Geraldo Elísio denuncia na Assembléia de MG que tem três livros sob censura

A todos os meus amigos.
Acompanhado da minha advogada doutora Aurora Ramalho compareci hoje a um “Pinga Fogo” televisado da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Minas Gerais para expor a situação decorrente da apreensão com ordem judicial de meu netbook, pendrive, HD externo, CD’s e cadernetas de telefones e outras anotações.
Primeiro reafirmei a minha alegria em constatar a eficiência do órgão então inexistente em 1977 quando, em companhia de outros colegas ganhei o Prêmio Esso Regional de Jornalismo denunciando torturas quando ainda vigia o AI-5.
Agradeci a todos os parlamentares integrantes da Mesa dos Trabalhos pedindo aos mesmos se fizessem porta vozes de meus respeitos a todos os senhores parlamentar, integrantes de um Poder fundamental para a existência da vida democrática.
Reafirmei não mudar um ponto de tudo o que já escrevi a respeito e a minha estranheza diante do ocorrido em virtude de ter trabalhado no site Novojornal, hoje fora do ar.
Disse da minha convicção de que nenhum cidadão brasileiro a começar por eu próprio se situa acima de qualquer suspeita, e, perante os integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, de livre e espontânea vontade assinei um documento a ser encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais autorizando a quebra de meus sigilos fiscais, bancário e telefônico, tendo como testemunhas parlamentares da oposição e situação.
Abri mão igualmente de eventual prerrogativa de dispor de mais de 70 anos argumentando que desejo ser um cidadão livre não em virtude de uma idade avançada, mas por nada dever ou temer, nem a Deus por que a um Pai que é a Suprema Bondade e Sabedoria não se pode temer, cabendo sim o respeito.
E reafirmei a minha condição de perseguido político e de três livros que estou em fase de conclusão estar sob censura prévia, cujos textos estão contidos no meu notbok que sinceramente espero não venha a sofrer danos, pois os senhores policiais do Depatri que estiveram em minha residência, embora sendo educados e cumprindo a formalidade de ouvir duas testemunhas nem o número do processo deixaram comigo, não me exibiram a relação do que foi recolhido e não colheram nenhuma assinatura minha, sequer lacrando os equipamentos arrestados o que logicamente causa preocupações de várias naturezas.
Providências serão tomadas e agradeço a cordialidade dos senhores parlamentares Durval Ângelo, Sebastião Costa, Duarte Bechir, Rogério Corrêa, Célio Moreira, Bonifácio Mourão e a deputada Elisa Prado.
Tudo o que escrevi decorreu das minhas prerrogativas profissionais e constitucionais, inclusive o segredo da fonte, e na crença absoluta do que ouvi da boca de um amigo do passado, o doutor Tancredo Neves segundo o qual “O primeiro compromisso de Minas é com a liberdade”. Não posso assegurar que todos aprenderam esta máxima. Eu aprendi!
Geraldo Elísio (de camisa) na Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Foi saudado pelo deputado Rogério Correia: "Geraldo tem História no jornalismo e no combate à ditadura militar". Foto: Juniamar Azeredo Coutinho
Geraldo Elísio (de camisa) na Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Foi saudado pelo deputado Rogério Correia: “Geraldo tem História no jornalismo e no combate à ditadura militar”. Foto: Juniamar Azeredo Coutinho

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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