El País: “Agora todos tiram o cu da reta”

A ofensa à presidenta Dilma Rousseff nesta quinta-feira no Itaquerão continuou reverberando fortemente nas redes sociais até este sábado. E o que pode ser uma má notícia para os adversários políticos da mandatária: começa a ser sentido um efeito bumerangue para o coro do “ei, Dilma, vai tomar no cu”. O produtor cultural Fernando Gradim foi contundente. “São os justiceiros seletivos. Se esquecem que Serra, Campos, Aécio e até Marina, tentando levar os jogos pro Acre, apoiaram esse evento e fizeram parte da comitiva de Lula. A verdade é que agora todos tiram o CU da reta”, reclamou.

Outra internauta contava: “Há um mês eu não ia votar em ninguém, ia anular meu voto, pois estou mesmo desencantada com tudo isso. Mas também estou sendo jogada nos braços da Dilma”. Mesmo quem não é partidária de Rousseff se sentiu ofendida com a atitude do público que assistiu ao jogo de abertura no Itaquerão, na quinta-feira, dia 12. “Embora no meu íntimo ecoe um grande VTNC [vai tomar no cu] a Dilma, não concordei com o ato hostil e mal educado perante os olhos internacionais…Roupa suja se lava na urna!!!”, escreveu outra.

A jornalista Eliane Trindade, da Folha de S. Paulo, que estava no estádio no momento da abertura, escreveu neste sábado um texto sobre o assunto. “Dilma ganhou meu voto. De solidariedade”, disse ela. “Eu me envergonhei de ouvir xingamento tão desrespeitoso à presidente, à mulher, à mãe e à avó Dilma. E, por tabela, a todas as mulheres presentes, mesmo aquelas que engrossaram o coro.”
No El País, escrevem Maria Rossi e Pedro Marcondes de Moura:

“Uma parte da torcida, mal-educada, mandou a presidenta tomar no c… De certa forma, perdeu o encanto”, contou o jornalista esportivo brasileiro Juca Kfouri, em seu blog. “Essa é a lição de cidadania que se dá na frente dos filhos? Isso em um Estado que nunca fez isso com o Paulo Maluf”, disse Kfouri, um pouco mais tarde, para a ESPN, se referindo ao ex-prefeito de São Paulo, preso em 2005 por corrupção e atualmente procurado pela Interpol.

Nesta sexta-feira, Rousseff respondeu às perguntas sobre o ocorrido. “Podem contar que isso não me enfraquece”, disse ela. “Não vou me deixar perturbar por agressões verbais. Não vou me deixar, portanto, atemorizar por xingamentos que não podem ser sequer escutados pelas crianças e pelas famílias”, afirmou ela sob aplausos, em um evento na capital do país.

Enquanto os torcedores, em sua esmagadora maioria brancos e de classe alta, manifestavam seu descontentamento contra a presidenta dentro do estádio, do lado de fora, a alguns quilômetros de distância, um protesto culminava com uma jornalista da CNN ferida em um tumulto entre os manifestantes e a Polícia Militar [do governador Geraldo Alckmin].

Vaias passadas

Outros presidentes brasileiros já sofreram recepções hostis a participarem de eventos esportivos. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, foi hostilizado com vaias na abertura dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007.

[Outro xingamento nefasto aconteceu no Mineirão, em Belo Horizonte, em 2007, no jogo Brasil X Argentina:

“O Maradona vai se f….., que o Aécio cheira mais do que você”. Transcrevi trechos]

Contra o povo 

A página PQP, no Facebook, mostra o lado conservador das elites, ao publicar o cartazete abaixo:

PQP

 

 

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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