Cobertura do helicóptero com cocaína faz senador Perrella apelar para uma lei forte de censura

Escrito por Agência Senado

Em desabafo durante reunião desta terça-feira (10) na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), o presidente do colegiado, senador Zezé Perrella (PDT-MG) criticou o tratamento dado por parte da imprensa em matérias sobre o transporte de drogas feito com o helicóptero da empresa da sua família.

Zezé Perrella observou que a Polícia Federal descartou, com base em ligações telefônicas dos presos, o envolvimento de seu filho, o deputado estadual Gustavo Perrella (Solidariedade-MG), e de sua família no caso.

“Hoje a Polícia Federal soltou um relatório dizendo que a família Perrella não tem nenhum envolvimento. Já passou da hora de revermos a Lei de Imprensa. A maioria deles não tem nenhuma responsabilidade com o que escreve. Deturpam a moral das pessoas. Quero ver agora o que a imprensa vai dizer. Tomei pancada a semana inteira com matérias distorcidas, dirigidas, tentando denegrir a imagem de um jovem deputado de apenas 30 anos”, disse o senador em referência ao seu filho.

Ele afirmou que tem faltado ao Congresso Nacional “coragem” para votar “uma legislação forte” contra os desvios da imprensa: “Até hoje não tivemos coragem de votar uma Lei de Imprensa. Não estou falando da imprensa séria, mas dessa imprensa marrom que quer primeiro condenar para depois esperar os fatos. Tínhamos que ter uma legislação forte. Na internet, blogueiros escrevem o que querem escrever e não acontece nada. Eu quero ver se a mídia vai dar o mesmo destaque agora”, disse o senador, ponderando que alguns jornalistas e veículos trataram do tema com isenção.

Os senadores Ivo Cassol (PP-RO), Sérgio Souza (PMDB-PR), Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Luiz Henrique (PDMB-SC), Ricardo Ferraço (PMDB-ES) lamentaram a abordagem da imprensa no caso e prestaram solidariedade a Zezé Perrella e a sua família. Eles concordaram que a presunção de inocência não foi respeitada por alguns veículos de comunicação.

Helicóptero do deputado Gustavo Perrella buscou droga no Paraguai, diz Polícia Federal

Eis a notícia que o senador Perrella quer destaque:A droga encontrada no helicóptero da família Perrella foi pega no Paraguai, segundo informações do delegado da Polícia Federal (PF), Leonardo Damasceno, divulgadas nesta terça-feira, em reportagem da TV Gazeta, de Vitória-ES. O investigador reafirmou que os donos da aeronave, o deputado Gustavo Perrella e a irmã dele, Carolina Perrella, não têm ligações com os 445 quilos de cocaína apreendidos.

Leia também: Preso com cocaína em helicóptero da família Perrella admite ser de quadrilha internacional

Correio Braziliense – De acordo com a polícia, o GPS do helicóptero apontou a passagem pelo Paraguai em 23 de novembro. Em seguida, a aeronave pousou no interior de São Paulo – em local não identificado – e, sem a droga, foi à capital paulista, onde permaneceu durante a noite no Campo de Marte. No dia 24, o veículo retornou ao município interiorano para pegar a cocaína, passou por Divinópolis, Região Central de Minas, onde abasteceu, e seguiu para o Espírito Santo.

Em Afonso Cláudio, território capixaba, policiais inspecionavam um terreno ao lado da fazenda em que o helicóptero foi encontrado. Os investigadores já suspeitavam do uso do local para o tráfico de entorpecentes.

Conforme a reportagem, o delegado declarou que ligações trocadas entre os quatro suspeitos presos no helicóptero não demonstram envolvimento da família Perrella com a droga. Além disso, o piloto Rogério Antunes afirmou, em depoimento, que agiu por conta própria.

Advogado de piloto preso com cocaína afirma que deputado sabia de voo

Terra Brasil – O advogado de Rogério Almeida Antunes, que transportou mais de 400 quilos de cocaína no helicóptero da empresa do deputado estadual Gustavo Perrella, disse que o parlamentar sabia sobre a viagem para a cidade de Afonso Cláudio (ES). Segundo Nicacio Tiradentes, ao receber o pedido da encomenda na última sexta-feira, a primeira coisa que seu cliente fez foi informar ao deputado sobre a viagem. Segundo ele, a informação era de que a carga se tratava de produtos agrícolas.

“O Rogério recebeu o comunicado de um transporte e a primeira coisa ele faz, na véspera (da viagem), era ligar para o deputado perguntando se ele poderia fazer o transporte e ele concordou”, disse o advogado, questionando uma declaração de Gustavo Perrella, que teria dito que o helicóptero foi roubado pelo seu funcionário.

“O Gustavo foi infeliz em falar que o meu cliente roubou o avião. Isso é o que me indignou (…). Ele (Gustavo) foi inexperiente, dizendo que o avião estava para manutenção”, falou Nicacio. A defesa do piloto afirmou que é possível comprovar a ligação efetuada por Rogério e, caso seja necessário, uma quebra de sigilo telefônico comprovaria a versão apresentada.

Apesar da insatisfação com o deputado Perrella, o advogado do piloto acredita que ele, assim como seu cliente, não sabia da existência da droga. “Eu acredito que o deputado não sabia da droga. Por que ele foi dizer, então, que o meu cliente roubou a aeronave, sendo que isso não é verdade?”, questionou.

Além do piloto , foram presos o co-piloto Alexandre José de Oliveira Júnior e os responsáveis pela descarga da mercadoria,  Robson Ferreira Dias e Everaldo Lopes de Souza.

O piloto Rogério Almeida Antunes admitiu em depoimento que, pelo valor oferecido para o transporte da mercadoria, “imaginou que fosse droga”. Ele admitiu ainda que os patrões não sabiam qual era a carga.

Nota do redator do blogue: A droga foi embarcada no Paraguai (antes informaram que foi na Bolívia) no dia 23 de novembro. E descarregada em local não identificado no interior de São Paulo. O piloto viajou para a capital paulista. Voltou no dia 24, quando o helicóptero foi novamente recarregado, e o piloto apenas desconfiou que estava transportando droga.

Eis a carga que o piloto apenas suspeitava que poderia ser droga
Eis a carga que o piloto apenas suspeitava que poderia ser droga

A versão de que o helicóptero foi “encontrado” insinua que a nave estava desaparecida…

helicoptero

O sítio, que o helicóptero pousou, foi comprado, recentemente, no nome de Hélio Rodrigues, um negociante de imóveis local, por 500 mil, quando vale, no máximo, 150 mil reais. Foi o preço absurdo que levou os proprietários de terra denunciarem a negociata à Polícia Militar, e motivou a ação da tropa comandada pelo major Flávio Santiago, que prendeu os traficantes durante a descarga da droga.

O  juiz  Jorge Orrevan Cavvari Filho, da Justiça do Espírito Santo, informou que o sítio foi adquirido,  “exclusivamente, para o tráfico internacional de drogas”.

Quem está desaparecido é Hélio Rodrigues. Tudo indica que um laranja.  Também sumiu o antigo proprietário da fazendola. Veja vídeo 

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Um comentário sobre “Cobertura do helicóptero com cocaína faz senador Perrella apelar para uma lei forte de censura”

  1. O que é certo é que a imprensa, quer seja de esquerda ou de direita, está sempre tentando fazer justiça com a palavra impressa e é muito comum neste brasil o jornalismo de direita tentar estrangular o de esquerda e vice-versa.
    Enquanto se viver este clima de agressão mútua, a maior parte vezes sem justificação, haverá sempre algum político de mãos sujas, qualquer que seja a cor política, a querer implementar censura na palavra impressa.

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