García Lorca e Hilda Hilst

O jornaleiro

E DEPOIS
Federico García Lorca
(Tradução de Talis Andrade)
Os labirintos
que o tempo cria
se desvanecem

(Permanece
o deserto)

O coração
fonte do desejo
se desvanece

(Permanece
o deserto)

A ilusão da aurora
e os beijos
se desvanecem

Só permanece
o deserto
Um ondulado
deserto

A FEDERICO GARCÍA LORCA
Hilda Hilst
Companheiro, morto desassombrado, rosácea ensolarada
Quem senão eu, te cantará primeiro. Quem, senão eu
Pontilhada de chagas, eu que tanto te amei, eu
Que bebi na tua boca a fúria de umas águas
Eu, que mastiguei tuas conquistas e que depois chorei
Porque dizias: “amor de mis entrañas, viva muerte”.
Ah, se soubesses como ficou difícil a Poesia.
Triste garganta o nosso tempo, TRISTE TRISTE.
E mais um tempo, nem será lícito ao poeta ter memória
E cantar de repente:
“os arados van e vên
dende a Santiago a Belén”

Os cardos, companheiro, a aspereza, o luto
A…

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Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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