Uma homenagem brega para o rei morto. Viva o rei

Reginaldo Rossi foi listado pela revista Veja como um dos “dez maiores ícones bregas da música brasileira”.

E o que é brega? Define Pollyane Lima e Silva: “É o visual bizarro, a falta de noção ou o talento imenso para tirar sarro? Não importa. Alguns artistas brasileiros apostam tanto no popularesco que o que seria chamado de ridículo chega a fazer (muito) sucesso”.

Estão na lista:

1. Sidney Magal (com o sucesso Sandra Rosa Madalena)

2. Gretchen  (Freak Le Boom Boom)

3. Reginaldo Rossi

4. Cauby Peixoto

5. Banda Calypso (Joelma e Chimbinha, com o sucesso Cavalo Manco)

6. Falcão (Holiday foi muito)

7. Waldick Soriano (Eu não sou cachorro não)

8. Rita Cadillac

9. Ovelha (Oh, Carol), que é recifense.

10. Luiz Caldas (É o tchans)

Leia as biografias, e veja e escute e delire com as principais músicas dos dez bregas que são onze.

Diz Pollyane Lima e Silva: “Se o brega tem um rei, ele se chama Reginaldo Rossi. Mas não foi sempre assim, o pernambucano que usa e abusa do que há de mais cafona, tanto no visual quanto nas letras de suas músicas, começou a carreira influenciado pelos Beatles e no embalo Iê Iê Iê da Jovem Guarda, na década de 60 – mesmo que seu disco O Quente já fosse um prenúncio do que ele se tornaria. Mas foi só 30 anos depois que a música Garçom o ajudou a conquistar a popularidade de norte a sul do país”.

A lista da Veja de 2010 qualificou apenas os cantores vivos,  que mortos e esquecidos existem centenas. Nesta lista dos pra lá de vivos, acrescentaria Roberto Carlos.

Entre os mortos lembro Vicente Celestino, com O Ébrio (“Tornei-me um ébrio e na bebida busco esquecer/Aquela ingrata que eu amava e que me abandonou”), e Porta Aberta (“Tendo o emblema de uma cruz/ Essa porta não se fecha/ Contra ela não há queixa/ São os braços de Jesus”). As letras dos antigos bregas são memoráveis. Dos atuais, a degeneração da música brasileira, com todo tipo de apelação, inclusive o pornô.

Porque já começou o ano eleitoral de 2014, e por ser do gosto musical dos dois, e para adular o eleitor, o governador Eduardo Campos, candidato a presidente, e o prefeito do Recife, Geraldo Julio, buscam alguma obra pública para colocar o nome de Agnaldo Rossi – qualquer elefante branco que não seja da construção deles. No caso de Geraldo Julio porque não existe. Neste primeiro ano de governo não colocou tijolo em nada, talvez alguma desconhecida cova. O governador Eduardo Campos levantou o estádio da Copa do Mundo, construído na Mata de São Lourenço.

Rossi

Tirar o nome da mãe do ex-presidente Lula da Silva seria uma desfeita dos tucanos, e um ato de provocação de Eduardo Campos e Geraldo Julio.

Prefiro o Garçon de Noel Rosa, em Conversa de Botequim. O genial Noel nunca precisou ser grotesco e vulgar. Para o “Rei”, alguma coisa brega que nem ele. Que o governador e o prefeito usem a imaginação.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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