Jornais brasileiros são mais golpistas que os jornais venezuelanos

Um golpe na Venezuela pode ter um efeito dominó que atingirá governos nacionalistas e esquerdistas da América do Sul, odiados pela ditadura da imprensa conservadora e elitista.

A imprensa brasileira prega o golpe na Bolívia (Evo Morales promoveu um referendo, e é o primeiro índio a presidir um país), no Uruguai (José Mujica, ex-“terrorista”), no Brasil (Dilma Rousseff, ex-“terrorista”), no Equador (Rafael Correa também realizou um referendo, eliminando antigas leis coloniais), na Argentina (Cristina Kirchner luta pela independência econômica).

Compare as manchetes de hoje dos jornais do Brasil com as dos jornais da Venezuela. Veja quem prega o golpe. A imprensa brasileira esconde que Lopoldo Lópes era um fugitivo da justiça, e negociou sua entrega com o presidente Nicolás Maduro, temeroso dos fanáticos da esquerda e da direita.

JORNAIS DA VENEZUELA HOJE

PORTADA LA VOZ

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JORNAIS DO BRASIL HOJE

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Melodramática versão do Correio Brasiliense, escrita por Rodrigo Craveiro: Vestido de branco, ele carregava a bandeira da Venezuela na mão direita e trazia uma flor branca na esquerda. Um soldado da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) usou a cabeça para forçá-lo a entrar na viatura blindada, enquanto outro o “abraçou” e o empurrou para dentro. Enfurecida e em êxtase, a multidão, reunida na Praça José Martí, em Chacaíto (região de Caracas), gritava: “Não se entregue! Não se entregue!”. O povo ergueu sua mulher, Lilian Tintori, para se despedir com um beijo. Ela lhe entregou um crucifixo. Às 12h24 (13h54 em Brasília), depois de fazer um discurso pelo qual foi ovacionado, Leopoldo López, líder do partido de oposição Voluntad Popular, passou a ser considerado preso político.

Cinco horas depois, estava diante de um juiz, em uma sala do Palácio da Justiça, acompanhado do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello. Acusado de oito crimes, incluindo terrorismo e homicídio, o economista formado pela Universidade de Harvard passou a noite no Centro de Processados Militares de Ramo Verde, em Los Teques, a 32km de Caracas. López deve retornar ao tribunal ao meio-dia de hoje (13h30 em Brasília). As autoridades culpam-nos pelas três mortes nos protestos de 12 de fevereiro. O tiro disparado pelo governo de Nicolás Maduro pode ter atingido o pé do próprio presidente. Segundo analistas, a prisão vai potencializar apoio à oposição, fortalecer a imagem de López e desgastar a reputação do sucessor de Hugo Chávez. Marchas de solidariedade ao opositor ocorreram em várias cidades, entre elas Barquisimeto, Mérida e Valência, onde uma mulher foi baleada.
Antes de se entregar à GNB, López utilizou um megafone para falar aos simpatizantes, muitos dos quais usavam branco. “Eu tinha a opção de partir, mas não sairei nunca da Venezuela. Outra opção era ficar escondido na clandestinidade, e nada temos a esconder”, declarou. “Se minha prisão permitir à Venezuela despertar definitivamente, (…) ela valerá a pena”, acrescentou. Vereador em Caracas e coordenador político nacional adjunto do Voluntad Popular, Freddy Guevara estava ao lado de López. “Uma comitiva de delegados o acompanha. Nossa luta vai prosseguir. O povo venezuelano não vai retroceder”, afirmou ao Correio, por telefone. De acordo com ele, a batalha não se trata apenas de Leopoldo, mas de “um sistema decidido a acabar com pensamentos independentes, antidemocrático e ineficiente, que levou a Venezuela aos maiores índices de inflação e de pobreza da América Latina”.

Para José Vicente Carrasquero Aumaitre, cientista político da Universidad Simón Bolívar (Caracas), a rendição foi um “impactante ato de comunicação política”, que vai potencializar, de modo importante, a imagem do opositor. “Ao mesmo tempo, surtirá efeitos negativos na debilitada imagem de um governo incapaz de resolver problemas econômicos e sociais muito graves”, admitiu à reportagem. Ele classifica as acusações contra López de “aventura comunicacional”, voltada a desprestigiar o líder do Voluntad Popular. “Os resultados foram contraproducentes. Em vez de sair do país, López enfrentou a situação.”

[As citações de economistas e da Universidade de Harvard visam dar credibilidade à notícia e valorizar a importância de Leopoldo López, um empresário rico dos negócios de petrodólares]

Publica La Voz, jornal oposicionista:

Maduro: Cuidamos la vida de Leopoldo López

El jefe de Estado dijo que el líder opositor fue llevado por el presidente de la Asamblea Nacional, Diosdado Cabello, ante las autoridades para preservar su integridad física, porque según la información que maneja el Gobierno, el dirigente de Voluntad Popular sería objeto de un atentado

“Para que ustedes vean lo que hace la revolución para garantizar la paz. Nosotros terminamos cuidando la vida de Leopoldo López”, sostuvo el presidente Nicolás Maduro, al señalar la tarde de ayer que “en este momento el compañero Diosdado se dirige, él manejando su carro, está llevando a una cárcel fuera de Caracas a Leopoldo López para que responda ante la justicia”, dijo Maduro en un acto ante seguidores. El coordinador general de Voluntad Popular, fue trasladado al Cenapromil, cárcel militar ubicada en Ramo Verde, Los Teques
El gobernante aseguró que en la madrugada del martes se llegó “a un acuerdo amigable para cumplir la ley” entre el Gobierno y el dirigente opositor “y Leopoldo López aceptó entregarse en paz a la justicia venezolana”. “Y eso es lo que hicimos hoy”, señaló y dijo que el opositor “tiene que responder ante la Fiscalía, ante los tribunales y las leyes de la República, por sus llamados a desconocimientos de la Constitución”.
El presidente también dijo estar seguro de que los padres de López, así estén en su contra, saben que su Gobierno “le salvó la vida” a su hijo, al insistir en que existe un plan de Estados Unidos para generar conflictos en Venezuela que terminen en un golpe de Estado.
Ayer una marcha de trabajadores oficialistas se dirigió hasta el palacio de Miraflores, a cuyas afueras el mandatario nacional firmó el contrato colectivo del ramo petrolero.

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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