O amor de outono na flor da idade

Um preconceito exclusivo da classe média: o sexo entre pessoas com grande diferença de idade. Uma antepaixão. Um prejuízo econômico. Uma hostilidade recente, incentivada pela previdência social e companhias de seguro.

Só em 24 de janeiro de 1923, com a Lei Elói Chaves, criou-se um caixa de aposentadorias e pensões para cada uma das empresas ferroviárias. Uma Lei considerada o ponto de partida da previdência social brasileira. Que outras empresas foram autorizadas a construir um fundo de amparo aos trabalhadores.

A pensão por morte foi regulada em 1991. É aí que começa a prevenção. E as campanhas contra o casamento de pessoas velhas.

Antes do golpe de 64, as meninas casavam virgens, porque jovens, com adultos com estabilidade no emprego. Certo que o par ideal era a filha do fazendeiro rico, chefe político, com o bacharel em direito.

A ditadura militar cassou a estabilidade, e adaptou a campanha hippie “faça o amor e não a guerra” (revolução). Não foi nenhuma campanha feminista que  acabou com o tabu da virgindade, mas os Projetos Rondon e Mauá, que retiravam as donzelas da vigilância paterna para cidades distantes. Inclusive com a liberação de drogas como a maconha. E pasmem! a introdução da cocaína, que teve como propaganda a música “Banho de cheiro”.

Dois acontecimentos no mundo ocidental estabeleceram a valorização dos jovens: a campanha eleitoral do casal Kennedy, 1960, que o casal Obama foi a versão negra, em 2009;  e o padrão de beleza feminina – a femme fatale magra e peituda -, com o lançamento do filme “E Deus criou a mulher”, 1957, estrelado por Brigitte Bardot, uma antecipação da Barbie (boneca criada em  1959), pelo seu jeito de ninfeta. Brigitte casou aos 17 anos, depois de dois anos de namoro com  Roger Vadim, 14 anos mais velho.

Estátua de Brigitte Bardot em Búzios, Rio de Janeiro
Estátua de Brigitte Bardot em Búzios, Rio de Janeiro

Estava criado o casal moderno ideal que viria substituir o sonhado amor do príncipe encantado com Cinderela dos contos de fadas dos irmãos Grimm.

Uma cruzada em voga, que considero absurda no Brasil das 250 mil prostitutas infantis, é a da pedofilia, uma perversão sexual que consiste na atração sexual de um indivíduo adulto ou adolescente dirigida, primariamente, para crianças pré-púberes (ou seja, antes da idade em que a criança entra na puberdade) ou no início da puberdade.

In Wikipédia: A pedofilia faz parte de um grupo de preferências sexuais chamado Cronofilia, junto a Nepiofilia, Hebefilia, Efebofilia, Teleiofilia e Gerontofilia. O termo Cronofilia não é muito usado pelos sexologistas e refere-se por atrações sexuais fora da sua faixa de idade.

Segundo o critério da OMS, adolescentes de 16 ou 17 anos também podem ser classificados como pedófilos, se tiverem uma preferência sexual persistente ou predominante por crianças pré-púberes pelo menos cinco anos mais novas do que eles.

Há uma incenti√ação para que o sexo seja realizado entre pessoas da mesma faixa etária, quando as meninas estão engravidando cada vez mais cedo.

Escreve Roberto Carlos C: “No Brasil são cerca de 700 mil meninas sendo mães todos os anos e desse total pelo menos 2% tem entre 10 e 14 anos, sendo que elas não têm nenhuma preparação psicológica e nem financeira para poder dar um bom futuro a essas crianças.

Apesar de o aborto ser uma prática proibida no Brasil – salvo em alguns casos – mais da metade das adolescentes grávidas da classe média alta, fazem uso dessa prática, quando não podem ou não querem essa gestação, muitas vezes fazem isso com o apoio dos próprios pais que acham que não é a hora do filho assumir tal responsabilidade.

Isso não quer dizer que as adolescentes pertencentes a uma classe social mais baixa não praticam o aborto. Praticam sim, e pior, utilizam métodos caseiros que uma ”amiga” disse que dá certo, objetos pontiagudos para atravessarem o canal do útero, remédios sem indicação médica…, pondo em risco muito maior a sua vida, do que se fosse feito por um profissional qualificado num local adequado para tal procedimento.

Já não causa tanto espanto sabermos que meninas de 10, 11, 12 anos tenham vida sexual ativa, assim como aparecem em consultórios portando alguma doença sexualmente transmissível (DSTs) e ou grávida”.

Casos de crianças grávidas e aidéticas precisam ser investigados. Podem ter origem na prostituição infantil ou no bulismo na escola, com estupro praticado por um adolescente pedófilo.

O estupro no Brasil vem sendo um crime comum e impune. Não entendo o que realmente pretende transmitir as manchetes de hoje. Que os casos de estupro superam o de assassinato.

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Na internet, consideram como taras sexuais mais comuns: exibicionismo, sadismo, masoquismo, voyeurismo,  fetichismo, zoofilia, necrofilia, pedofilia. Mas minha classificação não é científica. Acrescento lesbofobia, homofobia, estupro, assédio sexual, adultização, gueto sexual, tortura, misandria, misoginia, peep-swow.

No meu universo infantil, as meninas eram criadas distantes dos meninos. A iniciação sexual era de menino com menino, a masturbação, a zoofilia. Para os meninos que tinham dinheiro, o pai encaminhava cedo para a zona de meretrício. Toda cidade do interior tinha uma rua para as “mulheres da vida”.

Não tão distante ficava o jardim feminino, que as crianças brincavam no terreiro da casa, na rua, no jardim, nas varandas, e eram possíveis certos toques, flerte e namoro – o necking.

Hoje as crianças não brincam mais.  De esconde-esconde, de médico, de casamento oculto. Nem dançam nas ruas.

As meninas sendo criadas para casar, instintivamente romantizavam parceiros mais velhos. Esta tendência passou a ser mais uma psychopatia  sexualis: a erotomania.

Para os idosos consideram a cópula um desvio: paradoxismo sexual, sexualidade exarcebada fora do tempo. Como se o amor tivesse idade.

Assim vejo como exemplar e educativo, para a mudança de um comportamento absurdo da fodida classe médias, os relacionamentos dos artistas e políticos e empresários.

Francisco Cuoco, 79, e Thaís Almeida, 26 anos
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Chico Buarque e Thais Gulin: diferença de idade, 37 anos
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Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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