times” nesta terça-feira, casas de câmbio piscam ininterruptamente as novas cotações do rublo, enquanto russos correm a lojas para comprar máquinas de lavar e televisões. A moeda havia aberto em 64 rublos o dólar. Enquanto eu escrevia este texto, já estava abaixo de 80 –não tomem o número como referência, porque já terá mudado quando vocês lerem.

A Rússia, informa o NYT, é vítima de sanções ocidentais e do baixo preço do petróleo e deve entrar em recessão no ano que vem. O governo não tem reservas o suficiente para reverter o caos econômico, e mercados globais se dão conta de que a crise pode contaminar o sistema em breve.

O “Boston Herald” afirma em um texto que a queda –descrita por Timothy Ash como “a desvalorização de moeda mais incrível que vi em 17 anos no mercado”– ocorreu mesmo após o governo aumentar a taxa básica de juros na véspera (de 10,5% a 17%), como medida emergencial. A administração russa pedia à população que não entrasse em pânico, mas a sugestão talvez fosse difícil de seguir.

A editoria de “Mercado” da Folha está acompanhando o assunto. Por exemplo, clique aqui para tirar as suas dúvidas sobre um rublo despencante. A movimentação do mercado financeiro é comentada ao vivo também. Há, por fim, uma reportagem relacionando a crise à cotação do dólar em reais.

O que você tem a ver com isso? Como de costume, de bastantes maneiras. O “Washington Post” reuniu uma lista de cinco delas. Compilei as três principais abaixo, mas recomendo a leitura do texto original, para além dos outros links citados durante este post.

AMEAÇA À ECONOMIA MUNDIAL

O problema é, por ora, interno. Mas uma quebra em 1998, que disparou uma crise financeira em mercados emergentes, serve de aviso: em uma economia globalizada, o que está dentro pode vazar. Com um rublo fraco, por exemplo, empresário russos podem ter dificuldades para pagar empréstimos tomados em dólar ou euro, como afirma o “Washington Post”.

MURRO EM PUTIN DE FACA

Vladimir Putin, o presidente russo, não deve ser defenestrado devido a essa crise –a população ainda se lembra dos dias derradeiros de União Soviética, quando as dificuldades eram mais agudas. Mas tampouco a queda do rublo vai lhe fazer carinho. “Ele pode ter de retrair suas ambições na Ucrânia“, escreve Michael Birnbaum, “e tem menos dinheiro vindo do petróleo”.

SECA NA RENDA DO PETRÓLEO

Como escreve o “Washington Post”, dinheiro economizado em petróleo é grana que não vai ao bolso russo. O que é bastante grave, se nos lembrarmos que o preço do petróleo caiu em quase metade no segundo semestre deste ano, e os países envolvidos –como a Arábia Saudita– não parecem interessados em diminuir a produção. Com o petróleo, cai o rublo, o Orçamento e a margem de manobra de Putin.

A INESPERADA JOGADA DA RÚSSIA COM SEUS ATIVOS DE PETRÓLEOS SURPREENDE O MUNDO

 

Gianfranco Uber
Gianfranco Uber

Este artigo de Diogo Bercito retrata bem a jogada de Putin que ganhou a primeira grande batalha da Terceira Guerra Mundial que, sem explodir nenhuma bomba nuclear, decidirá quantas moedas, sem lastro, vão imperar no mundo que hoje tem apenas o dólar.

En solo unos pocos días, Rusia recuperó el 30% de sus activos de petróleo y gas, que estaban en manos de financieros occidentales, y ello gracias al hecho de que el rublo se depreció. Un medio calificó esta jugada como “la operación más increíble que se ha visto desde la aparición del mercado de valores”.

“Rusia ha hecho un movimiento de ajedrez inesperado”, escribe InSerbia. Según la publicación, debido a la caída del rublo, Moscú fue capaz de recuperar la mayor parte de sus activos, que estaban en manos de propietarios extranjeros, y además logró recibir ganancias por valor de 20.000 millones de dólares en tan sólo unos días.

El pasado mes de diciembre el rublo ruso comenzó a caer precipitadamente, y surgieron rumores de que Rusia simplemente no tenía los fondos suficientes para ello. Los precios de las acciones de las compañías energéticas rusas cayeron seriamente, y los inversores comenzaron a venderlos antes de que se depreciaran aún más.

Según explica el portal serbio, que compara al mandatario ruso con un “gran maestro” de ajedrez, “Putin esperó una semana y se limitó a sonreír en las conferencias de prensa, y cuando el precio de las acciones cayó drásticamente, ordenó inmediatamente comprar los activos que estaban en manos de estadounidenses y europeos”.

Y ahora todos los ingresos del petróleo y el gas permanecerán en Rusia y el rublo crecerá por sí mismo, sin tener que gastar las reservas de divisas y oro, agrega el portal. “Los tiburones financieros europeos quedaron como tontos: En un par de minutos Rusia compró a bajo precio activos de petróleo y gas por valor de miles de millones. Una operación tan increíble no se había visto desde la aparición del mercado de valores”, escribe InSerbia.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Um comentário sobre “A queda do rublo foi jogada de Putin”

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