A burguesia brasileira e os extravagantes gastos nos Estado Unidos

charge-capitalista PCdoB

Os emergentes brasileiros viraram notícia internacional. O New York Times publicou no último fim de semana uma matéria sobre essa gente brasileira. Com um certo tom de surpresa, espanto e muita ironia, a matéria desfila alguns casos de ricos que adquiram o hábito de celebrar festas e casamentos “extravagantes” nos Estados Unidos — principalmente Nova York.

Longe de mim julgar essas pessoas. Como diz o Times: “Ainda é uma pequena fração de brasileiros que têm os recursos, o tempo de férias e o desejo de dar uma festa, ou uma série delas, em outro país”. Não sei se o dinheiro foi ganho de maneira limpa, mas quem tem muito faz o que quer com isso. Talvez eu queira ser convidado para um convescote desses e esteja sofrendo com o fato de que isso não vai acontecer tão cedo. Talvez eu esteja sendo invejoso ao achar que gastar essa grana em Nova York é uma das coisas mais patéticas do mundo, quase tanto quanto sair na Caras. Provavelmente, sim. Eu já sabia: a culpa é minha.

 Por Roberto Amado. Leia mais. Principalmente os fiscais da Receita.

Informa Ricardo Setti: A piada do momento é a seguinte: “Hoje em dia, brasileiro rico passa o verão na Bahia. Brasileiro pobre vai para Miami”.A brincadeira corre em Miami, a principal cidade da Flórida, onde os brasileiros estão sendo recebidos com tapete vermelho. Os brasileiros estão entre os maiores grupos de turistas estrangeiros na Flórida, rivalizando apenas com canadenses, mas são imbatíveis no gasto por visitante.

Em 2010, deixaram 1 bilhão de dólares no estado. No ano passado, o dobro, mas a conta não inclui o setor em que, por artes do câmbio e da sorte, os brasileiros estão se tornando insuperáveis: o setor imobiliário. Em cada edifício novo de Miami, haverá sempre um comprador do Brasil.

“Os brasileiros estão salvando Miami da crise”, diz Craig Studnicky, presidente do International Sales Group, que fechará o ano com 500 milhões de dólares em vendas de imóveis, dos quais 98% vêm de latino-americanos, sobretudo brasileiros e argentinos.

40% dos imóveis de luxo foram vendidos a brasileiros

“O Brasil é o nosso principal parceiro comercial”, diz o governador da Flórida, Rick Scott, que esteve no Brasil em outubro com uma comitiva de 180 pessoas e defende o fim da exigência de visto para brasileiros. Até meados do ano, a nacionalidade que mais comprava imóveis no sul da Flórida eram os canadenses (33% dos imóveis), seguidos dos venezuelanos (14%) e, em terceiro lugar, dos brasileiros (9%).

Mas, considerando-se apenas imóveis de luxo, com preço acima de 1 milhão de dólares, só dá brasileiro: 40% dos imóveis foram arrematados por brasileiros. “Há muito brasileiro no mercado de luxo”, diz o paulista Lipe Medeiros, veterano morador de Miami e dono do SoFi Group, divisão de luxo da Keller Williams, gigante do mercado imobiliário americano.

VEJA O QUE OS BRASILEIROS ESTÃO COMPRANDO

Miami Beach Sul

 

Miami Beach Sul: confira abaixo o que significa cada algarismo (clique na foto para ampliar):
Miami Beach Sul: confira abaixo o que significa cada algarismo (clique na foto para ampliar):

1. APOGEE: é o edifício mais caro de Miami. Tem 67 apartamentos. Mais de 10 unidades são de brasileiros

2. CONTINUUM I e CONTINUUM II: as duas torres somam 505 apartamentos. Entre 30 e 35 unidades foram compradas por brasileiros

3. OCEAN HOUSE: antes da abertura oficial das vendas, um brasileiro comprou a primeira unidade, por 4,5 milhões de dólares

4. W SOUTH BEACH: dos compradores, 65% são estrangeiros. Entre eles, 43% são brasileiros

Miami Centro: proprietários brasileiros estão por toda parte (clique na foto para ampliar)
Miami Centro: proprietários brasileiros estão por toda parte (clique na foto para ampliar)

1. VIZCAYNE: as duas torres somam 849 apartamentos. Das 420 unidades vendidas, 45% foram adquiridas por brasileiros

2. ICON BRICKELL: tem 1 200 apartamentos residenciais, quase todos vendidos. Os brasileiros compraram 196 unidades

3. INFINITY AT BRICKELL: dos 300 apartamentos relançados no ano passado, cerca de 50 unidades foram compradas por brasileiros

4. MARQUIS MIAMI: das 230 unidades já vendidas, 22 foram adquiridas por brasileiros

5. PARAMOUNT BAY: tem 346 unidades. As vendas começaram no dia 15 de outubro. Já havia 11 brasileiros na lista de espera

Miami Beach Norte (Detalhe do casal José Ribamar e Idalegugar, na varanda do novo apartamento no norte de Miami: em busca de um Rio de Janeiro com segurança). Clique na foto para ampliar
Miami Beach Norte (Detalhe do casal José Ribamar e Idalegugar, na varanda do novo apartamento no norte de Miami: em busca de um Rio de Janeiro com segurança). Clique na foto para ampliar

1. ST. REGIS: cerca de 10% do edifício foram comprados por brasileiros, incluindo a cobertura de 20 milhões de dólares

2. TRUMP TOWERS I, II E III: juntas, as três torres têm 813 apartamentos. Na torre III, com 271 unidades, 60% dos compradores são brasileiros

3. JADE OCEAN: das 150 unidades vendidas de 2010 até agosto passado, 47 foram compradas por brasileiros, inclusive a cobertura de 4 milhões de dólares

4. PENINSULA II: das 223 unidades, 110 foram vendidas a brasileiros

5. TRUMP HOLLYWOOD: dos 200 apartamentos, já foram vendidos 118, dos quais 15 para brasileiros. Leia reportagem 

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[Nota do editor: as ilhas da Bahia estão sendo ocupadas por estrangeiros e novos ricos brasileiros, inclusive a gangue dos guardanapos de Sérgio Cabral]

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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