O livre comércio de foguetes, rojões e morteiros

Cinegrafista

Para a Polícia Civil do Rio de Janeiro, um rojão afundou o crânio do cinegrafista Santiago Andrade. Trata-se de um artefato vendido livremente em lojas de fogos de artifício.

Segundo Ellington Cacela, especialista do esquadrão antibombas da tropa de elite da Polícia Civil fluminense, um rojão de vara ou treme terra.

Ainda de acordo com Cacela, o artefato tem cerca de 60 gramas de pólvora e, antes de ser deflagrado, conta com um pavio que alimenta um propulsor antes da explosão final. [Veja vídeo da Band]

Santiago Andrade antes de ser atingido. Na foto,  o rojão aceso no chão antes de e tomar o caminho junto ao rosto do cinegrafista, conforme conclui a polícia
Santiago Andrade antes de ser atingido.
Na foto, o rojão aceso no chão antes de tomar o caminho junto ao rosto do cinegrafista, conforme conclui a polícia

“Fizemos um teste de controle no esquadrão antibombas, fomos ao hospital ver a natureza das lesões, e nos levou a saber que foi esse fogo de artifício”, disse Cacela, salientando também que esse tipo de explosivo, além de autorização prévia da norma R105, do Exército, só pode ser solto com o auxílio de uma vara de pelo menos um metro de comprimento e afastado ao menos 30 metros de onde circulam pessoas.

“É uma onda de pressão muito grande”, afirmou. Essa onda de pressão, ou o forte deslocamento de ar, foi o que vitimou o cinegrafista. A roupa do profissional da TV Bandeirantes foi recolhida para perícia, bem como fragmentos do explosivo foram retirados, nesta sexta-feira, do local para auxiliar na elucidação do caso.

Transcrevi trechos de reportagem de André Naddeo, publicado por Luis Nassif. Espero que tenha sido um médico legista quem retirou os fragmentos do explosivo do corpo de Santiago, e não Cancela.

perigo

Desde que começaram as manifestações que a polícia denuncia o lançamento de rojões, e nenhum governo cuidou de fiscalizar sua comercialização. Os governadores estão mais interessados em uma lei que considere as manifestações populares como ações terroristas.

Desde 2012, tramita na Câmara projeto que restringe a venda de fogos de artifício das classes C e D a empresas. Estão nas categorias listadas foguetes, rojões e morteiros. Atualmente, o Decreto-Lei 4.238/42, que trata da fabricação, do comércio e do uso de artigos pirotécnicos e proíbe a venda desses produtos a menores de idade, sem distinção entre pessoas físicas e jurídicas.

Segundo a proposta (Projeto de Lei 3271/12), do deputado Jose Stédile (PSB-RS), os fabricantes e os estabelecimentos comerciais que venderem esses fogos deverão identificar, em livro próprio, a pessoa jurídica compradora, a qualidade e a espécie dos produtos adquiridos.

O projeto mantém, por outro lado, a exigência já existente de licença prévia da autoridade competente para a queima dos fogos, com hora e local previamente designados. Além disso, em qualquer tipo de evento, o acionamento de fogos incluídos nas classes C e D só poderá ser feito por empresa ou pessoa especializada de órgão público, se for o caso.

Acidentes
Com a medida, Jose Stédile espera evitar acidentes com fogos de artifício. “Acionar determinadas classes de fogos não é coisa de amadores. Exige profissionais”, afirma o parlamentar.

Levantamento do Ministério da Saúde indica que, entre janeiro e outubro de 2011, cinco pessoas morreram em decorrência de acidentes com fogos de artifício. No mesmo período, 461 pessoas foram internadas pelo mesmo motivo. O deputado anexou ao projeto fotos de pessoas que tiveram boa parte de seus corpos queimados ou membros amputados por causa do uso de fogos de artifícios.

Vídeo: rojão de vara

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Um comentário sobre “O livre comércio de foguetes, rojões e morteiros”

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