A desfiguração da maior festa popular do Brasil

Geraldo Julio, Eduardo Campos e Felipe Carreras
Geraldo Julio, Eduardo Campos e Felipe Carreras

Dinheiro para festanças, para o circo sem pão, e obras faraônicas nunca faltou.

O “melhor” dessas festas, que os governadores e prefeitos promovem nas cidades com imensos currais eleitorais, acontece nos camarotes, montados nas alturas, das autoridades e lobistas das empreiteiras.

Escreve Noélia Brito: “A Secretaria de Turismo do Recife, comandada pelo empresário Felipe Carreras, por meio de inexigibilidade de licitação, vai desembolsar nada menos que R$ 1.625.000,00 para patrocinar três eventos no final de 2013 e início de 2014, em nossa cidade.

Só para patrocinar a Copa da Nações de Beach Soccer 2013 e a Copa América de Beach Soccer, a Prefeitura do Recife vai pagar à empresa Koch Tavares Promoções e Eventos a bagatela de R$ 1 milhão.

Para o patrocínio do tradicional Baile do Menino Deus, a empresa Relicário Produções Culturais e Ediatoriais receberá R$ 625 mil. Confiram

São festas mil. Veja mais uma. Informa Antonio Nelson: “O contratante é a Fundação de Cultura do Recife. Na virada do ano, no polo de Boa Viagem, sobem ao palco Titãs, Patusco, Elba Ramalho e Spok Frevo Orquestra – músicos pernambucanos -.

Titãs receberá R$ 275.000,00 para única apresentação. Os artistas locais – a Spok Frevo aufirerá R$ 60.000,00.

Já Elba R$ 160.000,00. O show da artista, no São João, saiu no valor de R$ 90.000,00. Já no “Ciclo Natalino 2013″ a Fundação paga R$ 160.000,00.” Veja os contratos

Não se faz nada que preste para o povo. Boa Viagem, cercada por favelas, não possui nenhum mercado público. O governo municipal, com as escolas e postos de saúde sucatados, não tem biblioteca pública, e não investe nada em eventos culturais. Prefere gastar dinheiro na degeneração da música brasileira. Na descaracterização do nosso folclore.

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A MAIOR FESTA POPULAR DO BRASIL

Escreveu Câmara Cascudo (1962): “Natal é a maior festa popular do Brasil, determinando um verdadeiro ciclo, com bailados, autos tradicionais, bailes, alimentos típicos, reuniões etc. De meados de dezembro até Dia de Reis, 6 de janeiro, uma série de festas ocorre por todo o Brasil, especialmente pelo interior, onde a tradição é mais viva e sensível. O bumba-meu-boi, boi, boi-calemba, cheganças, marujadas ou fandango, pastoris com as velhas lapinhas de outrora, congadas ou congos, reisados estão nos dias mais prestigiados”.

A Tv Globo cuidou, conforme o Projeto Camelot, de acabar com “todos esses divertimentos, públicos, nas festas particulares ou  nas sociedades”. Um Projeto da Ditadura Militar que continua.

É! não se faz nada que preste para o povo.

Não se investe em lazer. Recife não tem nenhum passeio público.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

3 comentários em “A desfiguração da maior festa popular do Brasil”

  1. Enquanto o capital privado for o dono do casino das eleições, a governação será um deserto no equilibro social sem um vislumbre de uma fonte de água para fazer vingar a democracia desta Nação.

  2. O dinheiro que rola no cassino, o legal e do caixa 2, termina pago pelo povo. Via declarações dos impostos das pessoas físicas e jurídicas, fundo partidário, e desvio de verbas públicas & outros esquemas secretos, inclusive o tráfico, principalmente o de moedas. A justiça eleitoral faz que não sabe. Apesar dos vícios, prefiro a democracia. Ditadura nunca mais!

    1. Naturalmente que Ditadura Nunca Mais!
      Nem ditadura de direita como a que já foi vivida por aqui, nem a ditadura do proletariado (algo como a antiga união soviética) como muitos extremistas de esquerda andam a tentar vender em todas as esquinas.
      Infelizmente o desenvolvimento da democracia está a ser sufocada tanto pela extrema direita como pela extrema esquerda. É só viajar um pouco pelo interior do Nordeste Cearense, pelo Piaui e pelo Maranhão para nos darmos conta que aqueles políticos que por ali foram “eleitos” , independentemente das cores políticas, só lá estão para encher os bolsos e não para governar pelo desenvolvimento, nem para zelar pelo bem e bens do Povo.
      Mas também podemos afirmar que um capitalismo selvagem está a instalar-se gradual e perigosamente nos centros urbanos e rurais.

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