A EXECUÇÃO DO BAILARINO DOUGLAS RAFAEL DA SILVA PEREIRA, POR UMA POLÍCIA DESPREPARADA, “COM LICENÇA PARA MATAR”

por George Sanguinetti

DG 1
Acostumada com a farsa, a primeira versão da Polícia Civil foi “que a vítima, segundo boletim médico feito no local, indica que os ferimentos de Douglas são compatíveis com morte ocasionada por queda”.

Desconheço boletim médico elaborado na ocasião em que corpos são encontrados. Creio que é uma criação da Polícia, para ocultar a violência cotidiana.

Não existe boletim médico de local. Só com o corpo no IML, se esclarece a causa da morte.

Quando no IML, foi encontrado ferimento por arma de fogo, na região lombar, cujo projétil, transfixou, saindo pelo ombro, após produzir laceração no pulmão e hemorragia interna.

Fica claro que o tiro foi deflagrado, com a vítima de costas, desarmada, sem condição de oferecer qualquer resistência ou perigo aos policiais.

O tiro, disparado pelas costas, fez com que o projétil tivesse um trajeto (percurso no interior do corpo) de traz para a frente, de baixo para cima, assim foi feita a bárbara execução, sem nenhuma possibilidade de defesa. Jamais resultou de troca de tiros entre policiais e traficantes. E o PAF, ou seja, a perfuração por arma de fogo, é compatível com disparo de pistola ponto 40. Quando este dado técnico foi divulgado, o esforçado pacificador Dr. Beltrame, Secretário de Defesa Social, apressou-se em desmentir o comunicado oficial, inicial da Polícia Civil, que a morte resultou de queda.

Segundo depoimento de amigo, teria sido confundido com traficante e espancado até a morte, por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora. A mãe, senhora Maria de Fátima da Silva, observou no corpo do filho, marcas de chutes, sinais de espancamento e que estava em posição de defesa. Se, presente o descrito, mais selvagem a execução, pois precedida de tortura e depois executada com tiro pelas costas.

Em protesto, na noite de terça-feira, dia do sepultamento de Douglas, foi assassinado com tiro no rosto, seu amigo Edilson da Silva Santos. Por que a Polícia para conter o protesto não utilizou bala de borracha, gás, etc? Por que munição letal?

DG enterro 1

DG enterro

DG manifestação

A Polícia age com a população como nos filmes de James Bond, “agentes com licença para matar”.

Isto foi ensinado durante a formação do policial? Ou é autorização dos superiores, para pacificar regiões mais pobres da cidade?

As Polícias têm que ser policiadas. Quantas e quantas vítimas “dos que tem licença para matar”!

Eis um trabalho para as Forças Singulares: Comandar, como já ocorreu, as Polícias, fazendo-as retornar aos limites da lei. Não há pena de morte no Brasil. E os sacrificados, geralmente são inocentes.

 

 

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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