JORNAL INGLÊS VÊ “ARMAÇÃO” SOBRE MENINO EM MASSACRE

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Uma reportagem publicada no jornal britânico Daily Mail sugere que o garoto de 13 anos visto como o assassino de seus pais e parentes pela Polícia Civil de São Paulo pode ter sido vítima de uma armação. Para sustentar sua tese, o veículo aponta que “a polícia de São Paulo é amplamente vista como uma das mais corruptas do mundo e que nos anos recentes policiais se envolveram em vários escândalos“.

O menino era destro ou canhoto?

George Sanguinetti:

A “LINGUAGEM DO CADÁVER DE MARCELO” DIZ CLARAMENTE QUE NÃO FOI AUTOR DO TIRO QUE O MATOU

Em entrevista para Causa Operária, o perito legista explica por que considera falsa a versão de que o garoto teria matado os pais e depois se suicidado.

– Você já está se tornando conhecido por questionar perícia. Foi assim no caso PC Farias, e da menina Isabella. O que te faz questionar a versão oficial, geralmente, em casos tão polêmicos? O que gera a suspeita?

Não discuto autoria, esclareço a etiologia jurídica da morte do menor com provas técnicas.
Não sou um contestador de perícias; não discuto culpa; mas tenho capacidade para observar, detectar as provas técnicas e afirmar o que ocorreu.

– Nesse caso específico do garoto de 13 anos acusado de matar os pais policiais, você questiona inclusive a cena do crime, suspeita de mudança da cena?

– No caso da morte do menino Marcelo há visíveis na cena de local, em fotografias tiradas pelos peritos oficiais, três lesões no menor, que são provas técnicas que ele não cometeu suicídio:

Ferida perfuro-cortante no punho esquerdo, que é uma lesão de defesa;
Na concavidade da mão esquerda há equimoses que também são lesões de defesa, significando que a vítima que era sinistra (canhoto) esboçou, tentou defender-se do agressor, segurando ou tentando segurar a arma que o matou;
Ferida por arma de fogo na têmpora esquerda, sob a mão direita; observe bem, o braço direito toca o tórax e a mão direita em hiper extensão está na parte superior do crânio; O braço esquerdo em ângulo de 90°, tocando a arma com o indicador. Impossível o suicídio com a posição final dos braços e mãos; é só verificar o que ocorre quando alguém dispara uma pistola ponto 40 com os braços e mãos em relação ao ferimento de entrada.
Chama a atenção o menor ser autor de uma chacina com tiros de execução em lugar típico de atirador profissional. Na mão esquerda onde hipoteticamente teria efetuado disparos, até o que o matou, não ter sido encontrado resíduos de chumbo, antimônio, bário, nitritos, etc.

– Poderia explicar a questão dos resíduos do disparo que a polícia diz ter dado negativo, mas segundo suas declarações seriam impossíveis?

– Se o menino Marcelo tivesse efetuado múltiplos disparos claro que haveria na mão e até nas vestes resíduos do tiro. Seria impossível não ter sido encontrado com o uso de boa técnica. E ainda restaria a química forense par a detectar os resíduos do tiro.

Há investimento da autoridade policial em divulgar “estórias” de colegas de Marcelo e de um exame psiquiátrico pós-morte, onde o menor teria doença psiquiátrica, até então, enquanto vivo, de comportamento normal segundo a médica-assistente que o acompanhava há anos.

Veja que nas fotografias da perícia oficial no local das mortes, a avó do menor apresentava no braço uma mancha de sangue delgada, por esfregaço; alguém limpou as mãos no braço da vítima; o ferimento que recebeu foi no crânio não sujou a blusa ou vestido, apenas o travesseiro e o colchão. Não há explicação para a mancha (esfregaço) ter sido resultado do tiro que recebeu.

O assassinato do menor Marcelo. A imprensa tem divulgado “depoimentos” de menores, colegas de Marcelo, alegando que o mesmo afirmou que mataria os pais. Esta tentativa de formar opinião para um pretenso suicídio, após matar os pais, não convence, pois mesmo sem os laudos oficiais, a análise da cena das mortes, as lesões de “defesa” encontradas em Marcelo e a posição do corpo, dos braços e mãos inviabiliza admitir possibilidade de suicídio. Acrescente-se a ausência de chumbo, antimônio, bário, nitritos, enfim o exame residuográfico negativo, indicando que o menor não deflagrou arma. Há 3 lesões no menino, que não podem ser ocultadas e que muito contribui para o esclarecimento do caso.
1) Uma ferida perfuro-cortante no punho esquerdo, a qual não resultou de disparo de arma de fogo. É uma lesão de ” defesa”, um esboço de reação ao agressor.
2) Equimoses na concavidade da mão esquerda, que não poderiam resultar de disparo de arma de fogo e sim, de um esboço de reação.
3) Um ferimento por arma de fogo, na região temporal esquerda, lesão esta que o matou, mas que não poderia ter sido produzida pelo mesmo, devido a posição das mãos, dos braços, da arma, conforme expliquei em artigo anterior no Facebook. Estou aguardando a divulgação dos laudos, mas sem entender da vontade de manipular a opinião pública. Os estudiosos estão atentos; aguardo os laudos para comentar com mais profundidade e rigor científico.

– Desde que a notícia foi divulgada, com o garoto sendo o principal suspeito, gerou grande desconfiança, apesar da unanimidade na polícia e os esforços da imprensa em dar legitimidade a esta versão. Porque você afirma que as mortes, inclusive do garoto, foi realizada por profissional?

– O local dos disparos por arma de fogo que vulnerou as vítimas são característicos dos escolhidos pelos profissionais. Ferimento único na região cefálica. Há o “selo” do executor profissional, do homem acostumado a executar. Há um disparo a 30 cm que o menor não teria condições de fazer; sendo o mesmo autor, disparo apoiado, quase “colado”. Gostaria de enfocar algo muito importante: quando divulguei que Marcelo apresentava na concavidade da mão esquerda equimoses e no punho esquerdo ferida perfuro-cortantes e que eram lesões ” de defesa”, apresentei elementos da cena do crime, dados técnicos. Para surpresa, no Jornal Nacional da Globo, o delegado que mostrou mais de uma dezena de laudos aos familiares, afirmou que Marcelo apresentava, segundo o legista, uma distensão muscular na mão esquerda, consequência dos disparos que efetuou com a pistola ponto 40. Isto é equívoco. Jamais o manuseio, disparar pistola ponto 40, levaria a produzir a lesão nominada pelo delegado de distensão muscular. A senhora como jornalista, não teria dificuldade em ouvir um oficial, um instrutor de tiro com pistola ponto 40 e constatar da veracidade de minha afirmativa. Não sou um contestador de laudos, mas não pode o laudo, um documento médico-forense, que deve esclarecer a Justiça, relatar o que foi encontrado no exame necroscópico, conter afirmações sem sustentação científica.

– Levando em conta essa informação, mais o depoimento de uma vizinha que teria visto um policial pulando o muro da casa, e o fato de a mãe do garoto, cabo da polícia, ter denunciado outros policiais por envolvimento em roubos a caixas eletrônicos… tudo isso significa dizer que a própria polícia está envolvida no crime?

– Por que o menor Marcelo não cometeu suicídio? A pedido da imprensa (rede de TV de São Paulo), analisei as fotografias da cena do drime, onde o sgt. PM foi assasinado, sua esposa, também policial PM, mais duas senhoras da família e apareceu morto também o filho único do casal, o menor Marcelo, ao qual se atribui autoria das mortes e posterior suicídio. É básico em Criminalística e Medicina Legal que o Perito só atesta o que encontra, só declara o que pode provar. Portanto irei analisar a morte de Marcelo, que tem sido divulgada como suicídio. O membro superior direito, encontra-se em flexão, braço-antebraço na parte anterior do tórax (esternal) dirigindo-se para o lado esquerdo da cabeça, onde a mão direita encontra-se na parte esquerda do segmenro cefálico. O membro superior esquerdo, braço-antebraço, em ângulo de 90 graus e a região palmar voltada para o dorso. Foi afirmado que o menor era sinistro (canhoto), impossível disparar arma de fogo com a mão esquerda, na têmpora esquerda e a mão direita, ser encontrada na posiçao final, onde foi, do lado esquerdo, e a mão esquerda fletida para o dorso, apresentando o braço esquerdo=antebraço, rotação para o dorso. Não estou contestando o trabalho da Polícia de São Paulo, apenas estou apresentando a “linguagem do cadáver de Marcelo” que diz claramente que não foi autor do tiro que o matou. A ausência de exame residuográfico positivo também tem muita importância, como também na epiderme-derme chumbo, pólvora, antimônio, bário. Como o tiro teria sido com arma apoiada, também sangue e outros materiais orgânicos resultantes da explosão dos gases (lesão de Hoffmann ou buraco de mina).

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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