Crimes de guerra em Gaza

Israel Gaza

Diplomacias preparam um esboço de entendimento egípcio

Afasta-se vez mais a hipótese de um cessar-fogo na Faixa de Gaza, não obstante os esforços diplomáticos em acção. No final de um dia de novos ataques com dezenas de vítimas, sobretudo crianças, e trocas de acusações recíprocas entre Hamas e Israel, de madrugada Gaza foi novamente atingida por disparos e explosões.

E hoje de manhã a agência Fides recorda que um bombardeamento do exército israelita realizado perto da paróquia católica de Gaza, dedicada à Sagrada Família, destruiu parcialmente também a adjacente escola paroquial, a casa do pároco e alguns locais da mesma paróquia. O alvo principal do bombardeamento — cita Fides — era uma casa a poucos metros da paróquia e que foi completamente destruída.

O balanço mais grave de ontem teve-se no campo de refugiados de Shati, onde foram mortas pelo menos dez pessoas, entre as quais oito crianças que se encontravam num parque de jogos. Cerca de 40 feridos, entre os quais 20 menores. Segundo algumas testemunhas, o massacre foi provocado por cinco mísseis lançados de um caça israelita.

Na tarde de segunda-feira um míssil atingiu um ambulatório abandonado nos arredores do hospital de Al Shifa, o único ainda em função na cidade e contudo o principal de Gaza.

Muitas crianças entre as vítimas do ataque a uma escola gerida pela Onu em Beit Hanum

«Estão a assassinar-nos, estão a assassinar-nos». Testemunhas do bombardeamento da escola gerida pela Onu em Beit Hanun, na Faixa de Gaza, referem o grito de terror de uma mulher que procurava pôr a salvo uma menina de poucos meses enquanto continuavam a chover bombas.

Permanece o trágico balanço: pelo menos 17 mortos e mais de cem feridos, na maioria – como referiu a rádio militar israelita – crianças.

O secretário-geral da Onu, Ban Ki-moon, disse estar «abalado devido à notícia do ataque à escola» gerida pela Unrwa (a agência que protege os direitos dos palestinos). E reafirmou «que todas as partes devem respeitar as suas obrigações com base no direito humanitário internacional» e que os combates «devem cessar já».

O representante da Santa Sé pede o cessar-fogo imediato

O Alto comissariado da Onu para os direitos humanos, Navi Pillay, acusou Israel de «ter cometido possíveis crimes de guerra», citando as numerosas vítimas civis entre os palestinos. Pillay apontou o dedo também contra Hamas, definindo-a uma organização que «ataca os civis de forma indiscriminada». Além disso, o Alto comissariado anunciou a decisão da Onu de iniciar um inquérito para verificar as violações dos direitos humanos no conflito, apurando as responsabilidades.

Sobre a questão dos direitos humanos em Gaza interveio ontem o observador permanente da Santa Sé junto das Nações Unidas e Instituições especializadas em Genebra, arcebispo Silvano M. Tomasi. Num discurso proferido no Conselho de direitos humanos, o representante da Santa Sé sublinhou que «cerca de 70% dos palestinos assassinados eram civis inocentes» e que «se está a consolidar uma cultura da violência, cujos frutos são a destruição e a morte». A longo prazo – disse ainda – «não haverá vencedores na tragédia actual, só ulteriores sofrimentos».

Portanto, o arcebispo Tomasi frisou a necessidade de chegar a «um cessar-fogo imediato e de iniciar negociações para uma paz duradoura». (L’Osservatore Romano)

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Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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