Flagrantes poéticos de Nina Rizzi: Vida e morte nas favelas

 

 

 

1

a morte do favelado
– motivo para aidan
os buracos vazios de vez
trinta e uma mil balas para pacificação
esturricam no chão

 

2

um dia de manhã sentei naquele chão

tão preto
tão morto

fechei os olhos garrada em seu sangue seco
e pensei em quem seria
quem foi
ele os invisíveis

abri
como uma refugiada de guerra
uma vaca magra na fila do abate

 

3

ouço as sirenes indo embora
chegando
como uma marcha de chopin

os pássaros
o que é vivente
estão lá – longe
desse silêncio de mármore

outro carro
mais uma nota na marcha
insinuação de morte

 

4 réquiem

perene os vinte um sabores
picolé pipoca algodão doce tapioca
que os meninos se indo
saberão ainda – ausentes

bombas pás
rastros de névoa
aqui acolá
dissipam na floresta de ossos

 

 

 

Nina Rizzi
Nina Rizzi

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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