Poetas cantam poetas: Janice Japiassu e Têreza Tenório

O DISCURSO E O DESERTO

por Janice Japiassu

 

Com o acre mel do deserto

De ouro veste-se o nome

Pronunciado na guerra.

 

O sol fecunda as espadas

Retesa o arco certeiro

E o sete nasce da pedra

 

No silêncio alumioso

Da noite mal-assombrada

Mistura o grito viçoso

Eis a palavra afiada

Nos pastos da solidão

Dentro do silêncio limpo

Voz de toda precisão

 

Foto Haroldo Castro
Foto Haroldo Castro

 

CANÇÃO À JANICE JAPIASSU

por Terêza Tenório de Albuquerque

 

Guardiã do tempo rublo,

dize-me qual é a luz

que inunda teu universo

de amplos átrios azuis.

 

– Ardente o sol de verão

inunda de luz meus paços,

as pastagens, a campina,

estrebarias e gado.

 

Guardiã de torre sólida

desaliante do templo,

dize-me qual o segredo

que habita teu pensamento.

 

– O nome que minha boca

murmura em suspiro oculto

do cavaleiro que vejo

lá das ameias o vulto.

 

Guardiã do canto amargo

hino de guerra e de amor,

tu tens a mágoa dormida,

eu me aniquilo de dor.

 

– Amor ódio no peito,

a mão mantendo a espada,

a fronte erguida, o desejo

de me dissolver, mais nada.

 

Guardiã da estação rude,

seca e sombria, o lamento

da tua voz é levado

nas asas curvas do vento.

 

Agora a nós só nos resta

o corredor do silêncio.

 

 

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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