Governo tucano vai matar de sede o povo de São Paulo

O Alto Tietê chega ao volume morto, e o Cantareira, ao fio da navalha

 

1 represa do sistema cantareira na Grande São Paulo

Represa do Sistema Cantareira na Grande São Paulo
Represa do Sistema Cantareira na Grande São Paulo
Córrego Lafon, afluente do Rio Tietê
Córrego Lafon, afluente do Rio Tietê
Represa de Ponte Nova, em Salesópolis, exibe pedras em seu leito. Foto: Edson Martins
Represa de Ponte Nova, em Salesópolis, exibe pedras em seu leito. Foto: Edson Martins
Reservatório de Ponte Nova (28 de Setembro)
Reservatório de Ponte Nova (28 de Setembro)
Reservatorio de Taiaçupeba, Jundiaí (28 de Setembro)
Reservatorio de Taiaçupeba, Jundiaí (28 de Setembro)
Reservatorio do Rio Jundiaí (28 de Setembro)
Reservatorio do Rio Jundiaí (28 de Setembro)

 

por Sergiorgreis

 

De crítica, a situação dos principais mananciais que abastecem a região metropolitana de São Paulo está se tornando desesperadora.

A situação do Alto Tietê se encontra em um nível absolutamente adverso. E os próximos capítulos da crise tendem a ser similares aos já vivenciados no Cantareira, talvez com dramaticidade ainda maior. Lamentavelmente, a SABESP, pelo menos publicamente, não apresentou nenhuma mudança na forma com que o sistema tem sido conduzido: sem pressões da ANA, continuou a permitir vazões de saída elevadíssimas, sem restrições, uma prática similar à empreendida no Cantareira no final de 2013. Na medida em que aquele continua a ajudar este, vimos até mesmo o aumento dos padrões de decréscimo dos reservatórios ao longo dos últimos meses.

O ponto é que o plano “A” da SABESP, seja para o Cantareira, seja para o Alto Tietê, seja para os demais reservatórios – que começam, também, a atingir níveis cada vez mais preocupantes – é confiar em São Pedro, o mesmo que “nos abandonou” ao longo dos últimos anos. E, mais grave, a empresa e o governo não dispõem de outras saídas. Ainda que seja possível extrair todos os 25 bilhões de litros dos volumes mortos de Biritiba-Mirim e Jundiaí, todo esse adicional sequer garante mais um mês de sobrevivência para o Alto Tietê, e os estudos iniciais não apontaram para a possibilidade de sucção de mais volume morto do Sistema. Vale dizer que as três represas que ainda não secaram (Paraitinga, Ponte Nova e Taiaçupeba) possuem juntas cerca de 51 bilhões de litros (dois meses de consumo, nos padrões atuais).

O problema, já ressaltado em outras oportunidades, é que o transporte de água de Ponte Nova para Biritiba possui um limite operacional de 9 m³/s – ali a água não transita por gravidade. Mesmo que as bombas para retirar o volume morto de Jundiaí estejam prontas, teríamos um beco sem saída: as duas primeiras represas esgotariam em 82 dias (02 de Janeiro de 2015), e as três outras, mesmo com os volumes mortos inteiramente considerados, durariam 13 dias além disso (15 de Janeiro de 2014). Por certo, teremos algumas precipitações, até lá, que poderão vir a segurar a queda. Não será fácil manter o abastecimento até lá.

O que provavelmente ocorrerá, de agora em diante, é que as crises de desabastecimento passarão a ocorrer mais frequentemente e de forma mais disseminada. É difícil imaginar que um dia, subitamente, a água deixará de chegar até as casas das pessoas, mas é possível que os períodos sem água tendam a se tornar cada vez mais longos e menos intermitentes, até o colapso final – a ocorrer em algum momento de 2015 (ainda cerca de um ano antes da conclusão da primeira grande obra capaz de contornar, momentaneamente, o macroproblema), a não ser que tenhamos as maiores precipitações de todos os tempos. Também se intensificarão as disputas entre o próprio Governo de São Paulo e dezenas de municípios que conformam o Comitê PCJ, consoante avançarão as extrações dos volumes mortos do Cantareira e, assim, aumentarão os riscos de que diminuam as vazões a jusante para os rios que abastecem a região, formada por mais de 3 milhões de habitantes.

De uma forma que seria absolutamente inexplicável, não fosse o cenário eleitoral que perdura, a SABESP continua a gerir a crise sem tomar conhecimento algum a respeito de sua gravidade: seus porta-vozes dão declarações absolutamente desconectadas do cenário vigente, seus planos de contingência fazem previsões totalmente distantes daquilo que vem ocorrendo já há alguns anos, suas obras suplementares atrasam ainda mais do que antes. Nessa lógica, longe de afastar um pouquinho mais a inevitável falência de dois dos seis grandes sistemas de abastecimento de São Paulo, o Governo Alckmin, mediante a grave politização (no sentido negativo, antirrepublicano) da questão, acaba por contribuir para o agravamento da crise, se é que isso é possível. É incrível, simplesmente incrível, como não houve uma sinalização dessa gestão, até hoje, no sentido de reconhecer a profundidade inenarrável do óbice em questão – seria uma declaração mínima de humildade capaz de trazer a população para perto, uma admissão de que as medidas são ineficazes e que é preciso rever a estratégia. Mas o conceito de cidadania do governo é pobre demais para tanto: quem sabe, ficaremos sabendo de algo por meio dos relatórios a serem enviados aos investidores da Bolsa de Valores. Leia mais. Veja vídeos em comentários. A água em São virou luxo  

 

Lixo acumulado no Rio Tietê no bairro da Ponte Grande em Mogi das Cruzes. Foto: Tatiane Santos
Lixo acumulado no Rio Tietê no bairro da Ponte Grande em Mogi das Cruzes. Foto: Tatiane Santos
Ricardo Bermúdez
Ricardo Bermúdez

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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