Médica africana: no Brasil só é atendido quem tem dinheiro. “Um médico com um estetoscópio pode fazer muito mais tanto para o paciente quanto para a equipe”

Kátia Miranda é uma das médicas que participam do programa Mais Médicos. Foto Daia Oliver/R7
Kátia Miranda é uma das médicas que participam do programa Mais Médicos. Foto
Daia Oliver/R7

Nascida no Congo Belga, na África, especialista em medicina familiar e hematologia, Kátia Miranda, de 62 anos, atua há 36 anos na área.

Em conversa com o R7, ela revela que fala seis idiomas e já trabalhou em Portugal, Inglaterra, França, Bélgica, Espanha, Alemanha e Holanda.

— Sempre quis vir para cá e quando o meu filho casou com uma brasileira, essa vontade só aumentou. Não estou vindo pela conta bancária e, sim, pelas pessoas. Minha expectativa é ficar até o fim da vida aqui e usar meus anos de experiência para ajudar os brasileiros.

Kátia está impedida de trabalhar pelo Conselho de Medicina de São Paulo, que defende a privatização da Medicina, e contra o Programa de Mais Médicos.

Kátia se formou em Lisboa, e vai trabalhar em Indaiatuba, interior de São Paulo.

Escreve Brunna Mariel: Apesar de ter vivido muitas experiências em países desenvolvidos, a médica, filha de portugueses, disse que não vê diferença entre a infraestrutura da saúde pública do Brasil com a de países europeus, como Portugal e Espanha. Porém, ela revela que percebeu que existe uma grande diferença no tratamento do paciente.

Kátia diz que percebeu essas diferenças de postura não apenas durante seu treinamento de três semanas e na semana de acolhimento, mas também ao conhecer melhor a cidade de São Paulo.

— Você anda pela cidade e vê zonas muito pobres e zonas muito ricas. Sem contar as pessoas arrogantes que andam pela rua.

“Faltam médicos, não estrutura

Após visitar uma UBS (Unidade Pública de Saúde) no período do treinamento do programa, a estrangeira conta que notou que a infraestrutura das unidades “não deixa a desejar, mas que, sim, faltam médicos”.

— Vi que há uma grande equipe que tem vontade de trabalhar, mas faltam médicos. E um médico com um estetoscópio pode fazer muito mais tanto para o paciente quanto para a equipe.

— Aqui você é atendido de acordo com o dinheiro. Se você tem condições, você tem médico. Em países como a França, se você não tem condições de pagar a consulta de um especialista, o governo paga para você.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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