Olhar de fotógrafo

por Cristina Moreno de Castro

 

Cristina Moreno de Castro
Cristina Moreno de Castro

 

Andando rápido. Caminho longo.

Trinta minutos em quatro quilômetros.

Cidade no centro é pura fotografia.

Mulher ranzinza com bebê ao colo.

Nenhum sentimento, bela foto.

Prédios correndo rápido, carros lentos.

Na linda avenida com postes altos.

Sol de rachar, camelôs, vinis, barato.

Chego ao destino, mil vidas depois.

Puro pensamento.

Mais tarde, caminho de volta é sem compromisso.

Livros e teatros, bares e livros.

Maletta cheio de boemia precoce.

Ainda  é cedo e hoje é terça-feira.

Mas todos querem festa, querem descansar.

A hora mágica surge, espontaneamente

– como sempre.

E contrasta luzes da Praça

da Liberdade.

Estou livre, e feliz e cheia de vida.

Correria o triplo, se preciso fosse

e se não me privassem do meu pensamento.

Natal, tão longe, baixou seu clima no meu peito.

Misto de saudade e fé, desejo e necessidade.

Quero presentear a todos.

E viver natal como se fosse sempre.

Enquanto isso, três crianças devoram um cachorro-quente

um para cada.

E isso é felicidade.

– Que prédio alto! E acenam para o porteiro-pai.

E isso é minha felicidade.

Livre, estourando toda em mim.

Como as praças, e as casas velhas e os rostos enrugados

felizes de minhas fotografias.

 

 

 

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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