Quando o governador Casa Grande destruiu Nova Esperança. Morte de moradora

nova_esperan_a

O povo contra a polícia de Casagrande, em Nova Esperança
O povo contra a polícia de Casagrande, em Nova Esperança

 

Em maio de 2011, ao completar cinco meses de governo, Renato Casagrande mostrou a cara de sua polícia. O prende e arrebenta dos tempos da ditadura militar.

A violência policial em um despejo, teve a pronta reação de Camila Valadão: “O Partido Socialismo e Liberdade no Espírito Santo (PSOL-ES) vem expressar sua irrestrita solidariedade às/aos militantes e a todas/os que sofreram com as violações aos Direitos Humanos ocorridas em Barra do Riacho, no município de Aracruz.

Foram atingidos pela truculência policial tanto militantes da ocupação, que apenas lutavam pelo seu direito constitucional à moradia e não ofereceram resistência à ação policial, quanto militantes defensores de Direitos Humanos que se dirigiram ao local tão-somente para tentar intermediar uma saída negociada para o conflito.

Diante de tanto desrespeito, o PSOL-ES só pode reafirmar sua firme oposição ao Governo Renato Casagrande (PSB), e ao prefeito de Aracruz Ademar Devens (PMDB), que trata os movimentos sociais como caso de polícia. Nos colocamos à disposição d@s lutador@s do povo que estão sofrendo com a criminalização da luta por direitos no Espírito Santo”.

LEGENDA DO MEDO

Para retirar 330 famílias do loteamento Nova Esperança, no distrito de Barra do Riacho, no município de Aracruz (ES), a Polícia Militar (PM) realizou uma operação de guerra nesta quarta-feira (18). Foram mobilizados cerca de 400 policiais da Rondas Ostensivas Táticas Motorizada (Rotam), do Grupo de Apoio Operacional (Gao) e do Batalhão de Missões Especiais (BME). Usaram helicóptero, cavalaria, cachorros, tratores, bomba de gás, tiros de borracha e muita violência física e moral.

Assim, cerca de 1,6 mil ficaram desabrigadas.(Fonte: Página Global)

DESPEJO COM MORTE

A área pertence à prefeitura de Aracruz e a Justiça emitiu um mandado de reintegração de posse há cerca de seis meses. Porém, de acordo com os moradores, eles não receberam nenhuma ação de despejo e nunca foram procurados pela administração municipal para negociar.

A violenta ação policial chocou a comunidade. Até o CEDH foi tratado com agressividade. “Fomos recebidos com bombas de gás lacrimogênio. Posteriormente, nos disseram [polícia] que qualquer contato teria que ser feito pelo 190. Um desrespeito total!”, disse Arthur Moreira, membro do conselho.

De acordo com o militante do Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL), Bruno Lima, outra conseqüência negativa da ação policial foi a morte de dona Santa da Silva Pessanha, na quinta-feira (19):

“Ela estava em casa na hora da ação e foi obrigada a sair do pelos policiais, quando começou a passar mal. Ela não foi autorizada a voltar para pegar seus remédios controlados para pressão alta. Quando a PM liberou e Dona Santa iria entrar na casa, retomaram os tiros e bombas. Passando mal, Dona Santa foi internada em estado grave no hospital de Aracruz, e morreu, resultado de um AVC”.

A habitação é um problema crônico no município de Aracruz, mesmo sendo esta região composta por empreendimentos de peso. Ali estão instaladas atividades da Petrobras, Fibria (ex-Aracruz Celulose), Nutripetro e Nutrigás. A menos de um ano, a prefeitura local doou um terreno avaliado em R$ 25 milhões para a construção do estaleiro da Jurong – gigante do setor naval com presença nos Estados Unidos, China, Cingapura e Oriente Médio.

DAVI GOMES, O SELVAGEM

O atual secretário de habitação de Aracruz, Davi Gomes é conhecido pela violência utilizada contra populações indígenas e quilombolas em conflitos que protagonizou a serviço da então Aracruz Celulose, em 2006. À época, Gomes era presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas de Madeira de Aracruz (Sintiema), posição que ocupou por 22 anos, até ser afastado pelos próprios trabalhadores em assembléia da categoria – decisão validada pela Justiça em janeiro deste ano.

Homens ligados ao Sintiema, liderados por Davi Gomes, atacaram violentamente índios que ocuparam o porto da ex-Aracruz (Portocel), em luta pela demarcação de terras na área da papeleira. Até o deputado e cadeirante Claudio Vereza (PT).

O SUJEITO CASAGRANDE

O Centro Acadêmico Livre de Psicologia “Maria Clara da Silva” do curso de Psicologia da Universidade Federal do Espírito Santo, também expressou a solidariedade às pessoa cujos direitos constitucionais e humanos foram violados no ato da desocupação de um terreno no bairro Nova Esperança, na localidade de Barra do Riacho no município de Aracruz.

O CALPSI-UFES manifestou repúdio à ação policial violenta efetivada contra as pessoas que ali habitavam, entre elas, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.

“Segundo diversas fontes seguras de informação, os policiais feriram as pessoas fisicamente com bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, e utilizaram a cavalaria, cães e um helicóptero a fim de coagir pessoas de várias idades que estavam desarmadas, em busca do diálogo com os policiais e tentando defender pacificamente suas habitações.

Com violência intensa e violando direitos constitucionais e humanos, os policiais conseguiram afastar as pessoas de suas casas e destruir as residências construídas no terreno da Prefeitura de Aracruz.

Não só os habitantes do terreno, porém, militantes que lutam pelo direito à moradia e militantes dos direitos humanos foram desrespeitados no seu direito à manifestação pacífica e foram impedidos de dialogar. Alguns tiveram ferimentos físicos e sofreram assédio moral por parte de policiais.

Cabe aqui ressaltar a hipocrisia e incoerência da instituição Polícia Militar do Espírito Santo que lista em seu site Ética, Interesse Público e Priorização dos Direitos Humanos como valores institucionais e que, no episódio do dia 18 de Maio de 2011, lutou contra pessoas desarmadas e organizadas pacificamente e que desconsiderou direitos constitucionais e humanos a custo de guerrear contra o povo pobre e desarmado do Espírito Santo.

Declaramos firme desacordo com os sujeitos Renato Casagrande e Ademar Devens, respectivamente, Governador do Espírito Santo e prefeito de Aracruz. Estes sujeitos desconsideraram a necessidade das pessoas no seu direito à habitação e deliberaram que a Polícia Militar do Espírito Santo travasse uma batalha sangrenta com a população do bairro Nova Esperança para a desocupação de um terreno público. O fato ocorrido em Barra do Riacho produziu intensa indignação contra esses sujeitos eleitos pelo povo capixaba”.

 

 

 

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s