Papa Francisco pede fim do tráfico de armas e paz na Síria

Ilustração Oleg Dergachov
Ilustração Oleg Dergachov

 

O papa Francisco fez uma conclamação neste domingo pelo fim do tráfico ilegal de armas e repetiu seu apelo pela paz na Síria.

“A guerra contra o mal significa dizer não ao ódio fratricida e às mentiras que o alimentam, dizendo não à violência em todas as suas formas, dizendo não à proliferação de armas e do tráfico ilegal de armas”, disse ele em seu Angelus dominical regular.

“Há sempre a dúvida se essas guerras aqui ou lá são guerras por problemas reais ou guerras para vender armas”, disse ele.

“Há uma guerra comercial para vender essas armas no comércio ilegal. Estes são os inimigos a serem combatidos, juntos e unidos, seguindo não outro interesse que não o da paz e o do bem comum.”

Esse chamamento ocorreu horas depois de o papa se dirigir a cerca de 100 mil pessoas na Praça de São Pedro, em um dia de jejum e oração pela paz na Síria.

“A violência e devastação na Síria devem parar imediatamente e devemos trabalhar com renovado compromisso para uma solução justa para o conflito fratricida”, disse ele neste domingo, pedindo paz também no Egito, Iraque e Líbano.

Os apelos pela paz surgem ao mesmo tempo em que Estados Unidos e França consideram a ação militar para punir o líder sírio, Bashar al-Assad, após o ataque com armas químicas perto de Damasco, que matou centenas de pessoas em agosto. Os países ocidentais culpam Assad pelo ataque, embora o governo sírio negue a responsabilidade.

(Reportagem de James Mackenzie)

 A PAZ REQUER PACIÊNCIA

“Caminhemos com orações e obras de paz” e rezemos a fim de que, sobretudo na Síria, “cessem imediatamente a violência e a devastação”. Foi este o dom do discurso do Papa Francisco na oração do Ângelus deste domingo, 08 de setembro. Em estreita continuidade com a Vigília de oração e jejum celebrada ontem na Praça São Pedro, o Santo Padre voltou a invocar a paz para todo o Oriente Médio. Diante de dezenas de milhares de pessoas, o Santo Padre repetiu com veemência: “Não ao ódio fratricida e às mentiras de que se serve”.

“Basta com o ódio entre povos irmãos e basta com as guerras que encobrem interesses mais perversos do que os objetivos oficiais a que se propõem”, disse Francisco. Na oração mariana, o Papa evidenciou mais uma vez a inutilidade da guerra, reiterando seu apelo em favor da paz na Síria e no mundo.

“Para que serve fazer guerras, tantas guerras, se não se é capaz de fazer essa guerra profunda contra o mal? Não serve para nada! Não está bem… Isso comporta, entre outras coisas, essa guerra contra o mal comporta dizer não ao ódio fratricida e às mentiras de que se serve. Dizer não à violência em todas as suas formas. Dizer não à proliferação das armas e a seu comércio ilegal. Existe muito. Existe muito!”

O Pontífice destacou a “dúvida” que “fica” quando alguém impele a dar a palavra às armas: “Fica sempre a dúvida: essa guerra ali, essa guerra acolá, porque há guerras em todos os lugares, é realmente uma guerra por problemas ou é uma guerra comercial para vender essas armas no comércio ilegal?”

O Santo Padre fez apelo às consciências de cristãos, não cristãos e homens e mulheres de boa vontade, a fim de que façam uma escolha de campo em favor da “lógica do serviço”, “não seguindo outros interesses senão os da paz e do bem comum”. E a todos esses renovou o agradecimento com o qual concluíra na noite precedente as quatro horas da Vigília pela paz:

“Mas o compromisso deve seguir adiante: continuemos com a oração e com as obras de paz! Convido-vos a continuar a rezar para que cesse imediatamente a violência e a devastação na Síria e se trabalhe com um esforço renovado por uma justa solução do conflito fratricida.”

Em seguida, o Sucessor de Pedro deteve-se sobre os países do Oriente Médio, referindo-se especificamente a alguns deles. “Rezemos também pelos outros países do Oriente Médio, particularmente pelo Líbano, para que encontre a desejada estabilidade e continue a ser um modelo de convivência; pelo Iraque, para que a violência sectária dê lugar à reconciliação.” E rezou por dois outros conflitos, um antigo e outro recente:

“Pelo processo de paz entre israelenses e palestinos, para que possa avançar com decisão e coragem. E rezemos pelo Egito, para que todos os egípcios, muçulmanos e cristãos, se comprometam em construir, juntos, uma sociedade para o bem de toda a população. A busca pela paz é um longo caminho que exige paciência e perseverança! Continuemos com a oração!”

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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