Quem jogou a bomba que afundou o crânio de Santiago?

Federalizar já a investigação do assassinato premeditado do cinegrafista Santiago Andrade. Uma polícia que joga bombas de gás lacrimogêneo, de gás de efeito (i)moral em jornalistas, não tem autoridade moral. Uma polícia que atira balas de borracha para cegar cinegrafistas e fotógrafos não tem nenhuma credibilidade.

cinegrafista tragédia anunciada

Está na internert: Antes do cinegrafista, já tivemos outras mortes em manifestações. Mas quantas foram investigadas e os responsáveis condenados? E os outros jornalistas atingidos? Houve alguma campanha midiática pela punição dos responsáveis por esses crimes? Por que há uma forma diferenciada como são tratados os casos de violência? E por que essa ânsia toda de culpar de todas as formas possíveis os Black Blocks? Por que um advogado ligado as milícias tentou incriminar um político do Rio, Marcelo Freixo, a morte do cinegrafista?

Segue abaixo a lista das pessoas mortas nas manifestações:

1. a gari Cleonice Vieira de Moraes, em Belém (PA), vítima do gás lacrimogêneo lançado pela polícia militar;

2. 13 mortos na favela Nova Holanda, no Complexo da Maré no Rio de Janeiro (RJ) – neste caso, a imprensa sequer se deu ao trabalho de informar todos os nomes;

3. o estudante Marcos Delefrate, de 18 anos, em Ribeirão Preto (SP), atropelado por um carro que furou um bloqueio de manifestantes;

4. Valdinete Rodrigues Pereira e Maria Aparecida, atropeladas em protesto na BR-251, no distrito de Campos Lindos, em Cristalina (GO);

5. Douglas Henrique de Oliveira, de 21 anos, que caiu do viaduto José Alencar, em Belo Horizonte (MG), por ter sido acuado pela polícia militar;

6. o marceneiro Igor Oliveira da Silva, de 16 anos, atropelado por um caminhão que fugia de uma manifestação, numa ciclovia próxima à Rodovia Cônego Domênico Rangoni, na altura de Guarujá (SP);

7. Paulo Patrick, de 14 anos, atropelado por um táxi durante manifestação em Teresina (PI);

8. a manifestante Gleise Nana, de 33 anos, insultada e coagida por mensagem de facebook de um sargento da polícia no dia 7 de setembro – no dia 18 de outubro seu apartamento pegou fogo e no dia 25 de novembro não resistiu as queimaduras que afetaram 35% de seu corpo e faleceu;

9. Fernando da Silva Cândido, ator, por inalação de gás lançado pela polícia, no Rio de Janeiro (RJ).

10. o idoso que foi atropelado por um ônibus ao tentar fugir da polícia, na mesma manifestação em que o cinegrafista Santiago foi atingido – sobre esta outra vítima, nenhuma linha na imprensa. Chamava-se Tasman Amaral Accioly e era vendedor ambulante.

feridos

Conheça vários casos de pessoas mortas e feridas em manifestações no Brasil. Clique aqui 

Os soldados mais violentos são comandados pelos governadores corruptos Sérgio Cabral e Geraldo Alckmin.

Federalizar o inquérito sim. Na internet começam a aparecer as dúvidas:

policiais loucos

“Esses policias treinados pelo pessoal do filme O Procurado conseguem dar tiro de bomba para fazer o petardo dar uma volta pelas costas do jornalista e acertar a cara dele debaixo pra cima e afundar o crânio. Bomba fazer curva, o cinema americano tem que aprender isso…”

Outra dúvida levantada:

projetil

Fotos mostram que foi a PM quem disparou contra o cinegrafista da Band

Jornal Causa Operária: Imagens reunidas por ativistas da internet negam a versão de que foi um manifestante o responsável pela morte de Santiago Andrade. O que reforça que a imprensa burguesa está usando o fato como pretexto para aumentar a repressão

Diante da tentativa da imprensa burguesa de colocar a culpa da morte do cinegrafista Santiago Andrade nos manifestantes, um grupo de ativistas da internet reuniu fotos que atestam justamente o oposto. Nas fotos (veja abaixo) fica claro que se trata de uma munição industrial e não um rojão como se afirmou exaustivamente nos jornais e redes de rádio e televisão.

Em uma das fotos, um destes ativistas segura o artefato com a mão.

Estas fotos corroboram o depoimento dado por outro cinegrafista presente a manifestação do dia 6, Bernardo Menezes, funcionário da Rede Globo. Em uma reportagem da Globo News ele dá o seguinte relato: “Tudo aconteceu no momento em que os manifestantes se aglomeraram no Comando do Leste, um edifício do Exército situado no Centro do Rio, ao lado da Central do Brasil. A Polícia Militar tentava dispersar os manifestantes e lançou várias bombas de efeito moral. E um destes artefatos estourou bem perto do cinegrafista da Band. Eu estava há alguns metros e vi quando isso aconteceu. Ele na mesma hora caiu no chão e ficou com um ferimento na cabeça, perdendo bastante sangue. Colegas e outras pessoas que estavam próximas obviamente correram para tentar ajuda-lo. Cercaram o cinegrafista [que estava] no chão e alguns PMs lançaram ainda mais bomba, o que provocou mais confusão” [grifo nosso].

imagem 1

Imagem 2

Imagem 3

Imagem 4

Além disso, também chama a atenção alguns fatos. Na imprensa burguesa, em particular na televisão, “especialistas” chegaram rapidamente à conclusão de que foi um manifestante quem disparou um rojão que acertou o cinegrafista. O que além de tudo, mostra a disposição desta mesma imprensa em considerar um manifestante culpado mesmo sem qualquer julgamento.

Uma tática comum em campanhas que servem como pretexto para justificar medidas que aumentam a repressão.

Outra questão é que não foram amplamente divulgadas as imagens das câmeras usadas para monitorar o trânsito e, segundo alegam os governos, para garantir a segurança. Certamente elas poderiam fornecer mais dados sobre o conflito no Centro do Rio. O que temos são apenas alguns registros. Por que estas imagens não são divulgadas e analisadas? Por que mostrariam que os disparos partiram da polícia?

Neste sentido, é preciso repudiar tanto a ação da PM como a cobertura da imprensa capitalista, responsável pela propaganda contra os manifestanes, em favor do aumento da repressão.

Vídeo da reportagem de Bernardo Menezes

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Um comentário sobre “Quem jogou a bomba que afundou o crânio de Santiago?”

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