A farsa do laudo psicopatológico pós morte do menor Marcelo

* A encefalite que nunca existiu

* A falta de conhecimentos médicos do psiquiatra forense

* Um “laudo” para enganar, para a mídia divulgar, para convencer a opinião pública

 

Família Pesseghini
Família Pesseghini

por George Sanguinetti

 

Quando foi divulgado o laudo “risível”, e o menor Marcelo foi diagnosticado após a morte como portador de encefalite, procedi minucioso estudo e revisão bibliográfica das encefalites, e constatei que encefalites são infecções agudas do cérebro, comumente causadas por um vírus.
Caracterizada por um inchaço e inflamação do cérebro. Pode também ter origem bacteriana como na meningite.
Uma criança, um adolescente, que seja portador de encefalite sofre de febre, dor de cabeça, fotofobia (horror a luz), fraqueza muscular, lentidão nos movimentos, rigidez no pescoço, com alterações na consciência, que pode progredir ao estupor e coma.
No protocolo de encefalite do Hospital Israelita Albert Einstein, encontramos com clareza elementos científicos para desmascarar a farsa do “laudo risível”. Consta no protocolo que é uma síndrome aguda do sistema nervoso associada a alta morbidade e mortalidade, com sequelas cognitivas, comportamentais e até de epilepsias sintomáticas; 60% caminham para a demência.
De modo objetivo quero transmitir, também ao Dr. psiquiatra forense que elaborou o “risível laudo”, que se o menor Marcelo fosse portador de encefalite, não teria condições de aprendizagem, de frequentar escola, coordenar movimentos, aprender a atirar, dirigir.
O mais importante, os sintomas descritos pelo psiquiatra não eram de encefalite. Não há portadores de encefalite incursos no Art. 26 do Código Penal, ou seja, não matam, não agridem, nem ao menos cometem suicídio.
Como um homicídio foi declarado suicídio, no inquérito, este laudo veio para completar os demais no teor de veracidade. Será desentranhado dos autos no Judiciário, e mostra do conhecimento, da preparação técnica e científica das “autoridades”.
Até para a farsa é necessário competência.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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