Posse de Dilma. O encontro de duas ex-prisioneiras da ditadura militar

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Ieda de Seixas é grata à recém-empossada presidenta Dilma Rousseff por um momento dolorosamente inesquecível em sua vida: ao lado da mãe e da irmã, foi presa durante a ditadura militar. “Quando cheguei ao Presídio Tiradentes, a primeira pessoa que me recebeu foi a Dilma. Foi uma recepção calorosa, para quem tinha vindo de Dops, do Doi-Code e todo aquele clima de monstruosidade, foi um aconchego o abraço dela. Coisa de mãe, embora ela tenha a mesma idade que eu. Mas a gente se sentiu acarinhada”.

Após ser recebida por Dilma, em 1971, Ieda ficou presa durante um ano e meio. Seu irmão, preso aos 16 anos, viu o pai falecer após dois dias de tortura. Ela conta que a mãe teve um enfarto na prisão e só recebeu assistência dos médicos que estavam presos porque a “repressão disse que era para deixar morrer”.

Mais de quarenta anos depois, Dilma recebe Ieda novamente. Em seu discurso de posse na Câmara dos Deputados disse que o Brasil não será sempre um país em desenvolvimento. “Seu destino é ser um país desenvolvido e justo. Uma nação em que todas as pessoas tenham as mesmas oportunidades”.

A presidenta relembrou sua militância contra a ditadura militar. “Sou ex-opositora de um regime de força que provocou em mim dor e deixou cicatrizes, mas que jamais destruiu em mim o sonho de viver em um país democrático”, declarou Dilma. Disse ainda não guardar qualquer tipo de revanchismo.

“Sempre me emociono ao dizer que eu sou uma sobrevivente. Também enfrentei doenças. Pertenço a uma geração vencedora. Uma geração que viu a possibilidade da democracia no horizonte e viu ela se realizar. Essas duas características me aproximam do povo brasileiro”, discursou Dilma.

A presidenta encerrou sua fala afirmando que tem o coração cheio de amor pela pátria. Ela citou um verso que, como definiu, “tem sabor de oração”: “O impossível se faz já, só os milagres ficam para depois”.

presidente carro

“Tenho muito orgulho de conhecê-la, de ser brasileira, e a minha geração subiu a rampa. Então é muita emoção, indescritível”, diz Ieda.

“Hoje como ela se mostra é como se mostrava na prisão, generosa, amiga e muito séria. Mas não é sisuda, ela faz piada de tudo, é uma pessoa extremamente bem-humorada”, afirmou Ieda, 67 anos, e mora em São Paulo. Clique nas fotos para ampliar

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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