Até tu queres ser presidente, Brutus?

por Alejandro Borensztein

O Companheiro William Shakespeare diz que quando o Imperador Romano Julio César viu um grupo de peronistas se aproximando com suas adagas encaminhadas à sua morte e à traição, só se surpreendeu com um deles: seu suposto filho, Brutus.
Suas célebres e últimas palavras foram: “Até tu, Brutus?” Parece que a mãe de Brutus, Servília, era a principal amante do Imperador e por isso ele achava que aquele jovem poderia ser seu filho.
Seja porque o Imperador transava com a mãe dele ou porque ele era realmente seu filho e ganhou esse nome de merda, Brutus tinha todo o direito do mundo de abrir a barriga do Imperador com uma faca Tramontina, como o Vito Corleone fez com o Don Ciccio.
A imagem do César ensanguentado nas escadarias do Senado e sua frase final ficaram na história como símbolo da traição política, pau a pau com o Companheiro Judas Iscariotes da Unidade Básica da Galileia e militante de “La Poncio Pilatos”.
Procurando na história se encontram alguns outros casos, até chegar ao …

 

Alejandro Borensztein escreve para El Clarín, e vai buscar seus exemplos na política Argentina.

O Brasil é o país dos vices que se tornaram presidentes, e começa com Floriano Peixoto, que foi vice do, também, marechal Deodoro da Fonseca, que traiu D. Pedro II na Proclamação da República.

Getúlio Vargas foi ministro da Fazenda de Washington Luís, que ele traiu e depôs, numa fantasiosa revolução contra a corrupção, e com o contraditório apoio de todos ex-presidentes. Washington Luís foi o  13º e último presidente da República Velha.

Getúlio presidiu o Brasil durante 15 anos ininterruptos, de 1930 até 1945. De 1930 a 1934, como chefe do “Governo Provisório”; de 1934 até 1937 como presidente da república do Governo Constitucional, tendo sido eleito presidente da república pela Assembleia Nacional Constituinte de 1934; e de 1937 a 1945, como presidente-ditador, enquanto durou o Estado Novo, implantado após um golpe de estado.

No segundo período, foi eleito por voto direto, e governou o Brasil por mais 3 anos e meio: de 31 de janeiro de 1951 até 24 de agosto de 1954, quando suicidou-se.

Em 1 de abril de 1964, como Chefe do Estado-Maior do Exército do governo de João Goulart, o marechal Castelo Branco começou outra fantasiosa revolução contra a corrupção, que terminou em uma ditadura militar, com o apoio de todos ex-presidentes civis. O golpe de Castelo também “visava”, pela propaganda da imprensa da época, evitar que Jango criasse uma ditadura sindical.

Em 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves foi eleito presidente pelo voto indireto de um colégio eleitoral, mas adoeceu gravemente, em 14 de março do mesmo ano, véspera da posse. Morreu oficialmente de diverticulite. Em 27 de Março do mesmo ano, foi também agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Quem tomou posse foi o vice José Sarney, sucedido pelo presidente eleito por voto direto, Fernando Collor de Mello.

Em 1992, Collor é acusado de corrupção, e sofre um processo de impeachment pelo Congresso Nacional, se afastando do governo.

Itamar assume interinamente a presidência em 2 de outubro de 1992, sendo formalmente aclamado em 29 de dezembro de 1992, quando Collor renuncia.

Itamar elegeu seu sucessor Fernando Henrique, que governou oito anos, depois que forçou o Congresso aprovar a reeleição de presidentes, governadores e prefeitos. Lula também governou oitos anos, e fez Dilma presidente.

Neste “Brasil 2014” (uso o “Brasil 2014” desrespeitando uma lei da corrupta Fifa), temos Dilma disputando a reeleição com Aécio Neves, que tem o apoio das viúvas do golpe de 64, e Eduardo Campos, apontado como um novo Brutos.

 

Marina Silva + Eduardo Campos = Direita ao quadrado

 

Transcrevo do blogue O Cafezinho de Miguel do Rosário:

 

Janio de Freitas: Eduardo Campos é uma “farsa perigosa”

Reproduzo o texto do Fernando, publicado no Tijolaço, apenas para ter a oportunidade de dar um título mais forte, porém mais condizente com o texto de Janio de Freitas, que não tem papas na língua ao acusar a candidatura de Campos de ser uma farsa. Uma “farsa perigosa”.

De fato, é incrível que Campos, tendo o avô que teve, e sendo presidente de um partido “socialista”, chancele o argumento de que a anistia valeu para “ambos os lados”. Ora, ele poderia ter dito apenas que não é o momento de “reabrir feridas”, ou qualquer desculpa esfarrapada, porém, decente. Ao mencionar “ambos os lados”, Campos usou um argumento da extrema-direita, e isso não é desculpável num neto de Miguel Arraes!

 

Janio a Eduardo Campos: “qual foi o crime de seu avô?”

por Fernando Brito, no Tijolaço.

A pergunta cortante é do mestre Janio de Freitas, sobre a prática contumaz da hipocrisia em que vem se especializando o candidato do PSB, Eduardo Campos, que danou a dizer só o que agrada o conservadorismo.

Poderia, sem dificuldade, ter dito que essa é uma decisão que a Justiça terá de tomar, sobretudo agora que lhe são apresentados, concretamente, casos escabrosos como o da tortura, morte e ocultação do cadáver do deputado Rubens Paiva e do atentado do Riocentro.

Mas preferiu se lambuzar dizendo que é contra o reexame das responsabilidades por crimes de lesa-humanidade.

O discurso do “revanchismo” é apenas dos que o usam para ocultar, também, a verdade.

Atividade na qual Campos vem se mostrando dedicado aprendiz.

 

Muito à vontade

por Janio de Freitas

A definição de Eduardo Campos contra qualquer mudança na Lei da Anistia, para possível punição legal de criminosos da repressão, divide-se em duas partes bem distintas. Na primeira, o pré-candidato à Presidência adota o chavão dos militares acusados de tortura, assassinatos e desaparecimentos: “Acho que a Lei da Anistia foi para todos os lados. O importante agora não é ter uma visão de revanche”. Na segunda, Eduardo Campos reforça, por um dado pessoal, a sua identificação com aqueles militares: “Falo isso muito à vontade porque a minha família foi vítima do arbítrio”.

Uma das maiores vítimas imediatas do golpe em 1964 foi Miguel Arraes, então governador de Pernambuco. Retirado do palácio sob a mira de armas, Arraes foi preso e, depois dos maus-tratos esperáveis, deportado para a ilha de Fernando Noronha como prisioneiro sem condenação e sem prazo. Quando, afinal, pôde voltar ao continente e à vida civil, a iminência de nova prisão levou-o a asilar-se e daí ao exílio.

Eduardo Campos é neto de Miguel Arraes. Por isso diz estar “muito à vontade” quando subscreve o pretexto da “anistia para os dois lados”. Nas duas condições, está, portanto, desafiado a indicar os crimes de que seu avô foi anistiado. Os crimes cuja anistia justifica, no que lhe cabe, a anistia do lado dos que o prenderam depois de o derrubarem do governo conquistado pelo voto e exercido com o que sempre se achou ser impecável dignidade.

No exterior, residente na Argélia e depois na França, Arraes integrou a oposição ativa à ditadura brasileira. É possível que, do ponto de vista de Eduardo Campos, oposição ao regime dos generais ditadores fosse prática criminosa, como os próprios consideraram. A identificação de Eduardo Campos com o pretexto usado pelos militares reforça tal hipótese. A ser assim, porém, sua pretensão a concorrer à Presidência de um regime democrático não poderia ser vista senão como farsa. Farsa perigosa, como sugerem as identificações que exibe.

Não menos sugestivo é que esse mesmo Eduardo Campos integra, com os seus conceitos, o Partido Socialista Brasileiro. Vê-se que aprecia essa coisa de “para todos os lados”. Mas, se não tem fatos a narrar que justifiquem a anista de Arraes como compensação para a anistia do “outro lado”, então Eduardo Campos está manchando a história de um homem honrado. Da qual e do qual até agora só tirou proveito: sem ambas, não se sabe o que seria, mas por certo não teria sido o que já foi e não seria o que é.

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s