A GREVE DOS PM PERNAMBUCO CONFIRMA QUE NÃO PRECISAMOS DELA

por Evson Santos

 

policia

Por incrível que pareça, farei uma análise em sentido oposto quando se entende que quando a Polícia sai de cena (entra em greve), o “caos” toma conta da cidade (normalmente propagado pela imprensa – a única multidão que ela gosta é a do carnaval).

Vejo com normalidade os saques, as depredações. Essa é a história das multidões no Brasil – tanto na ordem tradicional, quanto da ordem urbana (cf José Martins) (http://www.fflch.usp.br/sociologia/temposocial/site/images/stories/edicoes/v082/linchamento.pdf).
Não devemos deduzir de que o “caos” na cidade prova que precisamos de Polícia. É o contrário: o “caos” se instalou porque existe MUITA Polícia.

Ausência da Polícia na rua confirma sua presença no “caos”. Ora, se refletirmos um pouco sobre as condições do caos, onde ocorre (bairros e municípios pobres), os seus autores, veremos, que na ampla maioria dos casos, os marginalizados sociais, educacionais, estão envolvidos. Obrigatoriamente, não são somente “ladrões”, os saqueadores: crianças, mulheres, jovens se aproveitam da ausência da Polícia e realizam numa condição catártica coisas que numa “normalidade” (a força explícita presente) não fariam.

Isso nos chama a atenção que os “ladrões” não são as ameaças que a imprensa constantemente os fabricam em suas matérias jornalísticas, mas o próprio POVO, os trabalhadores, os negros, os favelados que em ações conjuntas, assumem espontaneamente, em coletivos, sua autonomia/heterônoma gritando em ações que são vilipoendiados diariamente Mas eles não fazem em discursos elaborados, mas em ações ameaçadoras etc.

Não podemos esquecer que tivemos trezentos anos de escravidão, uma “República Velha” antipopular, um Estado Novo, uma democracias capengas e antipopulares (pós estado Novo) e uma ditadura civil-militar que massacrou o pouco de autonomia política emergentes do populismo, do anarquismo e comunismo. A única cois que o Estado brasileiro (e o escravocrta) forneceu à população brasileira (ou escravocrata) foi a “Polícia”, o ‘capataz”. Os líderes dos setores populares afirmam constantemente: a Polícia é a única doação (que funciona) do Estado brasileiro aos pobres e negros.

Quando a Polícia informa que está em greve, ela diz subliminarmente à população marginalizada: ajam, por pouco tempo, vocês poderão ser livres e usarem como bem quiserem dessa liberdade. A população entende a mensagem: sejamos livres. Expulsemos de nossas almas a dor, a humilhação, a impotência que secularmente nos impuseram: os antiliberais, os liberais, os democratas etc

Outra interpretação, valorizando o papel da Polícia – e do Exército, normalmente é chamado para botar ordem -, e da sua necessidade, é não entender que a Ordem da Polícia, é a desordem da sociedade.

Menos Polícia e mais democracia (com a população decidindo os seu rumos. Não confundamos com eleições farsantes). Menos miséria (de comida e de cultura letrada) e mais fartura. Mais liberdade, menos opressão no cotidiano. Viva a liberdade.

UM OUTRO BRASIL É POSSÍVEL: MENOS RECALQUE, MENOS REPRESSÃO

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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