Marina nunca foi empregada doméstica

Marina tem o prazer masoquista ou a demagogia de contar, chorando, que teve uma “morte e vida severina”, várias ressurreições, uma existência de martírio, uma imitação de Nossa Senhora das Dores.

As histórias de que passou fome um dia, por comer pirão de ovo, e empregada doméstica entre os 16 e 18 anos, são melodramáticas.

Marina viveu pouco mais de um ano na casa de uma mulher pobre, onde realizou, com as filhas da casa que lhe acolheu, serviços domésticos. Sempre cruel com quem lhe ajudou, vende como megera uma doce velhinha que hoje chama de “patroa”. Toda história de Cinderela, de Gata Borralheira necessita de uma bruxa como personagem. Foi assim que Marina fantasiou a persona da madrasta, que o pai dela ficou viúvo, mas não casou de novo, deixando incompleta a biografia de Marina eterna sofredora, vítima do terrorismo do PT, quando tem o apoio dos barões nacionais e internacionais dos meios de comunicação de massa.

Não tem quatro anos que deixou de ser senadora, e perdida a eleição presidencial pelo PV, partido que criou, foi para a Argentina estudar, quando devia buscar assinaturas para registrar o Partido Rede.

Marina nunca foi miserável. Teve uma infância e uma adolescência vivida na pobreza. Isso aconteceu com milhares de políticos. Isso ainda acontece com milhões de brasileiros.

Marina fala do verde da floresta. Nunca li uma palavra dela em defesa dos pobres (votou quatro vezes contra a CPMF), nem citar os filhos da rua, ou as 500 mil crianças escravas sexuais, que para suportar oito a dez estupros diários, as penetrações no ânus e na vagina pequena e estreita, precisam entorpecer o corpo com drogas.

Nunca ouvi Marina falar de ajudar os favelados. O pai dela, com 87 anos, mora em um mocambo de madeira em um alagado do Rio Branco.

Marina foi salva pelo assistencialismo estatal, que hoje condena. Estudou no Mobral da ditadura militar. Em um convento católico, conseguiu de um bispo passagem aérea para tratar da saúde em um hospital de São Paulo. Saiu do convento, depois de fazer o supletivo, para estudar em uma universidade pública. Professora, entrou na CUT do PT, foi logo candidata a deputado federal. Perdeu. Dois anos depois vereadora da capital do Acre, dois anos depois deputada estadual, dois anos depois senadora para um mandato de 8 anos, e novamente reeleita para um novo mandato de 8 anos. Como não emplacaria o terceiro mandato, foi candidata a presidente pelo partido que inventou, o Verde, em 2010.

Simch
Simch

Marina disputa, pela segunda vez, a presidência por uma legenda de aluguel, o PSB, porque não conseguiu registrar o partido Rede da Sustentabilidade do verde da floresta, patrocinada por bancos e multinacionais, com o compromisso de conceder autonomia ao Banco Central e defender o FMI contra o BRICS. (Talis Andrade)

O partido d'eu sozinha
O partido d’eu sozinha

“Conto de fadas brasileiro”, diz Le Monde sobre trajetória de Marina Silva

“Era uma vez Marina Silva…”. É assim que a revista de fim de semana do jornal Le Monde intitula uma reportagem em que mergulha nas origens da candidata do PSB à presidência. O repórter do vespertino viajou até o Acre para contar o que chama de “um conto de fadas made in Brazil”. A história de vida de Marina parece começar a cair nas graças da imprensa francesa, assim como ocorreu com o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Na reportagem de quatro páginas, o jornalista Nicolas Bourcier não deixa de reparar que a cidade em que a candidata nasceu se chama Bagaço, que ele traduz como “déchet”, que na língua francesa tem um sentido ainda mais forte, de “resíduo” ou “dejeto”. Bourcier diz que o nome é eloquente quando se constata a pobreza da região encravada na Floresta Amazônica.

Através de depoimentos de pessoas próximas – como o da própria irmã de Marina, que ainda vive em Bagaço – ele elenca alguns momentos-chave da vida da ex-senadora, que fazem com que a sua trajetória do Acre a Brasília pareça uma história de ficção.

O Le Monde diz que Marina é chamada por muitos de “Lula da Amazônia” (in RFI)

 

Dona Teresinha, ex-patroa de Marina: “Casa era de madeira, coberta de palha”

por Altino Machado

 

Dona Teresinha Lopes, 83 anos, foi patroa de Marina Silva quando a presidenciável tinha 14 anos, embarcou num ônibus e percorreu 70 quilômetros do seringal Bagaço até Rio Branco (AC) para trabalhar como empregada doméstica.

Casada com o professor Dagmar (falecido), mãe de oito filhos, dona Teresinha foi avisada por uma cunhada que uma adolescente procurava trabalho. Durante o ano que passou com a família Lopes, de 1974 a 1975, Marina lavava, passava e cozinhava e montava altares com santinhos de papel, usava cueiro como véu, rezava e sonhava em largar o trabalho de doméstica para ser freira.

Em outubro de 2010, quando abriu seu apartamento em Brasília pela primeira vez à imprensa, para conceder entrevista exclusiva ao Terra [que apagou a entrevista, por desmentir a história de empregada doméstica] Marina se emocionou ao falar de quando deixou o Seringal Bagaço apenas com um saco de pano nas costas e poucas mudas de roupas dentro, controlando-se para não chorar, para começar a sua trajetória como empregada doméstica:

– Eu fui fazendo escolhas aparentemente impossíveis. Você me pegou de surpresa ao fazer me lembrar disso e agora eu respondo: valeu a pena ter deixado aquela família, sem conseguir olhar para trás, adiando o choro dentro do ônibus até que ficasse escuro para que eu pudesse chorar e ninguém me visse chorando. Tudo valeu a pena porque hoje eu posso sorrir e dizer que aquelas lágrimas semearem muita esperança para mim, para minha família e para os ideais que eu acredito – disse.

REDE. Pedro Augusto, 87 anos, pai de Marina
REDE. Pedro Augusto, 87 anos, pai de Marina

[Esta saída do seringal, tem a seguinte versão da irmã mais velha Maria Deuzimar da Silva Vieira: “Ela (Marina) chamou meu pai e falou: “Pai, eu gostaria que o senhor permitisse. Eu quero ir estudar na cidade”. Meu pai perguntou: “Minha filha, é isso o que você quer?”. (Pausa para choro). Ela disse: “Sim, meu pai, é isso o que eu quero”. Aí meu pai falou: “Minha filha, não tenho nem o dinheiro da passagem de ônibus pra lhe dar. Mas você espera. Vou vender a borracha que conseguir produzir e lhe dou o dinheiro no final da semana pra você pagar a passagem de ônibus”. E assim ela fez. E assim ela saiu de nossa casa”.

Amada pelo pai e pelas irmãs, mais do que óbvio que Marina não teria permissão de sair de casa, para a cidade grande de todos os pecados, sem ter um lugar certo para ficar. O mais provável a casa de um parente.

Informou o  bispo do Acre, dom Moacyr Grechi: A jovem foi morar durante um tempo com os tios Aurélio e Mariquinha da Rocha Morais.

Marina e a amiga Dilma no convento
Marina e a amiga Dilma no convento

A revelação mais surpreendente sobre este tio é da companheira de quarto de Marina no convento:  Dilma Alves Omar, que conta: “Ela sofria na mão do tio, que era delegado. Parece que ele judiava um pouco dela, por isso ela foi para o convento”.

Delegado na ditadura, cruz credo! Catequizada pelo tio, Marina chamava seu benfeitor, Dom Macyr Grechi, de “comunista”. A outra Dilma, a Rousseff, acusada de comunista padeceu na tortura e na prisão. Marina nunca fala do tio.]

 

Abaixo, a entrevista com dona Teresinha, que é da Igreja Messiânica:

 

[Marina chama Dona Teresinha Lopes, 83 anos, de "patroa". Assim foi criada a lenda de emprega doméstica]
[Marina chama Dona Teresinha Lopes, 83 anos, de “patroa”. Assim foi criada a lenda de emprega doméstica]
Quando Marina veio morar em sua casa?

Ela tinha 14 anos [16 anos]. Quando Marina chegou a gente nem sabia o que fazer. Ela dormiu na mesma cama com uma de minhas filhas, a Silene, que já faleceu, que tinha a mesma idade dela. Dizem que fui patroa, mas a gente era tão pobre quanto a família da Marina. A nossa casa era de madeira, coberta de palha. A diferença era que a gente morava na cidade. Quem já morou em casa de madeira sabe o que é uma pernamanca, uma madeira grossa, onde são afixadas as tábuas da parede. Ela e Silene forravam a madeira com papel branco e botavam santinhos de papel. Usavam os cueiros dos meninos como véus e iam rezar. A intenção delas era ir para um convento rezar, orar, pedir a Deus.

Era um tempo muito difícil.

Sim, dificílimo. Tudo apertado. Meu filho Heimar, que trabalhava no Incra, ia pra mata, passava semana lá, e chegava com as calças capazes de ficar em pé de tão sujas. E a pobre da Marina estava aqui, tinha o que comer, e dava a mãozinha dela lavando as roupas do meu filho, passando a escova, tirando a lama. Ela chegou com poucas roupas. As roupas de Silene eram poucas, mas ela dividia com Marina. O pouco junta com outro pouquinho e fica muito.

O que Marina não sabia fazer quando chegou em sua casa?

Ela não sabia cortar nem fritar bife. Eu era muito elogiada por causa de meus bifes. Ela também tinha dificuldade de temperar o feijão. Mas eu ensinei a ela a fazer um bifezinho com molho, acebolado. Pra você ter ideia, a gente nem tinha forno. Nós tínhamos um fogão de barro de uma boca. Era uma lata de querosene partida ao meio, preenchida com barro, tendo uma boca. Era naquele fogão que a gente cozinhava. Aí a gente botava a lenha, soprava ou abanava para ficar no ponto de cozinhar. Fazer o arroz era fácil, mas cozinhar o feijão era muito mais difícil. Muitas vezes não tinha carvão e a gente usava gravetos. Comprar carne em Rio Branco era difícil, faltava. A gente comia mais conserva, enlatados. Era um tempo muito difícil, que passou, e vencemos.

Ela era tímida?

Demais. Era retraída. A gente ficava conversando e ela não entrava na conversa.

Patroa da Marina…

Esse termo de patroa é exagerado. Eu também era quase um caldo de pedra. Marina chegou e era uma a mais na família de dez pessoas. Além de mim e do meu marido, os meus filhos: seis mulheres e dois homens. Marina é que sempre ma chamou de patroa, talvez porque a casa era minha, tudo era meu. Mas a gente levava uma vida muito humilde. Marina veio de uma família muito humilde e chegou onde chegou. Nasceu com uma estrela brilhante. Ela tem muita luz, muita força, garra. Imagina uma criança que saiu da casa onde morava, no seringal, e mudou para a cidade para melhorar a vida, em busca de saúde, pois ela era muito doente. Seja como fosse, Rio Branco era uma cidade.

Qual era a doença?

Acho que era malária. Era um moreno pálido. Às vezes, quando a vejo falando, fico é com pena e penso ‘coitada de Marina, ela ainda tem alguma coisa de malária’.

E quando ela saiu?

Depois de um ano e alguns meses. Ela foi pro colégio São José, das freiras. Quando estava aqui, o sonho dela e da Silene era ser freira. Então foi bom ela ter saído, pois foi para um cantinho melhor do que na minha casa. Foi pra seguir o que ela falou quanto chegou aqui, de ser freira, induzindo minha filha, que acabou foi sendo indicada para miss e só não se candidatou porque o noivo não deixou.

Depois se distanciaram?

Eu costumava ver Marina casualmente, no centro, e nos cumprimentávamos. Uma vez ela viu o Dagmar, meu marido, e parou o carro para dizer para uma pessoa: “Esse aqui foi o meu primeiro patrão”. Que a história de Marina sirva de exemplo para os jovens de hoje. Não é desonra uma pessoa trabalhar em casa de família.

Caso Marina seja eleita, a senhora certamente será convidada para a posse. Qual a sua expectativa?

Não sei se vou aguentar tanta emoção. Mas eu sou muito forte, pé no chão, e já enfrentei muitas coisas. Que Marina bote o pé no chão, tenha garra e faça o que promete. Dê direitinho o que o povo merece. Vou votar nela, como sempre votei. Vou votar enquanto eu respirar, nem que seja em cadeira de rodas.

Acrescentei as informações entre colchetes. (T.A.)

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Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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