O PLANEJAMENTO DA CHACINA DA FAMÍLIA PESSEGHINI

por George Sanguinetti

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“CAMPANA” DURANTE A SEMANA POR POLICIAIS FARDADOS. DOIS POLICIAIS FARDADOS VISTOS, ALTAS HORAS DA NOITE, PULANDO O MURO DA RESIDÊNCIA. GRITOS FORAM OUVIDOS. “CALA A BOCA! FICA QUIETO!’ NÃO OUVI OS TIROS, NÃO SEI SE USARAM SILENCIADOR”.

O relatado acima, transcrição de um audio gravado, consta no inquérito, mas o declarante não aceitou servir de testemunha, nem também aceitou ficar sob proteção, no programa de proteção a testemunha. Justificou ter visto a circulação dos policiais, durante a semana e como viu policiais fardados entraram pelo muro (saltaram o muro) na noite anterior a descoberta dos corpos. Estes mesmos policiais que estavam fardados, durante a semana fizeram “campana “, praticamente todos os dias, na frente da casa do sargento PM Luis Marcelo Pesseghini.

“Na noite que pularam o muro ouvi gritos e ‘cala a boca e fica todo mundo quieto’. E ficaram todos em silêncio; foi do sábado para o domingo; não ouvi tiros, também não posso responder se usaram ‘silenciador’, para ocasionar as mortes. Nesta ocasião o menor Marcelo não estava lá; ele dormiu na casa de Guilherme, um coleguinha da escola. Pode confirmar; eu tenho filhos que estudam com eles. Eu vi os dois policiais fardados pularem o muro de sábado para domingo e ouvi os gritos e depois o mais completo silêncio. Estava próximo, na casa de familiar e outras pessoas, os vizinhos, também, viram a ‘campana’, e depois a noite quando pularam o muro; era bem tarde da noite; eram policiais, mas os vizinhos não quiseram testemunhar porque têm medo da polícia. Eu mesmo informo ao senhor, mas não assino nada, não sou testemunha de nada, não quero morrer. Eu conheço um dos policiais que faziam a ‘campana’ na casa e que saltou o muro com o outro policial fardado, ele é da ROCAM. Vi várias vezes, eles vigiando a casa, passavam na frente, davam uma volta; os vizinhos também viram e acharam estranho, eles querem falar, mas têm medo. E muitos ouviram os gritos, ‘cala a boca ‘, e ‘fica quieto’. Ficaram lá de 2 a 3 horas e saltaram o muro, para sair. Só 36 horas após a polícia chegou e encontrou os corpos”.

O que é real: o depoente estava na casa de irmã, que é vizinha da família Pesseghini; que seus filhos estudavam com o menor Marcelo; que havia coerência nas informações. Por não aceitar ser testemunha, foi gravado o audio, cuja transcrição consta no inquérito que apura a autoria das mortes.

Como até hoje, realidade e ficção, fazem parte do inquérito, e minha área é Medicina Legal e Criminologia, não tenho elementos para formar juízo. Aos Promotores de Justiça, Delegados a necessária investigação do relatado, na transcrição do audio. Folhas 434 a 438 do inquérito.

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Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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