A República monarquista dos fichas sujas

Com a candidatura cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa, o ex-governador José Roberto Arruda decidiu , neste sábado 13, de azar para os brasilienses, lançar a mulher Flávia Peres, como candidata a vice-governador, numa chama encabeçada por Jofran Frejat. Todos os três são do Partido da República, PR.

Ficha suja é o neologismo para corrupto. No TRE, ficha suja corresponde à ficha corrida para ladrão na polícia, que incrimina os pobres.

Trocar Arruda pela mulher e um amigo do peito, subordinado e sócio, não muda nada.

O PR é um partido criado recentemente, mas sua história é do arco da velha. Veja in Wikipédia: Fundado em 24 de outubro de 2006, homologado no Tribunal Superior Eleitoral no dia 21 de dezembro de 2006. Seu presidente nacional é Alfredo Nascimento.

 História do Partido da República (PR)

Proclamação da Nova República
Proclamação da Nova República

A nova sigla uniu dois partidos: o Partido Liberal (PL) e o Partido da Reedificação da Ordem Nacional (PRONA), que se fundiriam para atingirem a cláusula de barreira (derrubada pelo Supremo Tribunal Federal, no final de 2006) e poderem gozar de todos os direitos que estariam reservados aos partidos que atingirem porcentagem de votos superior a 5% dos votos, até então exigida.

O partido tem forte formação político-ideológica do extinto Partido Liberal adotando assim o liberalismo social como base programática e situando-se na centro-direita do espectro político brasileiro.

O PL tinha como marca registrada o famoso Coro dos Escravos Hebreus da ópera Nabucco de Giuseppe Verdi, o Va Pensiero. Álvaro Valle, deputado fluminense que fundou o partido, era fã de óperas. O PL tinha como principal bandeira o Imposto Único. O número a ser adotado pelo Partido da República é o mesmo que era utilizado pelo PL: 22, sendo desativado o número 56 utilizado pelo Prona.

Principais nomes

Seus principais nomes são o ex-deputado José Marcos de Lima (atual secretário-geral do PR em Pernambuco e Secretário de Saneamento da Prefeitura da cidade do Recife), Inocêncio de Oliveira, o ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, o ex-governador do estado do Mato Grosso Blairo Maggi, o senador pelo Espírito Santo Magno Malta, o ex-prefeito da mais populosa cidade do Espírito Santo, Vila Velha, Neucimar Fraga, o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho e sua esposa a ex-governadora do Rio de Janeiro e atual prefeita de Campos dos Goytacazes, Rosinha Garotinho, o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda e o atual Ministro dos Transportes, César Borges.

O PR tem também como filiado o deputado federal de maior votação nas eleições de 2010, o humorista Tiririca (PR-SP).

Ranking da corrupção

Com base em dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral divulgou um balanço, em 4 de outubro de 2007, com os partidos com maior número de parlamentares cassados por corrupção desde o ano 2000.

O PR ocupa a sétima posição no ranking, com 17 cassações, atrás do DEM, PMDB,  PSDB, PP, PTB e PDT.

Arruda condenado

José Roberto Arruda foi condenado pelo Tribunal de Justiça do DF por improbidade administrativa no dia 9 de julho, em segunda instância, pelo envolvimento no esquema de corrupção conhecido por mensalão do DEM.

O ex-candidato liderava a pesquisa pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (10). Ele tinha 37% das intenções de voto, seguido pelo atual governador, Agnelo Queiroz (PT), com 19%, e pelo senador Rodrigo Rollemberg (PSB), com 18%.

Na sexta, a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) enviou ao TSE pedido para que fossem suspensos todos os atos de campanha de Arruda. Na quinta, o TSE rejeitou recursos protocolados pela defesa de Arruda e manteve a decisão de considerar o político do PR inelegível.

No requerimento protocolado no tribunal, a procuradoria argumenta que a realização de campanha só é permitida a quem possui registro de candidatura. “A nova legislação nada mais fez do que reforçar a necessidade de se evitarem os graves efeitos de uma prática cada vez mais comum: candidatos sabidamente inelegíveis insistem em candidatar-se e, apesar de sucessivas decisões judiciais que reiteram a impossibilidade de suas candidaturas, insistem em continuar em campanha, arrastando debates judiciais infrutíferos até as vésperas do pleito e, muitas vezes, até após as eleições”, diz o documento.

Através da mulher e do amigo, Arruda não só insiste em ser candidato. Ele pode ser, indiretamente, eleito.  

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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