Por que Minas Gerais, a terra do nióbio pirateado, gasta o dinheiro que não possui na campanha para eleger o governador?

Juan Hervas
Juan Hervas

Os oito candidatos ao governo de Minas gastarão, juntos, R$ 151,8 milhões em três meses de campanha. Valor é maior que o orçamento de 93% dos municípios do estado

.

Já pensou essa dinheirama aplicada nos municípios mais pobres, governados por prefeitos ladrões?

O Tribunal Regional Eleitoral continua mais preocupado em censurar os jornalistas livres, que fiscalizar a origem e destino dessa grana de candidatos com e sem ficha suja.

Qual dos oito candidatos a governador vai falar da pirataria do nióbio, a maior riqueza do Brasil, com a sua maior mineradora no pobre e roubado munícipio de Araxá, mais conhecido pela sua estância hidromineral, outra riqueza roubada?

Existem várias campanhas que visam negar que o Brasil continua dilapidando suas valiosas reservas de nióbio; que é praticamente o único produtor desse metal, mas não está lhe dando o devido valor; que o vende a preços irreais; que permite que seja contrabandeado etc.

Para confundir o roubo do nióbio, no mercado negro, ele é vendido como tântalo ou colúmbio. O Brasil possui mais de 90 por cento das jazidas.

O nióbio é atualmente empregado em automóveis; turbinas de avião; gasodutos; tomógrafos de ressonância magnética; nas indústrias aeroespacial, bélica e nuclear; além de outras inúmeras aplicações como lentes óticas, lâmpadas de alta intensidade e bens eletrônicos etc. Não existiria a atual revolução industrial sem nióbio. Começa pelas atuais e futuras conquistas espaciais. E o Brasil vende o nióbio a preço de banana.

 .

Reservas brasileiras

As reservas brasileiras são da ordem de 842, 46 milhões de toneladas e encontram-se em Minas Gerais (75%), Amazonas (21%) e Goiás (3%). Há reservas pequenas também em Roraima, mas elas, como as do Amazonas, estão em região de fronteira ou em áreas de reservas indígenas, e não há previsão de abertura de novas minas no país além das atualmente em lavra.

 

Os donos dessa riqueza

.
A oferta do produto está praticamente toda nas mãos de duas empresas privadas, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração – CBMM (que detém 80% da produção mundial) e a Mineração Catalão de Goiás.

As exportações dessas duas empresas colocam o nióbio em 3º lugar na nossa pauta de exportação mineral, logo após o minério de ferro e o ouro. Um terceiro lugar que precisa ser investigado.

 

país pobre pirata globalização

TCE de Minas de olho no nióbio

Amaury Ribeiro Jr e Rodrigo Lopes informamAuditorias realizadas pelo Tribunal de Contas Minas Gerais (TCE) na prestação de contas do governo de Minas, em 2012, revelam suspeitas de que a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), que detém o monopólio na extração de nióbio, está lesando os cofres de governo mineiro, ao praticar valor menor que a cotação do quilo do produto e também pela inconsistência na quantidade extraída e a vendida.

.

Subfaturamento

.
De acordo com o documento do Tribunal, a CBMM repassa ao Estado 25% de seu faturamento, vendendo o quilo do mineral por menos de U$$ 40. Mas, de acordo com dados da Secretária Comércio Exterior do governo federal, o quilo do nióbio praticado no mercado internacional é U$$ 52,36.

.
Mais problemas

.

Outras disparidades reveladas no relatório são a quantidade do nióbio extraído e as toneladas comercializadas mundialmente, que são bem superiores às declaradas pela Companhia.

.

Estranho

.
De acordo com o documento, é natural a perda entre extração direta de mineral, mas em razão do alto volume de perda do nióbio não foi encontrada nenhuma justificativa.

.

Investigação

.
Ano passado, o Hoje em Dia publicou que o Ministério Público preparava um arsenal de documentos para abrir a caixa-preta da exploração de nióbio em Araxá. O mineral é explorado com exclusividade pela CBMM, de propriedade da família Moreira Salles, fundadora do Unibanco.

.

Explicação

.
O MP pretende usar esses documentos para entender como a CBMM tem privilégio de extrair o mineral, considerado um dos mais estratégicos do mundo, sem licitação, há mais de 40 anos, com renovação em 2003 por 30 anos. O governo de Minas detém a concessão federal para explorar a jazida, mas arrendou à CBMM sem nenhum critério.

.

A CBMM

.
Em 1972, o Estado constituiu a Companhia Mineradora de Piroclaro de Araxá (Comipa), para gerir e explorar o nióbio, em Araxá. Como não tinha know-how, à época, definiu que arrendaria 49% da produção do nióbio para a CBMM, sem licitação.

.

Farra

.
Após a investigação e análises da papelada, o MP quer acabar com a farra e obrigar o governo a abrir licitação para a exploração deste que é o maior complexo mínero-industrial de nióbio do mundo.

.

Números

.
O nióbio produzido em Araxá responde por 75% da produção mundial. A produção anual é de 100 mil toneladas da liga de ferronióbio. Ainda há reserva para 400 anos.

.

Contrato

.
O estado arrecadou R$ 749 milhões com o nióbio no ano passado. A CBMM concede 25% da participação nos lucros ao governo, via Companhia Mineradora de Minas Gerais (Codemig), que incorporou a Comipa.

 

.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s