Marina diz que venceu a morte várias vezes. Da última vez teve um pressentimento com o avião da campanha

Marina aos 13 anos
Marina aos 14 anos

 

Na Wikipédia: Marina Silva nasceu pelas mãos de sua avó, que era parteira, na localidade de Breu Velho, em Rio Branco, capital do estado do Acre, em 8 de fevereiro de 1958. Descendente de africanos e portugueses, foi registrada com o nome de Maria Osmarina Silva de Souza, sendo filha do seringueiro cearense1 Pedro Augusto da Silva e da dona de casa Maria Augusta da Silva. O nome Marina, decorrente de um apelido dado por uma tia, foi acrescentado por ocasião da eleição de 1986, quando os candidatos ainda não podiam usar alcunhas nos nomes oficiais (um processo semelhante ao que aconteceu com Luiz Inácio Lula da Silva).

[Uma meia-verdade. O pai de Marina ainda está vivo. Tem, pelo menos, 36 anos que não é seringueiro. Desde quando veio morar em Rio Branco, passou a exercer a profissão de camelô, de vendedor de tabaco na antiga rodoviária. Tem hoje 87 anos, e recebe uma aposentadoria por idade de um salário mínimo do mínimo.]

O site oficial da campanha de Marina registra: Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima nasceu em 8 de fevereiro de 1958 em uma pequena comunidade chamada colocação Breu Velho, no Seringal Bagaço, no Acre. Seus pais, nordestinos, tiveram 11 filhos, dos quais três morreram. A mãe morreu quando tinha apenas 15 anos.A vida no seringal era difícil. “Eu acordava sempre às 4h da manhã, cortava uns gravetos, acendia o fogo, fazia o café e uma salada de banana perriá com ovo. Esse era o nosso café da manhã”, conta. Depois, junto com as seis irmãs e o único irmão, fazia o corte nas seringueiras e colocava as tigelinhas. No final da tarde, retirava a recompensa, o látex.

Na adolescência, Marina sonhava em ser freira. “Minha avó dizia: ‘Minha filha, freira não pode ser analfabeta’”, lembra. O desejo de aprender a ler passou então a acompanhá-la. Aos 16 anos, contraiu hepatite, a primeira das três que foi acometida _seu histórico de saúde ainda inclui cinco malárias e uma leishmaniose. Foi então a Rio Branco em busca de tratamento médico. Com a permissão do pai, aproveitou a oportunidade para também se dedicar à vida religiosa e, ao mesmo tempo, estudar. Na capital acriana, para se sustentar, passou a trabalhar como empregada doméstica.

[A afirmativa de que pediu a “permissão do pai” passa a imagem de filha obediente e dedicada e amorosa. Esta é a única referência ao pai, que mora em um casebre, localizado em um alagado de Rio Branco]

Pedro Augusto, pai de Marina, hoje com 87 anos
Pedro Augusto, pai de Marina, hoje com 87 anos

O progresso nos estudos foi rápido. Entre o período de Mobral, no qual aprendeu a ler e a escrever, até a graduação em licenciatura em História (Universidade Federal do Acre) transcorreram apenas dez anos. Sua formação foi complementada posteriormente com as pós-graduações em Teoria Psicanalítica (Universidade de Brasília) e em Psicopedagogia (Universidade Católica de Brasília). A vocação social se revelou quando deixava a adolescência e ainda vivia no convento das Servas de Maria Reparadoras.

O então bispo de Rio Branco, dom Moacyr Grecchi, alinhado à Teologia da Libertação, às vezes ia rezar missa no convento onde vivia Marina, que gostava de suas mensagens. A candidata à noviça passou a participar das atividades das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Um dia, incentivada por um cartaz afixado na igreja, decidiu fazer um curso de liderança sindical rural, ministrado pelo teólogo Clodovis Boff e pelo líder seringueiro Chico Mendes. Sua dedicação ao curso a aproximou de Chico Mendes, que passou a lhe enviar publicações de sindicatos de trabalhadores rurais.

[Vivia em um convento. Quer dizer que tinha moradia e alimentação. Mas foi empregada doméstica. Deve ter sido por pouco tempo. Observe que aconteceu um mundão de cousas quando tinha 16 anos]

Marina a vencedora da morte

[A história de Marina fica mais emocionante (estão produzindo um filme), contada pelo Planeta Sustentável]: O inferno astral. Marina Silva foi desenganada pelos médicos quatro vezes.

Na primeira delas, tinha 16 anos e ouviu um doutor do serviço público dizer para sua tia: “A alma dessa menina já está no inferno“.

Uma hepatite tratada como malária deixou a jovem prostrada na cama por um ano. Os remédios destruíram seu fígado. Para cuidar da saúde, Marina teve que abandonar o trabalho na extração de borracha em Seringal Bagaço e se mudar para a capital do Acre, a 70 quilômetros dali.

Ao ouvir a profecia do médico, a garota irritou-se e disse: “Eu não morro de jeito nenhum”. Salvou-se. Três anos depois, contraiu nova hepatite. Daquela vez, a situação era mais grave. Teve que ser internada. Certo dia, do leito, ouviu uma conversa entre um médico e uma freira. “Ela tem cirrose e vai morrer”, disse o doutor. “Vou morrer nada”, respondeu Marina. Resolveu deixar o hospital e foi obrigada a assinar um termo de compromisso isentando os médicos de responsabilidade caso o pior acontecesse. De lá, Marina seguiu para a residência de dom Moacir Grecchi, então bispo da cidade, e contou que morreria, se não fizesse um tratamento em São Paulo. O bispo providenciou para que a menina de 19 anos fosse encaminhada ao hospital São Camilo, na zona oeste paulistana. Após longo período de cuidados médicos, curou-se.

Em 1991, durante o mandado de deputada estadual e depois de ter enfrentado novas hepatites e malárias, Marina Silva recebeu seu terceiro aviso de morte. Sentia na boca um gosto terrível, como se chupasse moedas. Sofria de dores insuportáveis. Era virada e revirada pelos médicos do hospital Albert Einstein, centro de referência de saúde em São Paulo, e nada se descobria. Depois de incontáveis exames, detectou-se a presença de metais pesados no seu organismo. No passado, quando havia tido leishmaniose – uma doença que deixou uma cicatriz no seu nariz -, Marina tomou remédios tóxicos, que eram amplamente receitados para os doentes pobres da sua cidade natal. A fatura pela imprudência médica começava a chegar. Ela sarou da leishmaniose, mas foi contaminada por mercúrio. Marina passou um ano e oito meses deitada na cama da sogra, em Santos, no litoral paulista. No meio do calvário, descobriu-se esperando um bebê do marido, o técnico agrícola Fábio Vaz. Aos oito meses de gravidez, pesava 47 quilos. Dos médicos, ouviu que talvez não sobrevivesse ao parto. Repetiu o mantra: “Não morro de jeito nenhum”. A filha nasceu prematura e Marina ficou em tal estado de debilitação que mal conseguia manter-se de pé.

Três anos depois, no Senado, Marina Silva continuava com a saúde em frangalhos. Conseguia autorização especial para discursar sentada – o que é proibido pelo regimento interno da casa. Viajou para o Chile e os Estados Unidos para tratar da saúde. Não percebia nenhum sinal de melhora. Ao contrário, sentia-se até pior. Queixou-se a seu médico particular, Eduardo Gomes, de que nem mesmo a internação no Massachusetts Hospital havia melhorado seu estado. Ouviu, então, a seguinte frase: “A senhora não precisa de um médico. A senhora precisa de um milagre”.

 

Marina aos 23 anos
Marina aos 23 anos

 

 

Em Belo Horizonte, no dia 23 de março de 2007, o caixão de Marina Silva percorreu algumas ruas da cidade num cortejo fúnebre promovido por ambientalistas. Tratava-se de uma encenação contra a transposição das águas do rio São Francisco. Em outros tempos, e tempos não tão distantes assim, essas mesmas pessoas seriam capazes de insultar quem emitisse uma palavra de desabono contra Marina.

A roleta russa

Eis como Maria toma suas decisões políticas:

 

roleta

Zero Hora:Em Marina, força e fragilidade se equilibram desde a infância miserável nos confins da Amazônia. Venceu a pobreza, o analfabetismo e a malária. Estudou e, de degrau em degrau, chegou ao Senado. Foi ministra do Meio Ambiente e candidata à Presidência em 2010. Tem uma biografia de cinema, com passagens épicas nos seringais do Acre, ao lado de Chico Mendes, o ambientalista assassinado que se tornou mártir da floresta.

À Justiça eleitoral, Marina declarou um patrimônio de R$ 135.402,38.

Sobre a madrugada de 30 de agosto de 2009, horas antes de acenar pela primeira vez a intenção de sua candidatura à presidência da República pelo PV:

Era como um barco à vela que se lança ousadamente ao alto-mar, à espera dos ventos. Sem saber ao certo se virão, mas crendo que sim; eles virão, eles virão.

Chorou durante duas ou três horas naquele quarto de hotel. Às cinco da manhã, sua filha, ouvindo de longe seu lamento, levantou e foi até ela: “Mamãe, estou preocupada com você; você está tão triste!”.

Num instante, uma frase lhe veio à memória, e Marina correu para o computador. Queria escrever para não esquecer. Era Guimarães Rosa, um trecho tirado de um conto. Checou pelo Google cada palavra. Anotou-as. Depois escreveu à mão uma das confissões de Santo Agostinho, que também lhe ocorrera minutos antes. As metáforas ajudam-na desde sempre a elaborar a tristeza, e a poesia é uma forma de escape, de aliviar as dores de um viver sobrecarregado.

Seu primeiro casamento ocorreu em 1980 e resultado em dois filhos: Shalon e Danilo. A união terminou em 1985. No ano seguinte, em 1986, casou-se com Fábio Vaz de Lima, técnico agrícola que assessorava os seringueiros de Xapuri. Desse casamento, que dura até hoje, Marina teve Moara e Mayara.

Professa o cristianismo evangélico, desde 1997, sendo membro da Assembleia de Deus.

Casada há 23 anos com o técnico agrícola Fábio Vaz de Lima, Marina teve duas meninas- Moara e Mayara. Quando mais jovem, foi casada com Raimundo Souza, um técnico em informática, com quem teve a menina Shalon e o menino Danilo
Casada há 23 anos com o técnico agrícola Fábio Vaz de Lima, Marina teve duas meninas: Moara e Mayara. Quando mais jovem, foi casada com Raimundo Souza, um técnico em informática, com quem teve a menina Shalon e o menino Danilo

[Marina tem blindada a história dos seus casamentos. E a vida dos seus filhos. Isso no Brasil que todo mundo explora a vida dos candidatos.

Collor exibiu na primeira campanha direta para presidente, depois da ditadura militar, a vida pobre da família de Lula, inclusive a denúncia de um aborto. Noutras campanhas presidenciais foram criticados o enriquecimento do filho de FHC, da filha de Serra, da filha de Dilma.

Esta semana, pela primeira vez, a revelação do abandono do pai de Marina]

 

 

Marina, com o apoio de Lula se elege senadora, em 2002
Marina, com o apoio de Lula se elege senadora, em 2002

 

 

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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